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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Cine Icaraí vai se transformar em Centro Cultural

Autoridades fizeram anúncio nesta quinta-feira, dia 11 de abril
(fotos e vídeos: Veronica M. de Oliveira/Jornal Casa da Gente)
Parceria entre Prefeitura e UFF foi anunciada na noite desta quinta-feira

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, e o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, anunciaram nesta quinta-feira (11), que vão assinar um acordo para cessão do prédio do antigo Cinema Icaraí para o Município. A Prefeitura pretende construir no local um centro cultural, mantendo as características do prédio. Em troca, a Prefeitura se comprometerá a realizar obras necessárias no prédio do Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS).
A previsão é de que, após a assinatura do acordo, a ordem de serviço para as obras nos dois locais seja dada até o final do segundo semestre deste ano. O investimento será de R$ 35 milhões. Dentre outras atividades, a Prefeitura já anunciou que o Centro Cultural também abrigará a sede da Orquestra Sinfônica da UFF, uma antiga reivindicação de músicos, professores e profissionais ligados ao meio cultural.
O chefe do Executivo reiterou que a Universidade e o Poder Executivo estão estudando a ampliação de futuras parcerias e acordos de cooperação técnica e destacou a importância da UFF para a cidade.

“O cinema faz parte da história de Niterói. Essa parceria terá um retorno social e econômico, além do bem-estar para a cidade. Niterói é uma cidade que investe em projetos na área de audiovisual e teve nomes como Nelson Pereira dos Santos nos quadros da faculdade de cinema da UFF”, afirmou Rodrigo Neves.
O reitor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega destacou que essa é uma parceria histórica, que será importante não só para a comunidade acadêmica, mas para a cidade como um todo diante da importância que a Universidade tem para Niterói.
“Temos o compromisso de formar cidadãos e essa parceria vai de encontro aos anseios da população. A cidade e a UFF avançarão cada vez mais e marca uma nota etapa dessa troca”, disse, lembrando que as parcerias já firmadas nas áreas de educação, saúde e segurança. 
Também participaram do evento o presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal, vereador Leonardo Giordano , e o deputado estadual Waldeck Carneiro. Confira a cobertura (em vídeo) completa no you tube do Jornal Casa da Gente.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cine Icaraí, um caso de amor com Niterói

Texto e fotos: Christian Jafas*

Música, câmera, paixão! Só faltou uma instalação audiovisual exibindo imagens de cinemas de rua ou algum filme-homenagem como o clássico “Cine Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, para que o “Abraço ao Cine Icaraí” fosse ainda mais emocionante. O evento organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), neste sábado, dia 18 de agosto, em frente à bela praia de Icaraí, tinha como objetivo mostrar ao poder público que os niteroienses não esqueceram o cinema que foi um dos mais importantes da cidade. Valério Júnior, presidente do Núcleo Leste Metropolitano do IAB-RJ, reafirma a importância do edifício para a memória arquitetônica de Niterói: “Essa é a única construção original de artdeco que nós temos, já que o prédio da reitoria da UFF, outro exemplar, foi modificado. Não podemos perder esse símbolo que está no imaginário niteroiense”. O movimento de abraçar um patrimônio ameaçado é orientação do núcleo nacional e acontece em diversas cidades do Brasil. Valério lembra que mesmo tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e estando na administração federal, através da UFF, o Cine Icaraí segue em perigo porque não está em uso. “Eu vi muitos filmes aqui, esse cinema tem história, é um espaço que toca o imaginário das pessoas e tem que ser preservado”, diz o organizador do evento.

História, cinema e preservação são palavras importantes para a arquiteta Deborah Pimentel que estava no evento como secretária-executiva do IAB-RJ e também como cinéfila. “A minha juventude foi toda aqui e esse espaço guarda a memória afetiva de várias gerações. A arquitetura não se dedica só a construir. É preciso preservar o patrimônio público e o Cine Icaraí é público, porque foi comprado com dinheiro público e repassado para a administração da UFF. Temos que mostrar que a sociedade quer esse bem público de volta”. Deborah sente saudades da época em que ir ao cinema era parte de uma diversão que envolvia a praça pública e o contato direto entre as pessoas: “Hoje é tudo pela internet. O primeiro filme que vi aqui foi Menino do Rio, não esqueço, tinha a trilha da Baby Consuelo”, finaliza saudosa. 
 Quem não esquece o último filme que assistiu no cinema é Cauê Machado, músico integrante da Orquestra Sinfônica Ambulante, que deu o ritmo e ajudou a esquentar o evento na manhã fria de sábado. “Eu vi Titanic aqui e por isso tocamos a música tema do filme para relembrar um pouco essa história”. E história é o que não falta para unir o cinema com o grupo musical. “Os nossos primeiros ensaios aconteceram aqui na praça, em frente ao cinema, em 2011. Esse local é importante para nós e tocar na reinauguração do cinema seria uma honra”. “Reinauguração?” Ao fim do evento, Luna Hahnemann já estava de saída quando ouviu a palavra mágica na nossa entrevista, não resistiu em querer saber mais e depois das explicações revelou que é uma apaixonada pelo cinema. “Ah, se ele voltasse eu viria aqui sempre! Eu viria aqui para ver filmes e também comer pipoca. Só passar na frente já seria uma emoção. O cheiro de madeira da sala de espera é inesquecível. Sonhos de uma vida foram construídos dentro desse cinema. Eu tenho uma relação celular com o Cine Icaraí”. Luna também não esquece o primeiro filme que viu no cinema: “Barry Lyndon, do Stanley Kubrick, magistral”.

Magistral. Essa palavra certamente estaria no título de uma reportagem sobre a reinauguração do Cine Icaraí e com a Orquestra Sinfônica Ambulante tocando trilhas famosas da Sétima Arte. Seria um presente e tanto para os cinéfilos de Niterói. Daria um filme...

* Cineasta e jornalista, Christian Jafas escreve sobre cinema desde 2002 quando criou o blog “Imagem em Movimento”. Já atuou como crítico do site Almanaque Virtual participando da cobertura do Festival do Rio. Dirigiu o documentário “Cine Paissandu: histórias de uma geração” sobre o lendário cinema que formou a Geração Paissandu nos anos 60 e marco de resistência contra a ditadura.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Enquanto esperamos o Cine Icaraí...


Christian Jafas *

Inaugurado em 20 de janeiro de 1945, o Cine Icaraí, localizado na Av. Jornalista Alberto Francisco Torres, no bairro de Icaraí, Niterói, foi o último dos cinemas de rua da cidade a serrar as portas. Marco de resistência dos cinéfilos, o prédio em estilo art déco tardio ainda chama a atenção de quem passa em frente à Praça Getúlio Vargas, na orla de Icaraí. Com capacidade para 811 lugares divididos entre plateia e balcão, o cinema ocupa dois dos quatro andares do edifício e esteve ativo até 2006 quando o Grupo Severiano Ribeiro, então administrador, resolveu interromper a programação e fechar as portas. O edifício foi tombado pelo Instituto Estadual de Patrimônio Cultural (INEPAC) e foi transferido para a Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2011. A UFF tem um projeto de reformar o prédio e instalar um centro cultural que também será a sede da Orquestra Sinfônica Nacional (OSN-UFF), mas por falta de recursos o projeto segue parado e o Cine Icaraí continua apenas na memória dos saudosos amantes da Sétima Arte.
As razões para a bancarrota dos cinemas de rua e a migração para os shoppings seguem listadas a cada nova reportagem sobre o tema: a violência urbana, a falta de estacionamento em cidades cada vez mais dependentes do transporte particular e a comodidade gerada pela concentração de serviços como lojas, restaurantes, bares e bancos no mesmo local.
Levantamento realizado em 2010 pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) mostra que das 269 salas de cinema em atividade no estado do Rio de Janeiro, apenas 65 se localizavam fora de shoppings. Nos últimos anos, outro fator entrou em cena com a popularização dos serviços de filmes on demand, como o Netflix e o Now!,e o crescente consumo de vídeos na internet. Os jovens não precisam sair de casa para ter acesso aos lançamentos hollywoodianos ou mesmo para ver produções menos conhecidas, já que tudo está disponível em um clique.
Enquanto os cinéfilos aguardam ansiosamente a reinauguração do novo Cine Icaraí, é possível fazer uma viagem ao passado através do livro “Cinematographo em Nictheroy: História das salas de cinema de Niterói”, de Rafael De Luna Freire, professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFF. Com uma pesquisa minuciosa, o texto nos leva ao tempo das primeiras lanternas mágicas, passa pelos suntuosos palácios dos anos 20 e 30, mas sem esquecer os tradicionais “poeiras”.
Diversos cineastas também fizeram homenagens ao cinema de rua em filmes como “Cine Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, “Cine Majestic”, de Frank Darabont, “O Último Cine Drive-in”, de Iberê Carvalho, e “O filme da minha vida”, de Selton Mello. Agora é só passar numa locadora e assistir no fim de semana. Opa, locadora? Isso é assunto para outro texto.

* Cineasta e jornalista, Christian Jafas escreve sobre cinema desde 2002 quando criou o blog “Imagem em Movimento”. Já atuou como crítico do site Almanaque Virtual participando da cobertura do Festival do Rio. Dirigiu o documentário “Cine Paissandu: histórias de uma geração” sobre o lendário cinema que formou a Geração Paissandu nos anos 60 e marco de resistência contra a ditadura.