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quinta-feira, 9 de maio de 2019
Leia a edição de Maio/2019 do Jornal Casa da Gente
Leia a edição de Maio/2019 do Jornal Casa da Gente. Para ler e baixar a edição completa em pdf, clique AQUI
Em defesa da UFF
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| A manifestação reuniu pessoas de várias idades em defesa da Universidade Pública (foto Fabio Caffé/ agência Favela em Foco) |
Estudantes, professores, funcionários e simpatizantes participaram de ato no Centro de Niterói
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| Milhares de pessoas tomaram a Amaral Peixoto (foto reprodução/ Marcelo Ramos) |
Cerca de 5 mil pessoas participaram de um ato intitulado "Eu defendo a UFF", que percorreu as principais ruas do Centro da cidade de Niterói, nesta quarta-feira, dia 8 de maio. O objetivo era colocar em questão o corte de verbas anunciado pelo MEC, indicando redução de 30% do orçamento previsto para a universidade.
Os manifestantes levavam cartazes e faixas com mensagens contra os cortes e a favor o ensino público. A marcha se iniciou no Campus o Gragoatá, passou pela Rua Visconde do Rio Branco e seguiu até a Rua da Conceição. De lá, acessaram a Av. Ernani do Amaral Peixoto e ao chegarem próximos à Câmara Municipal a via precisou ser interditada.
Os professores e funcionários das universidades federais de todo Brasil estão mobilizando uma greve em toda a rede superior de ensino para o dia 15 de maio contra o corte de 30% nas instituições anunciado por Bolsonaro e seu ministro Abraham Weintrab.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Cinema sem diferenças
Niterói irá receber em agosto
uma mostra internacional inédita de filmes com temática voltada à inclusão da
pessoa com deficiência
| Estudantes lotaram as sessões especialmente dedicadas a eles (fotos Luana Dias) |
Por Luana Dias
Um cinema em que todos são iguais, sem diferenças. Foi realizado no
início de fevereiro, na cidade de Lyon, na França, a terceira edição
do "Festival International Du Film Sur Le Handicap " (FIFH), com
uma extensa programação de filmes que envolvam pessoas com deficiência, tanto
na temática quanto na equipe. O Festival aconteceu em diferentes locais da cidade,
entre eles, o edifício histórico do Mercure Lyon Centre Château Perrache, a
sala de Cinema Opera, a Universidade Lumière Lyon 2 e o Instituto Lumière,
uma das grandes referências da história do cinema
francês e do mundo.
A CASA DA GENTE Produções participou do evento, com o desafio de
trazer pela primeira vez este Festival ao Brasil: em agosto, será realizada a
Mostra "Cinema sem Diferenças", com uma seleção de filmes de todo
mundo, premiados no evento francês. Niterói abrigará essa experiência, importante
iniciativa de difusão e inclusão. O projeto foi selecionado pelo primeiro
edital do Audiovisual da cidade de Niterói, promovido pela Prefeitura através
da Fundação de Arte, em parceria com a Ancine.
A Mostra Cinema Sem Diferenças será realizada no Cine Arte UFF - uma
das mais tradicionais salas de cinema da cidade. Todas as sessões serão
gratuitas. A Mostra irá integrar o Seminário de Acessibilidade Cultural,
realizado pelo Centro de Artes UFF, ampliando ainda mais o alcance da discussão sobre o tema.
Além do Cine Arte UFF, a Mostra terá também uma sessão especial na Câmara
Municipal de Niterói, através do Espaço Cinema.
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| Princesa Sylvia Sisowath, do Cambodja; o ator belga Pascal Duquenne, Patricia Malissart, da Handicap International, e o realizador francês Yann Le Quellec marcam presença no FIFH |
"Estamos trabalhando para oferecer sessões de cinema com audiodescrição,
legendagem descritiva e intérprete de Libras, apostando na acessibilidade e
inclusão do conteúdo audiovisual", explica Luana Dias, coordenadora da
"Mostra Cinema sem Diferenças", em Niterói.
Já estão confirmadas as presenças internacionais de Katia
Martin-Maresco e Flavia Vargas, respectivamente programadora e
diretora do FIFH em Lyon.
O projeto conta com o patrocínio da Prefeitura de Niterói, através
do programa "Niterói - Cidade do Audiovisual", e o apoio do Centro de Artes UFF, da Câmara
de Vereadores de Niterói e da Coordenadoria de Acessibilidade de Niterói.
Para que a Mostra seja ainda mais abrangente, a produção está agora buscando
mais apoios, parcerias e patrocínios.
"Gostaria
de convidar a todos, sejam profissionais, voluntários, especialistas da área,
integrantes de associações, professores e mesmo cidadãos e espectadores - a se
juntarem ao projeto", finaliza Luana Dias. Para mais informações, basta
entrar em contato pelo telefone/whatsapp: (21) 9 9888 9666 ou pelo e-mail
editoracasadagente@gmail.com .
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| A festa de encerramento foi bastante concorrida |
Destaques
da programação
A 3ª edição "Festival International du Film sur le
Handicap", que acaba de ser realizada em Lyon, proporcionou não só uma
excelente e intensa jornada de filmes longas e curtas-metragens, como também conferências,
música, dança, e ricos encontros e intercâmbios, refletindo sobre o Audiovisual
e sua relação na temática da Acessibilidade e Inclusão das pessoas com
Deficiência em todo mundo. Realizadores, produtores, roteiristas do Brasil, França, Argélia, Itália, Bélgica, Taiwan, Cambodja entre
outros países marcaram presença no evento.
As sessões voltadas para o público juvenil,
realizadas com centenas de alunos de escolas públicas de Lyon, numa parceria com
o Ministério da Educação Nacional e da Juventude proporcionaram um momento
especial de reflexão, com debates e troca de experiências.
Neste ano, o festival teve
uma "janela" especial à produção cinematográfica do Cambodja, país
onde a guerra e o uso das minas terrestres promoveram graves impactos sentidos ainda
hoje, deixando traços irreversíveis à população, especialmente no que diz
respeito à deficiências físicas. O Festival realizou uma homenagem ao
realizador Rithy Panh, com a exibição do clássico "Les gens de la
rizière" que participou da competição oficial do 47º Festival de Cannes, e
"L'image manquante".
| Luana Dias, coordenadora da Mostra Cinema sem Diferenças e Flávia Vargas, programadora do FIFH, durante cerimônia de encerramento |
A Princesa Sylvia Sisowath, Secretária
do Estado do Gabinete privado de sua Majestade o rei do Cambodja Norodom
Siharmoni II, foi convidada a ser uma das madrinhas desta edição do FIFH,
participando ativamente e dividindo sua experiência com o público.
Outro ponto alto foi a
exibição do filme "First they killed my father" ("Primeiro
mataram meu pai"), uma superprodução da Netflix, que tem a atriz Angelina
Jolie assinando pela primeira vez a direção.
Dentre as
presenças ilustres, destaque para o realizador francês Yann Le Quellec, apresentando
na noite de abertura o filme "Cornelius, le meunier hurlant", uma
delicada história que passeia entre a fábula, a poesia e o gênero fantástico,
com uma excelente forma de refletir sobre o que é considerado
"diferente" numa sociedade, sem optar pelo lugar comum. O prestigiado
ator e diretor francês Gustave Kervern também atendeu ao convite do Festival,
apresentando seu filme "Aaltra".
A Bélgica
marcou presença com o realizador Harry Cleven, e seu lindo e profundo filme
"Mon Ânge", e a participação mais que especial do ator Pascal Duquenne, que foi membro do júri de
ficção. Dentre os seus trabalhos mais conhecidos, destaca-se a atuação de
Duquenne no filme "Le Huitiême Jour" de Jaco Van Dormael. Pelo
trabalho realizado, ele recebeu o premio de Melhor Ator do Festival de Cannes,
em 1996.
O Brasil também esteve em
destaque no FIFH 2019, conquistando o prêmio de "Melhor
Curta-Metragem Documentário" com o filme "Solares" de Manoela
Meyer.
"No
FIFH, nós sonhamos com um mundo melhor, onde viver juntos, com as nossas
diferenças será uma força, uma riqueza, um ativo. Carinho, amor, humor,
histórias fantásticas, deficiências visíveis ou invisíveis, mensagens de
esperança constituem as 'cores' e o diferencial de nosso Festival",
finaliza Katia Martin-Maresco, fundadora e diretora do FIFH.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2018
Cine Icaraí, um caso de amor com Niterói
Texto e fotos: Christian Jafas*
Magistral. Essa palavra certamente estaria no título de uma reportagem sobre a reinauguração do Cine Icaraí e com a Orquestra Sinfônica Ambulante tocando trilhas famosas da Sétima Arte. Seria um presente e tanto para os cinéfilos de Niterói. Daria um filme...
Música, câmera, paixão! Só faltou uma instalação audiovisual exibindo imagens de cinemas de rua
ou algum filme-homenagem como o clássico “Cine Paradiso”, de Giuseppe Tornatore,
para que o “Abraço ao Cine Icaraí” fosse ainda mais emocionante. O evento organizado
pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), neste sábado, dia 18 de agosto,
em frente à bela praia de Icaraí, tinha como objetivo mostrar ao poder público
que os niteroienses não esqueceram o cinema que foi um dos mais importantes da
cidade. Valério Júnior, presidente do Núcleo Leste Metropolitano do IAB-RJ, reafirma
a importância do edifício para a memória arquitetônica de Niterói: “Essa é a
única construção original de artdeco
que nós temos, já que o prédio da reitoria da UFF, outro exemplar, foi
modificado. Não podemos perder esse símbolo que está no imaginário
niteroiense”. O movimento de abraçar um patrimônio ameaçado é orientação do
núcleo nacional e acontece em diversas cidades do Brasil. Valério lembra que
mesmo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e estando
na administração federal, através da UFF, o Cine Icaraí segue em perigo porque
não está em uso. “Eu vi muitos filmes aqui, esse cinema tem história, é um
espaço que toca o imaginário das pessoas e tem que ser preservado”, diz o
organizador do evento.
História, cinema
e preservação são palavras importantes para a arquiteta Deborah Pimentel que
estava no evento como secretária-executiva do IAB-RJ e também como cinéfila. “A
minha juventude foi toda aqui e esse espaço guarda a memória afetiva de várias
gerações. A arquitetura não se dedica só a construir. É preciso preservar o
patrimônio público e o Cine Icaraí é público, porque foi comprado com dinheiro
público e repassado para a administração da UFF. Temos que mostrar que a
sociedade quer esse bem público de volta”. Deborah sente saudades da época em
que ir ao cinema era parte de uma diversão que envolvia a praça pública e o
contato direto entre as pessoas: “Hoje é tudo pela internet. O primeiro filme
que vi aqui foi Menino do Rio, não esqueço, tinha a trilha da Baby Consuelo”,
finaliza saudosa.
Quem não esquece
o último filme que assistiu no cinema é Cauê Machado, músico integrante da Orquestra
Sinfônica Ambulante, que deu o ritmo e ajudou a esquentar o evento na manhã
fria de sábado. “Eu vi Titanic aqui e por isso tocamos a música tema do filme
para relembrar um pouco essa história”. E história é o que não falta para unir o
cinema com o grupo musical. “Os nossos primeiros ensaios aconteceram aqui na
praça, em frente ao cinema, em 2011. Esse local é importante para nós e tocar
na reinauguração do cinema seria uma honra”. “Reinauguração?” Ao fim do evento,
Luna Hahnemann já estava de saída quando ouviu a palavra mágica na nossa
entrevista, não resistiu em querer saber mais e depois das explicações revelou
que é uma apaixonada pelo cinema. “Ah, se ele voltasse eu viria aqui sempre! Eu
viria aqui para ver filmes e também comer pipoca. Só passar na frente já seria
uma emoção. O cheiro de madeira da sala de espera é inesquecível. Sonhos de uma
vida foram construídos dentro desse cinema. Eu tenho uma relação celular com o
Cine Icaraí”. Luna também não esquece o primeiro filme que viu no cinema: “Barry
Lyndon, do Stanley Kubrick, magistral”.
Magistral. Essa palavra certamente estaria no título de uma reportagem sobre a reinauguração do Cine Icaraí e com a Orquestra Sinfônica Ambulante tocando trilhas famosas da Sétima Arte. Seria um presente e tanto para os cinéfilos de Niterói. Daria um filme...
* Cineasta e jornalista, Christian Jafas escreve
sobre cinema desde 2002 quando criou o blog “Imagem em Movimento”. Já atuou
como crítico do site Almanaque Virtual participando da cobertura do Festival do
Rio. Dirigiu o documentário “Cine Paissandu: histórias de uma geração” sobre o
lendário cinema que formou a Geração Paissandu nos anos 60 e marco de
resistência contra a ditadura.
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Inscrições abertas para II Jornada de Literatura e Dissonâncias na UFF
Evento gratuito terá a presença da atriz Denise Fraga e mesas sobre a produção de Abujamra, Suassuna e Pirandello
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| A atriz Denise Fraga é uma das convidadas (foto reprodução/facebook) |
Nesta edição, entram em cena as produções de Pirandello, Antonio Abujamra e Ariano Suassuna. O evento conta também com a participação da atriz Denise Fraga em uma conversa sobre o ofício de atuar e as suas provocações. Encerrando as atividades, o Grupo Teatro de Letras fará uma apresentação.
"A II Jornada do Grupo de Pesquisa Literatura e Dissonâncias (LIDIS/UFF) é uma oportunidade para aproximar as pessoas que amam a palavra, quer seja ela a escrita ou a vocalizada nas encenações. Todo o esforço de nosso trabalho tem sido na direção de fortalecer o diálogo entre campos do conhecimento autônomos, mas que têm tantos pontos de confluência, como poderá ser visto nas mesas do evento", afirma o professor e doutor André Dias, líder do LIDIS/UFF.
O evento é realizado pelos grupos Literatura e Dissonâncias (UFF), Caminhos da Literatura (UFF), Teatro de Letras (UFF), e tem o apoio da Universidade Federal Fluminense, do Instituto de Letras (UFF), e da Pós-Graduação Estudos de Literatura (UFF).
Para se inscrever, basta enviar um e-mail para lidisuff@gmail.com. O evento é gratuito. Será cobrada uma taxa de R$ 10,00, a ser paga no dia do evento, apenas para aqueles que desejarem receber certificado. As inscrições estão abertas até o dia 8 de outubro. Para saber mais, basta visitar a fan page no facebook: facebook.com/ literaturaedissonancias/
quinta-feira, 16 de junho de 2016
Fred Martins em única apresentação na UFF
Com o show "A música é o meu país", o cantor Fred Martins
reencontra o público de Niterói, sua cidade natal, em única apresentação no
Teatro da UFF. Os ingressos
para o show, que será realizado no dia 23 de junho, estão à venda a R$40 e R$20 (meia).
Destacado entre os artistas da sua geração, o
cantor e compositor Fred Martins oferece um repertório autoral muito variado e
relacionado com a tradição musical do artesanato da canção no Brasil. Sua
música dialoga com o samba e a bossa nova, mesclando também elementos de outros
estilos e incursões pela world music.
Fred desenvolveu uma relação especialmente profunda
com a música brasileira ao transcrever, durante dez anos partituras de
compositores como Chico Buarque, Noel Rosa, Tom Jobim, Caetano Veloso e
Gilberto Gil para os famosos songbooks produzidos por Almir Chediak.
Suas composições conquistaram nomes consagrados da
MPB e foram gravadas em disco por outros artistas como Renato Braz (Por um
fio), Ney Matogrosso (Novamente e Tempo afora), Maria Rita (Sem aviso e
Perfeitamente) e Zélia Duncan (Hóspede do tempo e Flores), entre outros. A par
dos seus projetos pessoais, Fred participa ainda (como compositor e
intérprete), no mais recente espetáculo de María Pagés (ballet flamenco) –
Utopia, inspirado na obra de Oscar Niemeyer.
Após a
apresentação na UFF, o cantor está de malas prontas para a Espanha, onde
seguirá em turnê. O Teatro da UFF fica na rua Miguel de Frias, 9, Icaraí. Mais
informações pelo telefone (21) 3674 7512.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Abertas as inscrições para o 1º Prêmio DST de Jornalismo
A
UFF acaba de lançar o edital para o “1º Prêmio DST de Jornalismo”, que visa
estimular a conscientização da população brasileira sobre a importância de
medidas preventivas contra doenças sexualmente transmissíveis. Os trabalhos
inscritos poderão apresentar conteúdo e linguagem livres sobre questões
relativas às DST, prioritariamente sobre HPV, herpes genital, sífilis,
clamídia, hepatite B, HIV/Aids, entre outra doenças. As reportagens devem ter
sido publicadas no período de 1º. de janeiro de 2013 até 30 de abril de 2014.
Poderão participar jornalistas profissionais de qualquer parte do território
nacional e também estudantes de Jornalismo. Mais informações e edital completo
no site: www.dst.uff.br
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Preconceito nas escolas
Estudo traz
uma mostra da situação em estabelecimentos particulares de Niterói
Por Luana
Dias
“Caçoaram de um menino
negro, mas como era uma brincadeira, ele não liga. Ele também brinca”. “Um
menino publicou fotos de macaco e marcou alunos via facebook”. “Fulano é
pretinho e por isso tem o cabelo ruim”. Estas foram algumas das respostas espontâneas dadas por alunos de escolas
particulares de Niterói sobre as situações de racismo presenciadas nas escolas.
O material faz parte da pesquisa do Doutor em Politica
Social pela UFF, Diretor Geral da Escola Superior de Advocacia da OAB Niterói,
e advogado com atuação na área educacional há 20 anos, Carlos Alberto Lima
de Almeida. Ele é o autor da pesquisa “Vamos
colocar o Preto no Branco? A percepção dos alunos sobre racismo, antirracismo e
a Lei 10.639/2003”, realizada com 213 alunos do 9º ano do
ensino fundamental de cinco escolas da
rede privada, além de 30 profissionais envolvidos com a educação
escolar, entre gestores, coordenadores e professores.
“A pesquisa teve como
objetivos gerais contribuir para a produção de conhecimentos relativos à
operação do racismo na sociedade brasileira, em especial no campo da política
de educação, e verificar as estratégias que os profissionais da educação vêm
utilizando para enfrentar o problema”, afirma Dr. Carlos Alberto Lima de
Almeida.
As escolas que participam
da amostra estão situadas no bairro de Icaraí, em Niterói, onde se encontra, segundo dados extraídos de pesquisa
realizada pela Fundação Getúlio Vargas com base no CENSO 2010, um recorte de
concentração da elite de renda no município de Niterói. Para
86,9% dos alunos entrevistados na pesquisa, é possível afirmar que existe
racismo no Brasil. Porém,
ao responderem a pergunta sobre o próprio racismo, 82,2% disseram que não são
racistas. Segundo o pesquisador, tal constatação converge para o discurso de
que o problema do racismo não está em cada um de nós, mas no outro.
Diante da
pergunta “Você já presenciou ou tomou
conhecimento de alguma situação de racismo na escola?”, 37,6% dos
entrevistados responderam afirmativamente, ou seja, mais de 1/3 dos
pesquisados, que relataram 80 situações, supostamente relacionadas ao racismo
na escola. A maior parte delas –
relatadas por 33 alunos – estão relacionadas a utilização de variantes de cor a
partir de expressões como “neguim”, “preto”, “pretinho”, “negrinho”, entre
outros exemplos.
Outros 16 relatos
foram agrupados em situações diversas presenciadas, com indicações imprecisas
envolvendo “brincadeira”, “jogo de futebol na hora do recreio”, “apelido”,
entre outros exemplos.
“Há uma necessidade das
instituições de ensino e dos profissionais que nela trabalham perceberem a
importância do pátio escolar no processo educacional. Neste espaço, muitas
vezes demasiadamente livre nas escolas, são travadas as relações de poder,
disputas, bullying, entre outros
exemplos, muitas vezes subestimados na dimensão da responsabilidade da escola” ,
recomenda o pesquisador.
Entre as
outras respostas, destacam-se expressões com relação à natureza do sujeito,
como “macaco”, ou situações em que as expressões associavam pessoas negras a
contextos de delinquências e/ou defeitos morais, tal como “da pessoa negra
entrar na sala e a outra pessoa dizer ‘é bandido’''.
A pesquisa
também traz informações sobre as providências adotadas pelas escolas nos casos
de racismo. Dos 77,5% que haviam presenciado estas situações, 22,5% responderam
que foram tomadas providências, ou seja, em apenas ¼ dos relatos. Dentre as
principais ações, estão: “Diálogo/Orientação”, “Retratação”, “Sanção
disciplinar” e “Desdobramento judicial”.
“As respostas
me conduzem a levantar a hipótese de que as situações de racismo não chegam ao
conhecimento da escola e dos profissionais que nela trabalham. Porém, fica a
dúvida da real dimensão do trabalho que é realizado para evitar situações de
racismo. As respostas apresentadas na pesquisa qualitativa me revelaram que os
profissionais da educação que trabalham nas escolas pesquisadas em geral não
identificam situações de discriminação racial na escola”, analisa Dr. Carlos
Alberto Lima de Almeida.
Ainda segundo
o pesquisador, quando os profissionais são indagados com questionamentos que
permitem certa elasticidade de interpretação, tais como “Nem de longe? Nenhuma
piada? Nenhuma provocação?”, surgem respostas como “Não há discriminação racial
porque nas turmas em que leciona não existem alunos negros.”, “Piadas sim. Mas
não chega a ser discriminação.”, “Não há discriminação porque não tem aluno
pobre.”
Um outro
aspecto que chamou atenção do pesquisador foi “a terceirização do enfrentamento
da questão com os filhos”.
“Para muitos
pais, a postura de tentar transferir para a escola a responsabilidade de
enfrentar todas as demandas relacionadas à educação, é um fato consolidado. A
lógica consumerista que permeia as relações educacionais no setor privado de
ensino subverte o próprio comando constitucional, no sentido de que a educação,
direito de todos e dever do Estado e da família, já não precisa da família
colaborando”, conclui.
O resultado
da pesquisa foi divulgado em março e o estudo na íntegra será publicado pela
UFMG. Em outubro, Dr. Carlos Alberto Lima de Almeida irá
participar do 9º Congresso Rio de Educação,
quando abordará, em oficina, o tema Gestão Escolar e Responsabilidade
Civil. O evento está sendo organizado pela Sinepe Rio.
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