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domingo, 28 de junho de 2020

Marcelinho Calil é reeleito presidente da Viradouro


Marcelinho Calil (foto divulgação/Leandro Lucas)
Em Assembleia Geral Ordinária, a Unidos do Viradouro elegeu na quinta-feira, 25 de junho, a diretoria que comandará a escola para o próximo triênio. Marcelinho Calil, que assumiu o comando da escola em abril de 2017, permanece no posto. Helio José de Souza Nunes, que integrava o Conselho Deliberativo, assume a vice-presidência. Como só houve inscrição de uma chapa, a eleição se deu por aclamação.

Reeleito, Marcelinho Calil afirma que a tônica da administração da escola continuará a mesma.

"Há três anos, a gente chegou e encontrou uma situação delicada. Em pouco tempo, a gente conseguiu honrar toda a tradição e o tamanho da Viradouro. Vamos continuar, com muito amor e com muito trabalho, buscando manter a escola em um nível alto na competição, almejando sempre as primeiras colocações. Paralelamente a isso, também vamos continuar, com pé no chão, atuando com esse sentimento de respeito e de carinho com a comunidade e com a instituição, tentando fortalecer a Viradouro como uma referência cultural e social" afirma.



quinta-feira, 14 de maio de 2020

O Coronavírus e Eu


Diferentes relatos de pessoas que estão tendo suas vidas diretamente afetadas pela pandemia 

Infelizmente, a pandemia de Coronavírus avança em nosso país: até o fechamento desta edição, o Brasil já contabilizava mais de 177 mil casos confirmados, e mais de 12 mil óbitos registrados oficialmente. O impacto do Covid-19 em nossa sociedade é imenso: cada número nas estatísticas também reflete uma família que aguarda por notícias ou que enterra um ente querido sem direito a velório.
O jornal CASA DA GENTE trouxe à tona os relatos de pessoas que nos contam como esta doença atravessou e modificou de alguma forma as suas vidas, nestes últimos dois meses. São histórias de luta, recomeços e perdas, num momento em que precisamos ter atenção redobrada - e mais do que nunca - seguir as recomendações das autoridades médicas, com objetivo de evitar um colapso dos serviços de saúde, e sobretudo, de salvar vidas.

Reila Taline Saraiva de Jesus
(foto Acervo Pessoal) 
Reila Taline Saraiva de Jesus
Médica plantonista do setor de Terapia Intensiva para pacientes com COVID-19, no Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói
Sabe a frase que diz que as pessoas só vão se importar quando os números virarem nomes? Para quem trabalha na saúde, eles são sempre nomes.
Para quem trabalha em CTI, como eu, infelizmente perder vidas acontece. Nunca por falta de esforço nosso. Mas nem sempre a gente ganha. Chegar num plantão, receber os casos de um colega exausto, dizendo que fez tudo e mais um pouco pelo "paciente do leito 4" (para evitar nomes aqui) mas ele não respondeu a nada, já é difícil. Você já se sente vencida, antes da sua batalha começar.
Aí vai direto para assistência desse paciente, e em meia hora o coração dele pára, você tenta de tudo, mas sabe que seu colega já tentou de tudo também, sabe que essa batalha está perdida, vence a negação, fecha os olhos do paciente e diz: "descanse em paz".
A enfermagem começa a "preparar o corpo" e você não tem tempo para se recompor, porque tem um paciente grave entrando porta adentro. Checa o tubo, instala as drogas, ajusta o respirador, colhe exames, lembra de tudo que já estudou, de todos os pacientes anteriores que já te ensinaram um pouquinho, e faz o melhor tratamento possível para aquele paciente. Segue reavaliando o mesmo a noite toda, feliz com cada décimo de melhora que consegue. Vai atender os outros pacientes do setor enquanto chega o maqueiro para levar o "paciente do leito 4" e entra a "menina da limpeza" para higienizar o leito para o próximo que precisa da "vaga".
Quando dá para sentar, você revê tudo o que fez, vê se não está faltando nada, e aí, alguém te lembra: "Você jantou? Não!" São mais de 2 da manhã , melhor comer algo porque pode chegar outro grave. Volta para o setor, os pacientes todos estão um pouco melhores, dá uma pequena sensação de dever cumprido, e você se permite descansar por algumas horas.
No dia seguinte, recomeça tudo. Examina todo mundo, checa exames, ajusta drogas, libera prescrição, e pensa em almoçar. Não pode. Está subindo paciente. Chega gravíssimo. Jovem, teve uma parada cardíaca ontem. Já com tubo, exames indicando diálise, coração precisando de ajuda para continuar batendo. Telefone tocando ensandecido com pessoas querendo notícias. Afinal, ele estava ótimo até ontem, em casa.  Você chama o nefrologista, enfermagem monta todas as drogas que precisa,  diálise começa, paciente responde com discreta melhora, você segue investindo tudo. Lá pelas 15h30, você consegue sair para almoçar. Fala com os familiares que estão querendo invadir o hospital, explica tudo, pede compreensão pelo momento que estamos vivendo que impede a visita, e volta pro trabalho.
Mais um paciente chegando, esse está menos grave, acordado, dá até pra bater um papo com ele, fica feliz e agradece pela atenção, pela conversa, marca de trazer uma pizza quando tiver alta. Você ri. Não pode. Mas agradece a oferta. Pede licença porque é momento de rever todo mundo.
Colhe novos exames, todo mundo piorou. Recomeça do zero com todos eles. Parece que você não fez nada nas últimas 23h. O novo "paciente do leito 4" 'isquemiou' o cérebro. A parada cardíaca de ontem deixou mais seqüelas do que se previa. E você nada podia fazer, desde o início, mas como saber? Chega o colega pra assumir o plantão. E agora você é a médica exausta do início passando os casos pra ele e dizendo que fez de tudo e mais um pouco pelo "paciente do leito 4" e ele não respondeu. Desânimo define. Mas um paciente acordado reconhece seu esforço, abre um sorriso e te deseja um bom descanso. Percebo que ele está falando mais cansado do que estava antes. Saio torcendo muito para que ele não precise do tubo.
Depois disso tudo, vocês acreditam que a gente consegue sair do hospital e simplesmente ir para casa, tomar um banho demorado, preparar um jantar, assistir uma série, responder mensagens, checar email e afins? Vida "normal". Precisamos desenvolver essa capacidade de nos blindar para seguir de pé e trabalhando.
Pois bem, quando eu chegava no meu prédio, tinha um cara que sempre estava de bom humor, se levantava para abrir o portão para mim, perguntava dos meus amigos e da minha família, me contava até que meu cachorro já tinha voltado do passeio, me entregava os lacres de latinhas que ele recolhia com todos os amigos, desde que descobriu que eu destinava através de uma ONG, a um projeto que troca os lacres por cadeiras de rodas para quem precisa.
Como atualmente não estou no meu prédio, a última vez que fui lá, eu o vi, e ele me contou da viagem de férias que fez, disse não entender porque quem podia não estava cumprindo direito o isolamento, e que os trabalhadores estavam perdidos porque os ônibus e trens continuavam lotados, sem condições de manter o afastamento adequado. Disse-me com um sorriso que já tinha dado entrada no processo de aposentadoria, que estava só esperando sair para poder se isolar em casa. Eu brinquei que ele ainda era muito novo para parar de trabalhar, e que eu ia sentir falta dele, mas que ele merecia curtir a vida, afinal acordava às 4h30 da manhã dia sim, dia não para estar pontualmente às 7h na portaria do prédio. Mas confesso que não dei a atenção que eu dava sempre, estava preocupada também, na correria para me isolar de novo logo. Que arrependimento.
Alguns dias depois, meu irmão me avisa que ele estava se sentindo mal, mas que deitou, melhorou e o filho veio buscá-lo. Falei para mandar ele pro hospital, mas o filho disse que ele não quis. No próximo turno, ele não apareceu. O filho informou que foi internado, que estava grave no CTI. Foi transferido para o setor de isolamento. Não podia receber visitas. As notícias diárias não eram boas. E, no meio de um desses meus plantões caóticos, descubro que ele não resistiu. Desmoronei. Me permiti chorar por 5 minutos. Mas fui chamada porque tinha paciente "descompensando". Virei a chave e fui trabalhar. Guardei a dor para sofrer depois.
Se escrevo este texto, é para que as pessoas entendam algumas coisas. O isolamento, quando possível, é para salvar a você e às outras pessoas. Se você sair, o vírus vai te usar para chegar em alguém, que pode ou não ser conhecido seu, e pode ou não resistir à doença.
Sejam gentis sempre. Com todo mundo. O tempo todo. A gente realmente nunca sabe quando vai ser a última vez que verá aquela pessoa.  Fiquem em casa. Se tiverem que sair,usem máscaras, álcool gel, lavem as mãos. Se protejam, e protejam quem não pode ficar em casa também.
Essa doença é muito cruel. Muita gente já morreu, muita gente está morrendo, muita gente vai morrer.  Se o que faltava para vocês eram os números virarem nomes, lembrem-se então do Sr. Idemar, meu porteiro.

Beth Formaggini
(foto Ratão Diniz)
Beth Formaggini
Documentarista

Comecei a sentir os sintomas do Covid-19 mais ou menos no dia 10 de abril. Eu já estava há três semanas de quarentena: tenho mais de 60 anos, sou hipertensa e pré-diabética. Eu fiquei bem quieta em casa, pedindo comida e compras, fortalecendo sempre a rede de pequenos comerciantes. Quando descobri que estava doente, a minha comadre, a chef Anete, trazia comida e refeições pra mim, e meus amigos criaram uma rede de apoio - porque eu moro sozinha, e estava muito cansada para cozinhar.
Tudo começou porque minha mãe teve um problema de saúde grave - não foi o Covid. O médico foi na casa dela, dona Helyete Versiani tem 91 anos, e ele disse que tinha que internar, não tinha jeito. Fui com ela para o Copa D'Or, e fiquei 48h com ela lá. Durante o acompanhamento da minha mãe no hospital, tive sintomas de sinusite, com muita dor de cabeça, e precisei arranjar alguém para me render. Fiquei em casa passando muito mal, e cinco dias depois, comecei a ter os sintomas mais específicos: tosse, cansaço, dor muscular, febre baixa e a coisa foi evoluindo. Eu procurei minha médica clínica geral, que falou para eu ficar em casa, em repouso, e se tivesse problemas respiratórios, iria para o hospital. Passei a me tratar também com uma infectologista via telemedicina, que me ligava duas a três vezes por dia, e ela me enviou um oxímetro. Quando a oxigenação ficou deficiente, ela orientou que eu me internasse. Minha vizinha - que também é medica, e já tinha tido Covid-19 - me ajudou, e me levou para o hospital. Eu cheguei lá e desmaiei, com pressão baixa, e fui internada imediatamente.
Fiquei na Casa de Saúde São José, no Rio. Foram 12 dias de hospital, e uma semana em casa. O dia a dia no hospital era de muitas "picadas": tomando remédios, anti-coagulante, antibióticos, febre, cansaço. Foi muito difícil. Eu não precisei ser entubada, mas tinha uma máscara de oxigênio a todo momento. Gostaria de agradecer à dedicação da enfermagem, funcionários, limpeza, médicos, uma dedicação muito grande, correndo risco de se contaminarem. Foi um período em que me senti muito debilitada, mas tive muito apoio. No terceiro dia, consegui ter acesso ao meu celular, e vi uma corrente muito grande de amigos, conversava com a minha família, meus filhos, minhas netas. A família me ligava todos os dias, mesmo quando estava muito mal, eu atendia.
Enquanto isso, minha mãe seguia também internada, sem mim, com uma cuidadora. Quando comecei a respirar sem o oxigênio, eu tive alta. Lamento que todas as pessoas que estão doentes não tenham o mesmo atendimento que eu. A doença tem sido fatal principalmente entre as pessoas com menos condições de acesso à saúde, mesmo com o trabalho imenso do SUS, e merece todo nosso elogio e apoio. É uma realidade muito desigual.
Saio do hospital, com cada vez mais certeza de que precisamos lutar por uma justiça social, por um acesso de todos à Educação, à Saúde, ao trabalho, melhores condições de moradia, lutar contra o modelo econômico, exploração de recursos naturais, este capitalismo selvagem que não prioriza os seres humanos, a natureza, o meio ambiente, e sim à esta exploração, não só do trabalho, mas também dos recursos naturais. Cada vez mais me convenço que isso tem que mudar.
Durante a minha internação, alguma coisa me dizia: "você tem muitas boas lutas para lutar, banho de cachoeira pra tomar, seus amigos para abraçar, sua família, muito amor em volta. Você tem que conseguir voltar pra casa". Continuo com acompanhamento médico, e são muitas seqüelas: sua pressão fica louca, você tem dores nas articulações, continua tossindo.
Depois que você passa por uma situação grave, cada coisa mínima do cotidiano conta, ganha um novo valor: a primeira coisa que fiz  quando cheguei na minha casa foi um café expresso. Pra mim, aquilo era um sonho: estar em casa e tomar um café. Molhar as plantas no terraço ao cair da tarde, vendo a lua já no céu, e ver que a horta cresceu bastante e as plantas agüentaram bem a seca, e vão sobreviver. Deitar na rede 'útero' e enfim descansar. Estou ainda esperando que tudo melhore. A minha mãe voltou pra casa, estamos também acompanhando a melhora dela. Ainda bem ela não desenvolveu nenhum sintoma do Covid-19.
Acho que o confinamento é a única solução. É uma doença muito grave, que tirou a vida de milhares de pessoas no Brasil, com a falta de responsabilidade do governo federal, que insiste priorizar fatores econômicos, em detrimento de políticas de confinamento. As pessoas se amontoando nas portas dos bancos, uma necropolítica.
Eu, por exemplo, não estou mais contaminando ninguém, e em tese já tenho anticorpos, mas vou seguir o confinamento, porque eu posso transportar o vírus: uma mão na maçaneta, no banco do táxi, na mesa que minha mãe ou qualquer pessoa come já é o suficiente. É um exercício de cidadania ficar em casa, para diminuir esta curva, porque cada pessoa contaminada, transmite para 4 a 5 pessoas, a taxa é altíssima. Estas que estão andando pela rua são irresponsáveis, pois não tem amor ao próximo, nem a si mesmo ou à sua família.
Além de solidariedade com as pessoas que têm menos condições que nós, temos que ficar quietos em casa, e diminuir a probabilidade desta doença se espalhar. Fique em casa, este é o meu conselho principal. Leia, estude, se comunique com seus entes queridos por telefone e internet. Se não fosse a cultura, talvez eu não estaria aqui: recebi filmes, músicas, livros, e principalmente o amor dos amigos e família. Só tenho a agradecer a todos eles.

Márcia Demézio
(foto/Acervo pessoal)
Márcia Demézio

Jornalista

No dia 14 de março, meu irmão do meio, José Geraldo, completou 50 anos, e fizemos uma festa que reuniu a família e poucos amigos. Este foi o último e derradeiro encontro de nossa família: a partir daí, nossa vida virou de cabeça pra baixo.
Era o início do distanciamento social: lembro que colocamos um spray de álcool gel, e chegamos a duvidar se manteríamos a festa, até que decidimos que sim, porque eram poucas pessoas, e naquela época, falava-se ainda muito pouco de casos de Covid.
Naquele dia, meu outro irmão mais novo,  Marcelo, que tem 43 anos, estava doente. Ele havia voltado de uma viagem de Carnaval, em Paraty, e alguns dias depois, começou a ter diarréia. Em seguida, começou a ter febre, foi numa emergência e passaram um antibiótico. Como não melhorava, ele foi ao hospital numa segunda vez, e alteraram a medicação.
No dia 15, que era um domingo, a minha mãe, Maria do Carmo, e meu pai, Benedito, estavam meio gripados também, e reclamaram de cansaço. No dia 19 de março - ou seja, 4 dias depois - a cunhada ligou para avisar que meu irmão estava desmaiando e passando muito mal. Ao chegar no CHN, ele foi para a UTI, e encaminhado para o isolamento, onde fizeram uma bateria de exames. Foi quando acenderam a suspeita de coronavírus. Foi uma loucura, porque ele não apresentou os sintomas clássicos: tosse e falta de ar.
Paralelamente, minha mãe começou a ficar doente, com diarréia, e chegou a ir a uma consulta médica, mas como o pulmão não apresentava alterações, foi medicada com antibióticos. Quando terminou o ciclo, ela melhorou, e seguimos o foco no nosso irmão, que na ocasião aguardava o resultado da Covid, que sairia em 5 dias.
Da direita para a esquerda: Márcia Demézio (de vestido, no canto)
com sua mãe, Maria do Carmo, seu pai, Benedito, e toda sua família
reunida. Seu irmão mais novo, Marcelo, está ao centro (de cabeça raspada
e blusa polo cinza) - foto Acervo pessoal da família
Alguns dias depois, logo após sair o resultado positivo para Covid do nosso irmão mais novo, ele precisou ser entubado e o estado se agravou muito, chegando a um ponto crítico, preocupando inclusive à equipe médica. Apelamos aos amigos e à Deus, e pedimos a todos uma corrente de oração, porque era uma situação realmente delicada.
Paralelamente, meu pai que tem 83 anos, e que sempre foi muito ativo, estava prostrado. Já era dia 26 de março, e nós pensávamos que era depressão, por conta do nosso irmão. Ele parecia meio desorientado, mas não estava com falta de ar, e nem tinha febre, por isso não desconfiávamos de nada.
No dia 30 de março, meu irmão começou a melhorar, ao mesmo tempo que conseguimos uma médica para examinar nosso pai em casa. E para nossa surpresa, quando ela auscultou meu pai, disse que o pulmão não estava bom, e que tinha de ir urgente para emergência. Como ele era da Marinha, levamos ele para o Hospital Marcílio Dias, no Rio. Quando fizeram a tomografia, o pulmão estava com aspecto típico de Covid. Ele foi internado numa ala de isolamento, e no dia seguinte, precisou ser entubado. Apesar de apresentar durante alguns dias uma melhora, na manhã do domingo de Páscoa, dia 12 de abril, recebíamos a notícia de que ele havia falecido.
Meu pai tinha diabetes controlada, se cuidava muito, e de repente,  ele estava numa área isolada, sem a gente poder visitar. A gente sofreu muito: se não fosse esse vírus ele estaria conosco. Outra coisa extremamente difícil é não fazer velório, e nem ao menos nos despedir dele. No enterro, só tinha meu irmão, a minha irmã e minha filha, tudo muito rápido. Uma morte solitária. É tudo muito triste.
Em compensação, meu irmão estava ficando bem no outro hospital. No dia seguinte à morte de nosso pai, ele foi desentubado. Enquanto uma pessoa querida morria, a outra renascia. Dois dias depois de meu irmão ter alta, minha cunhada contou sobre nosso pai, e ele só conseguiu colocar pra fora a tristeza dias depois.
Desde aquele último encontro, nossa família não se reuniu novamente; cada um está em sua casa, e inclusive fizemos o teste para Covid. Para nossa surpresa, todos tiveram resultado positivo, alguns assintomáticos; apenas eu e minha filha tivemos resultados negativos.
Minha mãe é uma pessoa extremamente forte: todos os dias ela sempre rezou o terço, e desde o início deste momento difícil até hoje, todos da minha família rezam também, numa corrente de fé. Ela diz que meu irmão é o "nosso milagre ", e isso nos conforta de uma certa forma. Vivemos, porém, hoje com a enorme saudade do nosso pai.




quarta-feira, 13 de maio de 2020

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Niterói: novas medidas restritivas para conter o avanço do coronavírus em Niterói entram em vigor

Até 15 de maio, ações de fiscalização serão intensificadas nas barreiras com municípios vizinhos. As pessoas que descumprirem as regras de transitar em vias e locais públicos podem ser multadas
Medição de temperatura de pessoas que
cheguem de municípios limítrofes à cidade
(fotos divulgação/ Prefeitura de Niterói - Douglas Macedo)

Começaram a valer nesta segunda-feira, dia 11 de maio, as novas medidas de restrição da circulação determinadas pela Prefeitura de Niterói nos acessos com municípios vizinhos e a intensificação da fiscalização nas áreas e vias públicas e nos estabelecimentos da cidade. Pessoas que estejam nas ruas, praias e praças públicas, com exceção para casos de deslocamento por força de trabalho e ida aos serviços essenciais e estabelecimentos autorizados a funcionar, como supermercados e farmácias, poderão ser multadas em R$ 180. O valor dobra em caso de reincidência.

Neste primeiro dia, a ação foi feita nas barreiras com municípios vizinhos e em Icaraí, bairro com maior concentração de pessoas na cidade e também com o maior número de casos confirmados de coronavírus em Niterói. A fiscalização está sob responsabilidade da Guarda Municipal, agentes do Niterói Presente e do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), com o apoio do 12º BPM. Nos bloqueios, também há a participação de funcionários da NitTrans. No total, cerca de 300 agentes públicos estão envolvidos na fiscalização.

Os bloqueios estão sendo realizados em sete pontos da cidade. Neles, está sendo aferida a temperatura de todos os ocupantes dos veículos. Caso alguém esteja com temperatura acima do normal, será encaminhado para as unidades de saúde do município. Além disso, os agentes estão verificando se os ocupantes dos veículos são trabalhadores de serviços considerados essenciais pelo decreto municipal.

Os serviços essenciais como supermercados e mercados, padarias (sem lanchonetes), postos de combustíveis (sem conveniência), farmácias e petshops permanecem abertos e funcionando. As autoridades orientam que seja dada preferência aos serviços de delivery para que a circulação nas ruas seja menor. Na publicação do Diário Oficial foi disponibilizado modelo de autorização de circulação para comprovação de serviços essenciais.

O secretário municipal de Ordem Pública, Paulo Henrique de Moraes, detalhou como será feita a fiscalização do cumprimento das novas medidas restritivas.

“A partir desta segunda-feira estamos implementando as ações de restrição na cidade começando pelas barreiras, onde estamos fazendo medição de temperatura dos ocupantes dos veículos. Também há uma outra ação, concentrada inicialmente em Icaraí e que será expandida para os demais bairros, que é a abordagem de pedestres que estão se deslocando pela cidade. Caso a pessoa não esteja indo para o trabalho ou para utilizar algum dos serviços essenciais autorizados por lei municipal, será orientada a retornar a sua residência e, em caso de desobediência, poderá ser autuada. Essa multa é inicialmente de R$ 180, podendo dobrar de valor em caso de reincidência”.

O decreto 13.587/2020, criado a partir da análise científica de especialistas e baseadas em estudo técnico da Fundação Municipal de Saúde (FMS/FGA647/2020) transcrito no documento, foi publicado no Diário Oficial de sábado, dia 9. O objetivo é diminuir a circulação de pessoas e minimizar os efeitos causados pela pandemia.

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Oliveira, explica que dados e estudos de especialistas apontam que o Brasil viverá seu pior momento da epidemia nas próximas semanas e com a região metropolitana do Rio de Janeiro não é diferente. Por isso, a decisão de ampliar as medidas de restrição de circulação em Niterói.

“Tudo indica que temos uma circulação muito intensa e descontrolada na Região Metropolitana do Rio. Por isso a decisão de ampliar as medidas de restrição de circulação na cidade.  O objetivo é retomar o patamar do início do combate ao coronavírus onde chegamos a ter 70% de isolamento social, índice que foi decisivo para a gente reduzir a velocidade de contágio e dar tempo aos nossos trabalhadores da saúde conseguirem cuidar, tratar e curar os pacientes de casos graves da Covid-19. Nosso objetivo é fazer mais um achatamento da curva e dar tempo para o sistema de saúde de Niterói salvar vidas”.

A cuidadora de idosos Maria José da Silva, moradora de São Gonçalo, foi abordada por guardas municipais na esquina das ruas Moreira César e Álvares de Azevedo. Ela explicou que iria fazer compras para o casal de idosos para quem trabalha e foi autorizada a seguir. Ela elogiou o trabalho dos agentes e também as medidas de restrição de circulação.

"Acho importante para que a população tenha mais consciência do que é preciso fazer para evitar a proliferação da doença. Os guardas foram muito educados e recomendaram que eu voltasse para casa o mais rápido possível", contou.

Regras de circulação 

Também foi publicado o decreto N° 13.588/2020, que regulamenta o procedimento para aplicação da lei municipal 3.495/2020, que veda permanência e trânsito em vias, praias, equipamentos, locais e praças públicas em Niterói, de 11 a 15 de maio.

O texto assegura a circulação de pessoas nas "hipóteses de deslocamento por força de trabalho, para ida a serviços de saúde ou farmácias, para compra de insumos alimentícios e congêneres essenciais à subsistência, bem como para ida a estabelecimentos autorizados a funcionar". E em seguida: "Eventual deslocamento para aquisição de insumos essenciais ou ida a serviços de saúde ou farmácias e demais estabelecimentos autorizados a funcionar deverão ser esclarecidos à autoridade pública em caso de abordagem".

No caso de empregados dos serviços essenciais, o parágrafo primeiro do decreto indica que "os indivíduos comprovarão por meio de carteira de trabalho, funcional, contrato de trabalho ou qualquer outro documento idôneo o deslocamento em razão de trabalho". O material ainda disponibiliza um modelo de autorização de circulação para comprovação de serviços essenciais.

Quem for morador de Niterói e precisar se deslocar para outros municípios, deve apresentar comprovante de residência quando solicitado. Estão autorizados a transitar as pessoas e veículos que se enquadrem nos serviços essenciais como advocacia, imprensa e trabalhadores das áreas médicas ou cujas atividades não tenham sido suspensas por decretos do município ou do estado. Eles deverão apresentar, caso necessário, declaração do empregador ou contrato de prestação de serviços, conforme modelo estabelecido, cópia de algum comprovante do endereço do declarante; documento de identidade do trabalhador. Já no caso de veículos de prestadores de serviço, será necessário apresentar a nota fiscal das mercadorias carregadas e algum documento que comprove que o deslocamento tem como objetivo a prestação de serviços essenciais, conforme regulamentação federal.

Regras de abordagem pela Guarda Municipal 

O texto especifica como o Município poderá abordar pessoas e veículos. "A Guarda Municipal poderá abordar os indivíduos em circulação em vias, praias, equipamentos, locais e praças públicas, dentro do Município de Niterói", segundo o texto do Diário Oficial. No artigo 4º, a publicação ressalta que "as medidas restritivas discriminadas neste decreto inserem-se no conjunto de ações de isolamento social necessárias ao combate da pandemia de coronavírus (COVID-19), no âmbito do Município de Niterói, não configurando, contudo, espécie de lockdown".

Nenhuma rodovia estadual ou federal será objeto de restrição de circulação de pessoas ou veículos, nem haverá à restrição de circulação de pessoas por conta de deslocamento para atendimento em serviços de saúde. 

Caso a pessoa se negue a apresentar documentação quando solicitado, o decreto prevê que a pessoa seja levada à delegacia e autuada por crime de desobediência.

Resumo das medidas anunciadas pela Prefeitura
- Ampliação as ações restritivas e multa no valor de R$ 180, de 11 a 15 de maio, para pessoas que estejam nas ruas, praias e praças públicas, com exceção para o deslocamento por força de trabalho, ida aos serviços essenciais e estabelecimentos autorizados a funcionar.
- De 11 a 15 de maio só estão autorizados a funcionar na cidade, mercados e supermercados, padarias, farmácias, pet shops e postos de combustível.
- Reforço dos bloqueios com municípios limítrofes, que já estão em curso, agora também com a testagem da temperatura daqueles que chegam de outras cidades.
- Suspensão de 11 a 15 de maio das obras que estavam em andamento em todas as regiões da cidade.
- Ampliação, até o dia 16 de maio, em 40% a quantidade de leitos com respiradores na rede pública e privada de Niterói.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Prefeitura de Niterói começa nesta segunda-feira cadastro para adesão ao Programa Empresa Cidadã

Entenda o passo-a-passo para habilitar a inscrição da empresa baseada no município

A Prefeitura de Niterói abriu nesta segunda-feira (13) o cadastramento para empresas interessadas em aderir ao Programa Empresa Cidadã de Niterói, instituído por lei sancionada pelo prefeito Rodrigo Neves no último dia 3. As empresas poderão acessar um link no site da Secretaria Municipal de Fazenda e preencher todas as informações necessárias para habilitar a inscrição até o dia 24 de abril. A expectativa é que no dia 5 de maio seja feito o primeiro depósito para as empresas que aderiram ao programa. Essas empresas não poderão reduzir o número de postos de trabalhos até outubro.

Pelo programa, a Prefeitura de Niterói pagará um salário mínimo, pelos próximos três meses para até nove empregados de empresas, entidades religiosas e organizações sindicais com alvará na cidade e que tenham até 19 funcionários. Espera-se, com a medida, proteger 10 mil postos de trabalho e beneficiar pelo menos 1.100 empresas.


 "Não há contradição entre salvar vidas e manter a economia da cidade funcionando. Nós estruturamos um plano de guerra contra o novo coronavírus, que está sendo executado pelas várias áreas do governo. Estamos trabalhando dia e noite. Por isso, é tão importante que as pessoas continuem cumprindo o isolamento social”, afirma o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.   

Para se cadastrar, basta acessar o site da Secretaria Municipal de Fazenda e clicar no link Empresa Cidadã de Niterói e depois em “solicitar adesão”. A partir daí basta colocar todas as informações solicitadas, anexar os documentos exigidos (GFIP relativa a fevereiro de 2020; GRF relativa a fevereiro de 2020; Contrato social da empresa; RG do administrador e CPF do administrador) e aceitar o termo de adesão. Os documentos serão conferidos e, caso tudo esteja correto, o solicitante receberá um e-mail com o protocolo de atendimento e a confirmação da solicitação.

  “O Programa Empresa Cidadã vai ajudar as empresas de Niterói a se manterem de pé. Nós temos que manter a economia viva para que, superado esse período de crise, ela possa se recuperar”, afirmou a secretária municipal de Fazenda, Giovanna Victer.

O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Axel Grael, ressalta que o Empresa Cidadã é apenas mais um dos projetos da Prefeitura para beneficiar todos os cidadãos niteroienses.

"Estamos trabalhando para não deixar nenhum morador da cidade desamparado nesse momento de crise. São ações que salvam vidas. Mas reforço o apelo para que cada pessoa faça a sua parte e fique em casa, só indo à rua em casos de necessidade. Lembrando sempre que quando sair é importante estar usando a máscara”, enfatizou Axel.  
Auxílio aos microempreendedores
Nesta segunda-feira começa também a entrega dos cartões para o pagamento do auxílio aos microempreendedores individuais (MEIs). A entrega será feita ao longo da semana, de modo a evitar aglomerações.O auxílio terá um valor de R$ 500, por três meses. Todos os MEIs em situação regular e que se cadastraram para receber o benefício receberam, por e-mail, a data, horário e local para retirar o cartão. Também  é possível fazer essa consulta site da Secretaria Municipal de Fazenda: https://fazenda.niteroi.rj.gov.br/site/beneficio-mei-consulta-cronograma-entrega/ .

Na mesma página, é possível imprimir a declaração de recebimento do cartão. Ela deve ser preenchida e assinada pelo beneficiário, sendo entregue no guichê durante o atendimento. Dessa forma, não será preciso manipular canetas para assinatura do documento na hora, minimizando os riscos de contaminação. Além da declaração, será preciso levar original e cópia do documento de identidade com foto.

A Secretaria Municipal de Fazenda esclarece que, no dia da entrega, os cartões ainda não estarão carregados com o valor do benefício. O valor referente ao mês de abril será creditado no dia 24 de abril. Os demais pagamentos serão feitos em 24 de maio e 24 de junho.   

ASSISTA AO VÍDEO COM O PASSO-A-PASSO PARA SE CADASTRAR NO EMPRESA CIDADÃ:


 


sábado, 11 de abril de 2020

SOS Arte: Ação tem como objetivo ajudar a vender as obras dos artistas do 10º ENTREARTES

Renata Barreto, uma das artistas a participar do
10° ENTREARTES (foto divulgação/ Toni Coutinho)

"SOS Arte" é o nome da campanha em apoio aos artistas participantes da 10ª edição do ENTREARTES, exposição aberta no dia 05 de março, no Solar do Jambeiro. A mostra reuniu em um mesmo espaço seis personalidades das artes plásticas de Niterói – Fátima Dantas, Lúcia Lyra, Leila B, Rodrigo Saramago, Renata Barreto e Francisco Valença.
Intitulada “Portugal, o que me trazes”, o coletivo de artistas, inspirados nas tradições portuguesas, produziram obras que promovem um encontro do expectador com as suas raízes lusitanas. São trabalhos em desenho, pastel e óleo (Francisco Valença), tinta acrílica (Fátima Dantas e Lúcia Lyra), bordados em tela de aço (Renata Barreto), estrutura em ferro e cimento (Rodrigo Saramago) e cerâmica esmaltada (Leila B). 
“Em tempos de pandemia em que todos os segmentos da economia estão sendo prejudicados, essa é uma das categorias sensível a esse momento crítico do país e do mundo", afirma Cacau Dias, organizadora da mostra. 
Ela explica que a negociação dos trabalhos está sendo realizada diretamente com os artistas que participam da décima edição do coletivo. No entanto, adianta que os descontos podem chegar até 50%.
Àqueles que desejarem adquirir alguma obra, a campanha segue até o dia 20 de abril. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 99956-5000, para mais informações sobre os artistas, bem como selecionar sua obra de arte.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Niterói reforça medidas para conter o avanço de casos


 Município é considerado uma das referências no combate ao coronavírus
Desde o início do avanço da pandemia no Brasil, Niterói vem se destacando como pioneira na adoção de medidas para combater o coronavírus. A cidade investiu alto em prevenção, tendo criado desde final de janeiro um grupo de resposta rápida, com objetivo de monitorar o avanço da pandemia no Brasil e na cidade. Dentre as medidas adotadas, a Prefeitura arrendou por um ano o Hospital Oceânico, localizado em Piratininga, na Região Oceânica. Desativado, o prédio construído pela iniciativa privada passou por adaptações, e entrará em funcionamento a partir do dia 10 de abril, com estrutura de 140 leitos com respiradores e unidades de tratamento intensivo exclusivo para portadores do vírus.
A unidade montada no Hospital Oceânico será regulada pelo sistema de saúde de Niterói para receber apenas pacientes graves de coronavírus. Não haverá atendimento de emergência e as pessoas devem seguir procurando as unidades de urgência destacadas como referência para casos suspeitos de Covid-19 (Hospital Municipal Carlos Tortelly, Unidade de Urgência Mário Monteiro, Policlínica do Largo da Batalha e Policlínica da Engenhoca).
A Prefeitura iniciou desde quarta, dia 8 de abril, um trabalho de distribuição gratuita de um milhão de máscaras para toda a população da cidade. Os equipamentos foram comprados de pequenas e médias confecções da cidade e serão distribuídos por instituições religiosas, associações de moradores, equipes do Programa Médico de Família, das Unidades Básicas de Saúde e das administrações regionais.
"Nosso objetivo é distribuir essas máscaras em uma semana. Reitero que a nossa maior arma segue sendo o isolamento social. Mas, quem precisar ir às ruas, deve fazê-lo de máscaras, para se proteger e proteger os outros, já que muitos casos de coronavírus são assintomáticos" afirmou Rodrigo Neves, prefeito de Niterói.
Outra medida adotada foi o plano operacional de restrição dos municípios limítrofes teve início no sábado, dia 4 de abril, com etapas conforme a evolução do ciclo da epidemia em Niterói e nas cidades vizinhas.

Economia
A cidade também está preocupada em reduzir o impacto sócio-econômico das medidas de isolamento social. Microempreendedores individuais (MEIs) da cidade se cadastraram via internet, e vão receber um auxílio de R$ 500, por três meses, a começar pelo mês de abril. A entrega esta prevista entre os dias 13 e 17 deste mês. 
"Ainda em abril, nós começaremos também a conceder crédito, através do Fundo Emergencial de Crédito, que criamos para manter as nossas empresas de pé. Porque não há contradição entre salvar vidas e manter a economia da cidade funcionando", afirmou Rodrigo Neves.
Além disso, a Secretaria Municipal de Fazenda irá abrir, a partir da segunda-feira, dia 13, o cadastramento para empresas interessadas em aderir ao Programa Empresa Cidadã de Niterói, instituído por lei sancionada pelo prefeito.
Pelo programa, a Prefeitura de Niterói pagará um salário mínimo, pelos próximos três meses, para até nove empregados de empresas, entidades religiosas e organizações sindicais com alvará na cidade e que tenham até 19 funcionários. Espera-se, com a medida, proteger 10 mil postos de trabalho e beneficiar pelo menos 1.200 empresas.

A Secretaria Municipal de Fazenda  está também com edital aberto para credenciamento de instituições financeiras que vão conceder os empréstimos a juro zero para micro e pequenas empresas sediadas em Niterói. Os juros serão assumidos pela Prefeitura de Niterói, e o montante esperado a ser emprestado com o programa é de R$ 150 milhões.
O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Axel Grael, informou que a distribuição dos cartões para as 35 mil famílias inscritas no Cad Único acontecerá entre os dias 20 e 27 de abril.
“Uma equipe da área técnica da Prefeitura está trabalhando arduamente neste processo”, disse o secretário Axel.
Limpeza e higienização
Para garantir a higiene em comunidades mais pobres, a Prefeitura segue com a distribuição de mais de 50 mil kits de limpeza de porta em porta por meio do Programa Médico de Família, com detergente, sabonetes, água sanitária, sabão em pó e álcool em gel fazem. Niterói também investiu num sistema de ponta de sanitização de suas vias públicas, com o sistema quaternário de amônia de quinta geração que forma uma película protetora e impede a proliferação de micro-organismos por três a seis meses.    
Apoio a São Gonçalo
As prefeituras de Maricá e Niterói vão repassar, cada uma, R$ 45 milhões para o governo do Estado construir um hospital de campanha em São Gonçalo. O montante foi pedido pelo governador Wilson Witzel aos dois prefeitos.  O hospital de campanha de São Gonçalo será construído no Colubandê, ao lado do Hospital Estadual Alberto Torres. Uma tenda já foi colocada no local. A unidade fará atendimento exclusivos para pacientes com sintomas de gripe que possam ser suspeitos de coronavírus. A previsão do governo é que o hospital tenha 200 leitos, sendo 40 de CTI.

Erika Ferreira: uma vida dedicada às Artes Cênicas


A atriz, diretora e professora de teatro morreu aos 39 anos, em Niterói, por coronavírus

Erika Ferreira em cena com a Oficina Social de Teatro
(foto reprodução facebook)
Uma das mais jovens e talentosas expoentes das Artes Cênicas, a atriz, diretora e professora de teatro Erika Ferreira faleceu em Niterói no sábado, dia 28 de março, aos 39 anos, por Covid-19. A artista - que tinha diabetes - foi internada na terça-feira, dia 24 de março, no Hospital de Clínicas Alameda, com dor no peito, tosse, febre e falta de ar, e não resistiu. Horas depois à sua internação, ela já precisou ir para a UTI onde foi mantida em coma induzindo e com respirador, vindo a falecer cinco dias depois. A notícia de sua morte precoce causou grande comoção da classe artística das cidades de Niterói e São Gonçalo e do estado do Rio de Janeiro.
Nascida em São Gonçalo, Erika era diretora da companhia de teatro Agromelados e participou de diversos trabalhos, dentre eles, o musical "É samba na veia, é Candeia", sobre a história do sambista. Erika se formou pela Escola de Teatro Martins Penna, e participou como atriz de vários espetáculos, entre eles "Tirico, a história de morros e fossos", sendo selecionado em diversos festivais e premiações. Ela era professora da Oficina Social de Teatro (OST) onde ajudou a formar uma nova geração de atores, além de participar de diversas montagens teatrais.
"Érika era uma pessoa extremamente criativa, inteligente e uma educadora excelente com as ferramentas de teatro. Todo nosso fazer metodológico foi sendo influenciado pela Erika: a maneira de interagia com o aluno, os espetáculos em sua condução  eram sempre grandiosos, não só no trabalho de ator, como também de estruturação da cena, estimulando a criação de núcleos de figurino, cenografia, sonoplastia. O estímulo e o trabalho que a Erika "injetou" na OST, nós pretendemos continuar", conta José Geraldo Demezio, diretor da Oficina Social de Teatro.
Antes de adoecer, Erika estava trabalhando nos ensaios de "Nas Águas de Iara - a lenda da Pequena Sereia". Outro projeto em andamento era o "Moleca de pé no chão", que conta a história de uma criança do meio urbano, abandonada pela sociedade, e tendo como pano de fundo a tragédia que aconteceu no Morro do Bumba, com deslizamento de terra e morte, em Niterói. Segundo José Geraldo Demezio, o sonho de Erika era de estrear este espetáculo em turnê pelas comunidades. Ambos os projetos já estavam sendo desenvolvidos em parceria com Sylvio Moura, dramaturgo, ator e companheiro de Erika, e terão seguimento sob a sua condução, a partir de agora.
"Eu e Érica éramos muito parceiros, nossa cumplicidade ia além do matrimônio. Nós nos encaixávamos: eu, como ator, escritor e na iluminação; ela como atriz, diretora, produtora e potência criativa. Trocávamos ideias e criávamos a todo momento. A Erika defendia a valorização de um teatro infantil de qualidade, um gênero muitas vezes tratado como menor. Por mais que este seja um momento triste e dor, a gente tenta ficar com o exemplo dela, focada no trabalho e na dedicação à Arte. O Teatro não era só meio de vida, mas sim era a vida dela", conta em tom emocionado Sylvio.
Em nota, a Secretaria Municipal das Culturas e a Fundação de Arte de Niterói prestaram sua homenagem à artista. Diversos atores e diretores teatrais também demonstraram sua tristeza.
"Nossa querida amiga Erika vá em paz! Nós que aqui ficamos, seguimos irmanados pela dor e fortalecidos no amor. Que todo esse sofrimento mundial acabe o quanto antes e que possamos nos transformar para melhor", disse a diretora Patrícia Zampirolli, através de suas redes.
"Acabo de saber. Não consigo escrever. Queria poder escrever, mas não consigo. Os planos de você me dirigir e de atuarmos juntas, a forma alegre, carinhosa e solidária como me recebeu na 'Martins', o Sarau, o Café Literário...Quando perdemos uma artista como você, uma pessoa como você.... dói mais. Dói muito. Todos os aplausos para Erika Ferreira!", escreveu a atriz Simone Kalil.




quarta-feira, 8 de abril de 2020

domingo, 5 de abril de 2020

Niterói adota horário especial para atendimento exclusivo de idosos nos supermercados

Supermercados terão horário especial dedicado ao atendimento
exclusivo a idosos
(foto Peter Illiciev)

Em Niterói, irão entrar em vigor a partir desta segunda, dia 6, novas regras para o funcionamento de mercados e supermercados . A principal diz respeito à criação de um horário especial de atendimento para idosos. Desde o horário de abertura até as 10h será permitida apenas a entrada de pessoas acima de 60 anos.

"O objetivo é reduzir a possibilidade de contaminação dos nossos idosos, que são o maior grupo de risco em relação à taxa de mortalidade do coronavírus", afirmou o prefeito Rodrigo Neves, em pronunciamento ao vivo nas redes sociais da Prefeitura.


Também será obrigatória a higienização prévia do estabelecimento, antes da abertura ao público. E serão criadas normas para diminuir as filas nos caixas, para que não ocorra aglomeração.

"É muito importante que os proprietários dos estabelecimentos estejam atentos, pois estamos entrando em uma fase crítica para conter a expansão do coronavírus. São medidas básicas, mas que podem fazer a diferença nesse momento".

Unidos do Viradouro está confeccionando máscaras para distribuição

A Unidos do Viradouro está mobilizada na luta contra o coronavírus. A atual campeã do Carnaval carioca deu início na última quarta-feira, 1, à produção de máscaras para serem distribuídas na quadra da escola, inicialmente aos componentes da comunidade que desfilaram no Carnaval 2020. Nesta primeira fase de produção, estão sendo confeccionadas cinco mil unidades.
 Katia Paz, proprietária da confecção que já presta serviços à escola há alguns anos e que está no comando da produção, esteve no almoxarifado do barracão, na Cidade do Samba, Zona Portuária, para escolher os tecidos e dar início ao trabalho.
 "Havia algumas peças inteiras de TNT, ainda embaladas, e peguei logo, pra começar a trabalhar. Aqui no ateliê, eu tinha alguns tecidos que restaram do trabalho que fiz pra Viradouro este ano. São tecidos sugeridos pelo Ministério da Saúde, como algodão, por exemplo, e também vamos aproveitar. Tudo já foi devidamente higienizado, seguindo as normas do pessoal da Saúde – informa Katia, que ressalta ainda que toda a área de produção foi limpa e que as costureiras têm máscaras e álcool em gel à disposição para a produção e manuseio dos tecidos.
 Segundo Dudu Falcão, diretor de carnaval, após embaladas, as máscaras serão levadas para a quadra da escola, no Barreto, em Niterói, onde serão distribuídas.
 "A ideia da escola é continuar produzindo para atender ao maior número de pessoas possível. A data e horário de distribuição serão divulgados através das redes sociais da Viradouro.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Niterói: plano de restrição de circulação com municípios vizinhos a partir deste sábado


A Prefeitura de Niterói inicia o plano para reduzir a circulação com cidades vizinhas - São Gonçalo, Maricá e Rio de Janeiro. Nesta primeira etapa do planejamento, entre 4 e 18 de abril, será proibida a circulação de táxis de municípios  limítrofes e determinada a redução para 30% de ônibus intermunicipais no Terminal Municipal João Goulart. Hoje, o movimento já está reduzido a 45%. Serão montados pontos de bloqueio com agentes de trânsito e das forças públicas. Os caminhões e transportes de carga não sofrerão restrições para fazer entregas.

De acordo com o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, a medida é essencial para manter o isolamento social.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem, Niterói tem 62 casos confirmados, 16 hospitalizados, sendo 9 em Unidades de Terapia Intensiva, 22 em isolamento domiciliar sendo monitorados pela Secretaria de Saúde do Município. A cidade registra um único morto e tem 23 recuperados.

“Serão duas semanas críticas de propagação do coronavírus. Precisamos diminuir a entrada de pessoas na cidade já que Niterói é a segunda cidade do Brasil com maior circulação diária, com aproximadamente 250 mil pessoas que não residem aqui.

Com esta primeira etapa do plano, vamos verificar a curva de expansão do coronavírus em Niterói e nas cidades vizinhas para eventualmente adotar as outras medidas propostas no Plano”, explica o prefeito. "O objetivo é manter a curva de expansão do vírus achatada, o que já vem ocorrendo em Niterói graças à conscientização dos niteroienses com o isolamento social e às medidas que a Prefeitura vem tomando para combater a pandemia".

Construção de hospital em São Gonçalo - Outra importante medida a ser implementada no combate à Covid-19 é o Projeto de Lei que será encaminhado nessa quinta-feira (2) à Câmara de Vereadores para ser votado que define o aporte financeiro de recursos da cidade para a implementação de um hospital em São Gonçalo.

“Vamos fazer um aporte de recursos no Fundo Estadual de Saúde para implantar um hospital de campanha com 200 leitos na cidade vizinha que conta com poucos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e baixa capacidade de investimento. O Governo de Estado entra com uma parte e nós com outra. Vamos prestar auxílio à cidade vizinha e evitar a sobrecarga dos hospitais públicos de Niterói”, ressalta Rodrigo Neves.

O prefeito destaca, ainda, que a cidade prossegue com ações como sanitização pelas comunidades da cidade e ruas de grande fluxo, entrega dos kits de higiene para famílias atendidas pelo médico de família (nesta quinta-feira (2) será a vez dos moradores do Morro do Estado, sexta (3) será na Engenhoca e segunda (6) em Nova Brasília) e a vacinação de idosos que já cumpriu 70% da meta e está suspensa até a próxima segunda (6) quando o Ministério da Saúde deve enviar nova remessa para que a Secretaria de Estado de Saúde repasse ao município. Nesse período, as pessoas que têm idosos acamados ou com dificuldades de locomoção podem enviar e-mail para vacinaidoso2020@gmail.com e solicitar a vacinação em domicílio.

Além disso, o Hospital Oceânico, referência no tratamento do Coronavírus, está sendo estruturado e ficará pronto no dia 10 de abril. A Prefeitura também já ampliou a oferta de leitos nas unidades de urgência da rede pública e adquiriu novas ambulâncias com UTI para dar cobertura à toda a cidade.


“Ressalto que toda estratégia que a prefeitura está fazendo coloca Niterói na vanguarda da luta contra o Coronavírus. Vamos manter o isolamento social até o dia 10 de abril para atravessarmos mais rápido essa pandemia e podermos retomar às nossas atividades. Nessa data, faremos uma reavaliação do ciclo epidêmico na cidade. Quero lembrar também que a janela aberta para serviços de mecânica e lojas de materiais de construção encerram nessa sexta-feira (3) e seguiremos apenas com os serviços essenciais abertos. Também peço que a população persevere no isolamento para mantermos a transmissão de forma mais lenta”, disse o prefeito de Niterói.

quinta-feira, 19 de março de 2020

URGENTE: Prefeitura de Niterói anuncia novas medidas no combate ao avanço do coronavírus

Prefeito Rodrigo Neves anunciou
novas medidas
(foto reprodução facebook)

O prefeito de Niterói Rodrigo Neves, acompanhado de secretários e vereadores da cidade, acaba de anunciar num pronunciamento ao vivo pelo facebook da Prefeitura de Niterói, novas medidas emergenciais para o combate ao avanço do coronavírus na cidade. A  partir de decreto, a ser publicado em Diário Oficial na próxima sexta, dia 20 de março, academias, salões de beleza, bares e cursos de idiomas deverão permanecer fechados na cidade.
O prefeito anunciou também a suspensão da cobrança do "Niterói Rotativo" nos próximos 30 dias, para que os veículos estacionados nas ruas possam permanecer sem ônus.
Além disso, haverá antecipação do pagamento do 13º salário de Servidores Públicos Municipais, a ser liberado a partir do dia 2 de abril. Outra medida anunciada diz respeito aos sete mil microempreendedores individuais (MEI) com alvará e endereço na cidade de Niterói: o prefeito anunciou a liberação de um auxílio de R$500 por mês para cada um microempresários, durante os meses de maio e junho, com objetivo de "apoiar a estes profissionais, que sentirão diretamente o impacto econômico do coronavírus".
Na Cultura, Rodrigo Neves anunciou a publicação de um novo edital municipal do programa "Arte na Rede", em formato web, com podcast e apresentações na internet e redes sociais,  voltado para artistas da cidade de Niterói, que tem o seu ofício  diretamente afetado pelo fechamento dos centros culturais e bares da cidade, além de promover atividade artística para aliviar o isolamento social.
O prefeito ressaltou ainda a distribuição de 32 mil cestas básicas para famílias de baixa renda dos alunos da rede pública municipal da cidade, de forma a garantir a alimentação básica durante o período de escolas fechadas. O prefeito destacou o trabalho e dedicação de servidores públicos da saúde, educação e assistência social na distribuição destas cestas.
Por último, o prefeito anunciou a ampliação da retaguarda e ação na área da saúde: a prefeitura irá arrendar por pelo menos por um ano o Hospital Oceânico, uma unidade particular, que estava fechada em Piratininga, Região Oceânica de Niterói.
Para finalizar, o preeito evocou união e uma "trégua politica" com objetivo de focar na "guerra contra o coronavírus, com Niterói fazendo jus ao título de cidade invicta". Mais detalhes em breve no Jornal Casa da Gente.