Mostrando postagens com marcador Festival do Rio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Festival do Rio. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

RioMarket: área do Festival do Rio voltada ao mercado do audiovisual tem programação variada

Por Luana Dias

Seminários, workshops com profissionais renomados, rodadas de negócios e debates acontecem na Casa Firjan, em Botafogo                                         

Até o dia 10 de novembro a Casa Firjan, em Botafogo, vai abrigar a edição 2018 do RioMarket – área do Festival do Rio dedicada ao mercado audiovisual. Diretores, produtores, criadores, técnicos e outros profissionais da indústria debatem temas como: inovação, algorítimos e data science, realidade virtual, blockchain, VOD, influencers, branded content, modelos e oportunidades de negócios, cases de sucesso, financiamento, coproduções internacionais, entre outros.A programação conta com uma série de workshops, palestras, seminários, debates e rodadas de negócios com alguns dos profissionais mais renomados do setor. As inscrições para o evento podem ser feitas no site www.riomarket.com.br.

O RioMarket tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da indústria audiovisual, promovendo a troca de conhecimentos, proporcionando novas oportunidades de negócios e capacitação para profissionais do mercado. As discussões abrangem os nichos de cinema, televisão e séries, publicidade, games e influenciadores digitais. Além da programação paga, o evento conta também com uma série de atividades gratuitas. 
Temas atuais e diversos sobre o momento do mercado serão debatidos nos Seminários (Rio Seminars). Executivos das principais distribuidoras e exibidores estão presentes fazendo juntos uma profunda avaliação do setor em 2018, apresentando suas perspectivas para 2019 e propondo soluções. Nos painéis sobre Cinema, serão tratados assuntos como modelos de financiamento do desenvolvimento à comercialização, coprodução internacional, ocupação das salas, capacitação, entre outros. O nicho das séries também contará com painéis que discutirão a realidade do cenário atual e as tendências do mercado. Estratégias de lançamento, modelos de negócios de séries de ficção e não-ficção, transmídia ebrandedcontent serão explorados à luz de cases de sucesso apresentados por profissionais de todas as áreas envolvidas.
A Realidade Virtual volta à pauta do RioMarket em 2018 sob a ótica de criadores, produtores e distribuidores, que vão abordar a tecnologia e as particularidades do segmento. A utilização de influenciadores digitais em projetos audiovisuais também será um assunto bastante explorado, através da apresentação de cases.
A novidade da edição 2018 é a série de encontros denominada "ThinkTank", organizados no âmbito das Round Tables, que tem como objetivo discutir soluções para maximizar lançamentos e reverter a baixa ocupação das salas de cinema. Representantes dos departamentos de marketing e de programação de distribuidoras e exibidores estarão reunidos para debater o assunto e encontrar soluções em uma ação colaborativa e inédita. Um segundo encontro entre executivos das distribuidoras e das mídias tratará de “Soluções para maximizar os lançamentos através de mídias parceiras”.
Como de costume, representantes dos principais players e distribuidoras estarão disponíveis nas Rodadas de Negócios e encontros pré-agendados.

O diretor francês Olivier Assayas falará sobre seu
processo criativo
Programação gratuita
Dentro da programação haverá uma série de eventos gratuitos, como um encontro entre o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (“Me Chame Pelo seu Nome”) e o cineasta francês Olivier Assayas (“Personal Shopper”), um workshop de roteiro com o autor Carlos Lombardi, seminários sobre games e realidade virtual, entre outras atrações. As inscrições para os eventos gratuitos devem ser feitas previamento no site www.riomarket.com.br.
Nesta segunda, dia 5 de novembro, haverá  o encontro "Realidade Virtual e Realidade Aumentada: O futuro é agora", às 14h. Às 15h30, o destaque vai para o seminário Processo Criativo com Olivier Assayas. O produtor brasileiro Rodrigo Teixeira conversa com o diretor Olivier Assayas sobre seu processo criativo.
Alice Gomes será uma das palestrantes no seminário
"Mulheres no Audiovisual"
Na terça, dia 6, é a vez da Master Class – Literatura brasileira como base para filmes e séries internacionais. A premiada autora e roteirista Sônia Rodrigues, com mais de 30 livros publicados, fala sobre o potencial da literatura brasileira para a adaptação em projetos de série ou filme de alcance internacional.  Uma master class aberta ao público em geral interessado no universo das séries e em literatura brasileira. Às 16h15, entra em cena o Seminário – Mulheres no Audiovisual II – O Olhar, a linguagem e o fazer feminino, com as diretoras e roteiristas Gabriela Amaral, Dominga Sottomayor, Susanna Lira e Alice Gomes.
No dia 8, às 15h30, é a vez do Seminário – Blockchain: Uma revolução no tráfego de conteúdo, com Pedro Souza, da Multiedgers, e Paulo Aragão, da Singular DTV, conversam sobre a tecnologia e suas aplicações no audiovisual e em outros segmentos. 
No dia 9, às 17h, tem o Seminário - Projetos que mudam o mundo com Fernando Grostein e Guilherme Melles (Spray Filmes), Marcos Nisti e Luana Lobo (FlowFilms), que irão vão debater sobre empresas que têm em seu DNA uma visão de futuro do Brasil e do mundo, englobando novas mídias e projetos sociais. Educação via internet e o projeto Quebrando o Tabu estão dentro da linha de ação dessas empresas. 
Para finalizar, no dia 10, às 16 haverá uma imperdível Masterclass de estrutura dramática de séries com Carlos Lombardi. Considerado um dos autores de maior atividade na dramaturgia brasileira, o autor Carlos Lombardi oferecerá uma master class inédita e exclusiva no Rio Market sobre a estrutura narrativa para obras seriadas.
As inscrições e programação completa no site www.riomarket.com.br . A Casa Firjan fica na rua Guilhermina Guinle, 211 - Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Festival do Rio realiza exibições de mais de 200 filmes no Rio e em Niterói

Evento comemora sua 20ª edição com um catálogo diversificado de filmes e nacionalidades. Até 11 de novembro, serão exibidos títulos de aproximadamente 60 países, incluindo novidades de diretores consagrados, além de espaço para debates, workshops e seminários sobre o mercado audiovisual

Por Marcella Vieira*


Um dos maiores eventos de cinema do país, o Festival do Rio dá o pontapé inicial para sua vigésima edição nesta quinta-feira, dia 1º. Até dia 11 de novembro, pouco mais de 200 filmes de cerca de 60 países serão exibidos em diversas salas do Rio de Janeiro e de Niterói para alegria dos apaixonados pela sétima arte. Tradicionalmente realizado em outubro, as dificuldades causadas pela diminuição de patrocínios – o que já provocou mudanças no Festival desde o ano passado, quando passou a não ser mais apoiado pela Prefeitura do Rio, até então sua maior parceira – fez com que o calendário da maratona cinéfila atrasasse.
Apesar de um número menor de títulos (ano passado foram cerca de 250), não faltarão grandes estreias de diretores conhecidos e filmes que passaram com sucesso por festivais internacionais. A começar pela abertura, que ficará a cargo de “As Viúvas”, de Steve McQueen, diretor do 'oscarizado' “12 anos de escravidão”. Protagonizado pela premiadíssima Viola Davis, o filme terá exibição especial no Cine Odeon nesta quinta, a única antes de entrar no circuito normal, no final de novembro. Já o encerramento será com “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, obra que representa o Brasil na tão sonhada vaga de indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Trailer de "As viúvas", filme que será exibido na abertura do Festival do Rio 

E por falar em filmes brasileiros no Oscar, o clássico “Central do Brasil”, que também comemora – pasmem! – 20 anos de lançamento, será exibido em duas sessões especiais, incluindo uma, sábado (03/11), no Estação Botafogo, que contará com as presenças de Fernanda Montenegro (indicada a Melhor Atriz pelo filme em 1999), Vinicius de Oliveira e o diretor Walter Salles. Como parte da mostra Clássicos & Cults, além de “Central...”, outros três clássicos do cinema nacional serão exibidos em cópias restauradas: “Pixote – A Lei do Mais Fraco”, de Hector Babenco, e “Rio 40 Graus” e “Rio Zona Norte”, obras fundamentais e inspiradoras para a geração do Cinema Novo, ambas de Nelson Pereira dos Santos, o grande homenageado do Festival. Falecido em abril deste ano, o cineasta foi o criador do curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1968, e membro da Academia Brasileira de Letras. 

Mostras e diretores consagrados
Sessões de cinema do Festival são disputadas
(foto divulgação)
Além das noites de abertura e encerramento, 10 mostras darão o tom de pluralidade do Festival. A principal delas, "Panorama do Cinema Mundial", é a que traz as maiores estreias e os títulos mais aguardados, quase todos já exibidos em outros festivais nacionais ou internacionais. Filmes de figurões do cinema europeu, como Lars Von Trier e Mike Leigh, nomes consagrados do cinema americano, como Spike Lee, Gus Van Sant, Jason Reitman, Julian Schnabel e Barry Jenkins (de “Moonlight”, vencedor do Oscar 2017), além dos premiados “Assunto de família” e “Em chamas”, vencedores da Palma de Ouro e do prêmio da crítica em Cannes deste ano, respectivamente, “Não me toque”, Urso de Ouro no Festival de Berlim 2018, e “O mau exemplo de Cameron Post”, Grande Prêmio do Júri de Sundance (principal festival do cinema independente) no início do ano.
Mostras já tradicionais do evento, como "Expectativa", "Midnight", "Première Latina" e "Geração", estão garantidas. "Film Doc", "Midnight Docs" e "Itinerários Únicos" também integram o pacote, que tem na Première Brasil uma das maiores vitrines do cinema nacional, algumas das exibições de filmes responsáveis pelas principais sessões de gala do evento.
Serão 84 produções nacionais (ou coproduções), sendo 64 longas e 20 curtas. Desse número, 48 longas estarão na "Première Brasil", enquanto algumas produções nacionais estarão distribuídas em outras mostras como "Expectativa" ("Palace II – 3 quartos com vista para o mar" e "Pedro e Inês", uma coprodução Brasil, Portugal e França), Panorama ("O olho e a faca" e "Cano cerrado") e Midnight Docs ("Amazônia Groove" e "The Cleaners", coprodução Alemanha e Brasil).
A Première Brasil engloba também uma das partes mais aguardadas do evento: as premiações, tanto por parte do público (que escolhe seus preferidos nas categorias ficção, documentário e curta) como por parte do júri oficial – que terá, entre seus integrantes, os cineastas Joel Zito Araújo e Lúcia Murat –, que elege os melhores também nas categorias ficção e documentário.
Outra mostra competitiva dentro da "Première Brasil", que também conta com júri especializado, é a "Novos Rumos". Dedicada às obras de novos diretores com propostas diversificadas de linguagens cinematográficas, ela exibirá sete longas e sete curtas em sua seleção. Os filmes premiados escolhidos pelos júris oficiais receberão prêmios de R$ 200 mil para melhor longa de ficção da "Première Brasil" e R$ 100 mil para melhor longa da mostra "Novos Rumos".

Circuito e exibições em Niterói
Nos últimos anos, o Festival tem escolhido diferentes sedes para suas edições. São os QGs do evento, nos quais diversos profissionais – convidados, imprensa, organizadores e cineastas, entre outros – se encontram e participam de debates, palestras e conferências que movimentam o mercado audiovisual da cidade.  Espaços importantes do cenário carioca como o Centro Cultural da Ação da Cidadania, Armazém da Utopia (ambos na Zona Portuária) e Hotel Nacional já foram sedes em edições anteriores. 
Em 2018, o ponto de encontro do Festival será a Casa Firjan, espaço recém-inaugurado (aberto ao público em agosto deste ano) em Botafogo, bairro que reúne algumas das salas mais tradicionais do evento: Estação Botafogo e Estação Rio, ambas na rua Voluntários da Pátria.
Os outros espaços onde serão exibidos alguns dos principais títulos do Festival também são bastante conhecidos do circuito cinematográfico carioca, todos na Zona Sul: Roxy, em Copacabana, Estação Gávea, Estação Ipanema, São Luiz, no Catete, Instituto Moreira Salles, na Gávea, Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo.
No Centro da cidade, além do Odeon, o Centro Cultural da Justiça Federal, na Cinelândia, receberá sessões especiais e gratuitas de filmes brasileiros da Mostra Geração. Já a Zona Norte conta com um representante solitário: o Ponto Cine, em Guadalupe. 
"D.P.A. - o filme terá exibição gratuita no MAC, em Niterói
Niterói é a única cidade fora do Rio a receber a programação do evento. O Museu de Arte Contemporânea (MAC) receberá sessões ao ar livre nos dias 9 e 10 de novembro, sexta e sábado, às 19h, com as produções nacionais “Altas expectativas” e “Detetives do prédio azul – o filme”. Já o tradicional Cine Arte UFF e a sala 1 do espaço Reserva Cultural de Niterói exibirão diversos filmes das principais mostras.
A programação completa do Festival, com o circuito de exibição e preços de ingressos, pode ser conferida no site oficial do evento. A revista com toda a programação pode ser baixada aqui. 

RioMarket 2018
Em paralelo à exibição de filmes, o RioMarket é tido como a área de negócios do mercado audiovisual do Festival do Rio. A edição de 2018 será na Casa Firjan, de 5 a 10 de novembro. Com uma intensa programação, que reunirá mais de 80 palestrantes, o evento leva ao Rio uma série de seminários, workshops, debates e rodadas de negócios com produtores, players e profissionais da indústria do audiovisual. Algumas atividades são gratuitas, mas as inscrições prévias são necessárias para a maior parte dos painéis. A programação e os valores podem ser consultados em www.riomarket.com.br 

*Marcella Vieira é jornalista e mestre em Mídia e Cotidiano pela UFF.  

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Realidade Virtual Imersiva, nova fronteira do cinema e do olhar

Na mostra "VR: Realidade Virtual", o Festival do Rio exibe gratuitamente curtas com a tecnologia que coloca o espectador dentro do filme

Exibição em VR no Festival Varilux neste ano
Por Cristiana Giustino*

Algumas pessoas já devem ter visto por aí alguém com óculos gigantes se movendo em 360º graus em busca de algo, como se não houvesse nada mais a sua volta. Ledo engano. O sujeito tem algo a sua volta sim, um universo virtual e paralelo. Trata-se de alguém experimentando a sensação da Realidade Virtual Imersiva (ou VR, sigla de virtual reality), seja em um filme, um jogo ou em qualquer outro conteúdo audiovisual com narrativas capazes de se adaptarem a esta nova tecnologia, ainda pouco conhecida entre os brasileiros. Com os óculos de VR, o espectador “entra” na cena do filme, não como um influenciador da narrativa (esse papel, por ora, cabe aos jogos em VR), mas como um voyeur desapercebido.

Em sintonia com os principais festivais do mundo, o Festival do Rio realiza pela primeira vez uma mostra dedicada ao VR, possibilitando que esta nova tecnologia seja experimentada e conhecida pelo público. Entre os dias 12 e 15 de outubro, o Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, abriga a mostra, com uma seleção de experiências únicas de imersão total. São obras de ficção, documentário, animação e jogo em VR que poderão ser experimentadas gratuitamente. Mas prepara-se para eventuais filas, já que estarão disponíveis “apenas” 8 óculos. O “apenas” está entre aspas porque estamos falando de uma tecnologia ainda pouco acessível financeiramente. Cada um dos óculos pode sair por cerca de 600 dólares. Mas uma coisa é certa. Se você conseguir assistir a um dos cinco filmes disponíveis, sua concepção de cinema nunca mais será a mesma.


            A experiência VR em "I, Philip", um dos curtas de ficção 
exibidos no Festival do Rio

A Realidade Virtual Imersiva traz consigo uma série de mudanças na nossa percepção do conteúdo audiovisual. No cinema, o VR expande não só o frame, mas também a narrativa, gerando numerosas possibilidades de se contar uma história. O diretor do filme deixa de ter a primazia sobre o direcionamento do espectador, que agora pode olhar para onde ele quiser, até mesmo para o local onde não esteja ocorrendo nada que afete a história contada. Por outro lado, a sensação de imersão no ambiente da narrativa é mais efetiva, ampliando a capacidade de empatia e aproximação emotiva com o tema desenvolvido, o que ocorre especialmente nos documentários em VR. Além dos óculos, principal instrumento da Realidade Virtual Imersiva, existem outras camadas de imersão que ampliam estas sensações, como o 4D, que utiliza som, cheiros e movimentos da poltrona, em salas que já existem nos EUA e na Holanda. Mesmo estando em uma sala de cinema, a experiência deixa de ser coletiva, passando a ser individual, já que a fruição do conteúdo varia para cada espectador.

Grandes diretores já estão filmando em VR. O mexicano Alejandro Iñárritu lançou este ano no Festival de Cannes “Carne e Areia”, filme sobre imigração. E Spielberg está finalizando “Jogador Número 1”. No Brasil, a tecnologia ainda é muito incipiente.“SteptotheLine”, filme dirigido pelo brasileiro Ricardo Laganaro, da O2 Filmes, foi exibido no Tribeca Film Festival 2017. Outros diretores, como Fernando Meirelles, têm projetos em curso.

No Rio de Janeiro, não é a primeira vez que o temos uma ação da proporção proposta pelo Festival do Rio. Em abril deste ano, o Oi Futuro Flamengo abrigou por mais de um mês “Cartas a Lumière”, obra de Fabiano Mixo. No vídeo imersivo, que tem como cenário a Central do Brasil, o artista visual explora as multidões que passam diariamente por lá. Traça um paralelo entre as reações do público do Grand Café de Paris ao primeiro filme dos Irmãos Lumière, em 1895, e a excitação contemporânea diante da Realidade Virtual. Também este ano, o Festival Varilux de Cinema Francês exibiu oito curtas em VR.

MOSTRA VR NO FESTIVAL DO RIO

PROGRAMA 1 (20 min)
Altération - Ficção | França, 2017 (20 min)
Uma viagem poética para o futuro. Alexandro é voluntário numa experiência de estudo dos sonhos. O que ele não sabe é que sofreria a intrusão de Elsa, uma inteligência artificial que analisa e assimila seu inconsciente para se humanizar.

PROGRAMA 2 (38 min)

<<< Sergeant James - Ficção | França, 2017 (7 min)
É hora de Léo ir dormir, mas ele acredita que há alguma coisa estranha debaixo da cama. Seria apenas a imaginação de um menino ou algo mais sinistro?
+
I, Philip - Ficção | França, 2016 (15 min)
Um engenheiro de robótica revela sua mais nova invenção: Phil, um androide que é uma cópia do autor de ficção científica Philip K. Dick.
+
I Am Rohingya - Documentário | Qatar, 2017 (8 min)
Jamalida adora dança. Ela é uma muçulmana Rohingya que, depois de fugir de Myanmar, país que não a considera cidadã, vive em um campo de refugiados em Bangladesh.
+
Oil In Our Creeks - Documentário | Qatar, 2017 (8 min)
Lessi Phillips tinha 16 anos quando um oleoduto explodiu perto de sua aldeia. Quase dez anos depois, ela nos mostra a devastação ambiental que afetou sua comunidade.
Os programas 1 e 2 estão em cartaz continuamente de 12 a 15 de outubro, das 14h30 às 19h.

GAME
The Last Squad - Um jogo Arkave VR Brasil, 2017 (5 min)
Arkave VR é uma arena de jogos em Realidade Virtual onde as experiências mais imersivas, conectadas e emocionantes podem ser vividas. No jogo The Last Squad você deve defender a última base na Terra da invasão de alienígenas.
O game está em cartaz apenas no dia 14 de outubro, das 14h30 às 19h.
O Centro Cultural da Justiça Federal fica na Av. Rio Branco, 241 – Centro. Entrada gratuita.

*Cristiana Giustino é pesquisadora de conteúdo e analista de projetos culturais

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Première Brasil, vitrine do nosso cinema

O crescimento do número de títulos brasileiros exibidos é diretamente proporcional ao aumento da produção audiovisual nacional

* Por Cristiana Giustino

"Gabriel e a Montanha" (foto divulgação)
O Festival do Rio está em curso e nele, a Première Brasil, mostra exclusivamente dedicada à produção e coprodução de filmes brasileiros. Além dos longas e curtas de ficção e documentário que concorrem ao troféu Redentor, a mostra também exibe filmes Hors Concours (convidados, não competidores) e Retratos (cinebiografias documentais), todos realizados em 2016 ou 2015. Na edição 2017, estão em exibição 75 filmes. E esse número vem crescendo a cada ano. Em 2016 foram exibidas 48 produções, e em 2015, 34 títulos. O número de filmes inscritos na Première Brasil 2017 também é robusto. Foram 250 inscrições, “o maior número que já tivemos”, disse a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago.

Aumento da produção de filmes

Esse fenômeno não se limita à Première Brasil. Os festivais de cinema brasileiros são hoje a principal plataforma de lançamento do cinema nacional e a cada ano exibem mais títulos. Mas como crescem estes números em um contexto de crise? Esse crescimento não vem de hoje. O principal mecanismo responsável pelo aumento da produção audiovisual brasileira chama-se Fundo Setorial do Audiovisual, fundo público de investimento criado em 2006 após anos de demanda dos setores envolvidos, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento articulado de toda a cadeia produtiva da atividade audiovisual no Brasil.
A previsão para 2017 é de um novo recorde de filmes lançados, com destaque para animações
Com a aprovação de Lei 12.485 em 2011 – a chamada Lei das Teles –, o FSA ganhou corpo e é hoje a principal ferramenta de investimento público no audiovisual brasileiro. É um dos fundos federais de melhor execução do país (ainda assim, menos de 70% do valor disponível é efetivamente investido) graças à articulação do setor e de órgãos como a Ancine, e suas reservas chegam a quase R$ 1 bilhão por ano. O investimento é público, porém, com lógica de mercado. O FSA participa das receitas dos filmes nos quais investe até que o valor desta participação seja igual ou maior ao valor investido no projeto.

Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, em lançamento recente
(foto Luana Dias)
O Fundo também participa dos chamados arranjos regionais, parcerias com as esferas estaduais e municipais para realização de chamadas públicas locais, como é o caso dos editais SP Cine, dos antigos editais da RioFilme e dos editais de produção previstos no programa “Niterói: Cidade do Audiovisual", lançado no mês passado. 

Mas nem tudo são flores. Mesmo com o aumento da produção, ainda tímido se comparado a outros países com mecanismos similares, muitos dos filmes realizados têm nos festivais nacionais e internacionais sua única plataforma de exibição. Este fato deve-se ao principal gargalo da cadeia produtiva audiovisual do país: a distribuição. Apesar do FSA também prever mecanismos de fomento para este elo, ainda não foram postas em prática soluções efetivas para que os filmes produzidos alcancem um maior número de espectadores.

O que assistir na Première Brasil

A principal característica da produção nacional é a sua diversidade de gêneros, estilos e temáticas. Criamos uma lista de longas em exibição na Première Brasil que expressa essa diversidade.

Gabriel e a Montanha (ficção), de Fellipe Barbosa
Bio (ficção/documentário), de Carlos Gerbase
Eu, Pecador (documentário), de Nelson Hoineff
Henfil (documentário), de Angela Zoé
Entre irmãs (ficção), de Breno Silveira
<<<Severina (ficção), de Felipe Hirsch (ficção)
Praça Paris (ficção), de Lúcia Murat
Legalize Já! (ficção), de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé

Motorrad (ficção), de Vicente Amorim
Dedo na Ferida (documentário), de Silvio Tendler
Iran (documentário), de Walter Carvalho>>>
Açúcar (ficção), de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
Como é cruel viver assim (ficção), de Júlia Rezende
Berenice Procura (ficção), de Allan Fiterman
SLAM: Voz de Levante (documentário), de Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D'Alva
Animal Cordial (ficção), de Gabriela Amaral Almeida Première
Boas Maneiras (ficção), de Juliana Rojas e Marco Dutra
Pastor Cláudio (documentário), de Beth Formaggini

Confira a programação completa da Première Brasil no site do Festival do Rio.

*Cristiana Giustino é pesquisadora de conteúdo e analista de projetos culturais



sábado, 7 de outubro de 2017

Unidos na paixão pela língua portuguesa

Maria Bethânia, Mia Couto e José Eduardo Agualusa estão em documentário em cartaz no Festival do Rio

Momentos de emoção na estreia do documentário
(fotos Cristiana Giustino/ Jornal Casa da Gente)
Bandeira de Moçambique com a equipe do
filme 
"Karingana wa Karingana": é assim que se começa uma contação de histórias tradicionais em grande parte de Moçambique. "Era uma vez..." A cantora Maria Bethânia, e os escritores Mia Couto (Moçambique) e José Eduardo Agualusa (Angola), ao lado de outros artistas, escritores e intelectuais estão no documentário “Karingana — Licença para contar”, que teve a sua estreia na noite desta sexta-feira, dia 6 de outubro, no Cine Odeon, Festival do Rio, integrando a mostra "Panorama do Cinema Mundial".
Cantora Mingas
O filme, com direção de Monica Monteiro e produção da Cinegroup, mostra a evolução da língua portuguesa, apresentando o desenvolvimento da literatura em Moçambique e Angola, tratando de temas como a importância da literatura na resistência à colonização, conexão com os idiomas nativos e as tradições orais e a influência de escritores brasileiros em Angola e Moçambique. Maria Bethânia leva, pela primeira vez, o seu ensaio poético até Moçambique, no continente africano, lê poesias de diferentes autores da língua portuguesa e canta num show em que divide o palco com os dois escritores.
Público prestigiou o lançamento do documentário
A noite de estreia de "Karingana - licença para contar" contou com a presença de Maria Bethânia, da diretora Monica Monteiro, do escritor José Eduardo Agualusa, e teve a participação especial da cantora moçambicana Mingas (assista ao vídeo).
O filme será exibido neste sábado, dia 7 de outubro, às 19h40 no Reserva Cultural Niterói; no domingo, dia 8, às 13h45, no Roxy 2, e na quarta, dia 11, às 21h20 no Estação NET Ipanema 1. 

 Assista ao teaser de "Karingana - licença para contar":   


                                             


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Festival do Rio, muito mais que cinema

Além de exibir títulos inéditos e reafirmar a consolidação da produção audiovisual brasileira, um dos mais importantes festivais do país oferece debates, workshops, música e a experiência imersiva da Realidade Virtual

Por Cristiana Giustino*
(em colaboração: Luana Dias)

Muita gente tem trocado os cinemas pelo sofá de casa para assistir um filme. Mas o Festival do Rio cumpre com êxito a difícil missão de levar o espectador de volta à sala de cinema. Em sua 19ª edição, traz uma seleção de 250 filmes de mais de 60 países, em 15 mostras espalhadas por 20 locais de exibição, inclusive em Niterói. E vai além disso: oferece seminários, workshops, debates, realidade virtual (VR) e apresentações musicais. Motivos para deixar um pouquinho de lado as telas de TV e os aplicativos de VoD não faltam.

De 5 a 15 de outubro, o público vai poder conferir os novos trabalhos de diretores consagrados e premiados, como Roman Polanski (Based on a True Story), Stephen Frears (Victoria e Abdul), Luca Guadagnio (Me chame pelo seu nome), Richard Linklater (Last Flag Flying), Oliver Stone (As entrevistas de Putin), Woody Allen (Roda Gigante), James Franco (The Disaster Artist), Fatih Akin (Em Pedaços e Tschick), Alexander Payne (Pequena Grande Vida), Hong Sang-soo (A Câmera de Claire), Steven Soderbergh (Roubo em Família), Pedro Pinho (A Fábrica de Nada), Paolo Virzi (The Leisure Seeker), André Téchiné (Anos Dourados), Geremy Jasper (Patti Cake$), Hany Abu-Assad (Depois Daquela Montanha), Joachim Trier (Thelma), Michel Hazanavicius (O Formidável), Brett Morgen (Jane), Mathieu Amalric (Barbara), Alexandra Dean (Bombshell: The Hedy LamarrStory), Ildikó Enyedi (Corpo e Alma - Urso de Ouro na Berlinale 2017), Wang Bing (Senhora Fang  - Melhor Filme em Locarno 2017), Lucrecia Martel (Zama),  Sean Baker (The Florida Project), entre outros.
Em Patti Cake$, adolescente canta suas rimas atrás do balcão de um bar para conseguir pagar os gastos médicos de sua avó e sustentar sua mãe alcoólatra

Muitos dos filmes exibidos no Festival do Rio nem chegam a estrear no Brasil ou ficam restritos aos circuitos de arte. Por isso vale mergulhar na gigantesca programação disponível no site oficial, sobre a qual vamos falar um pouco aqui.

MOSTRAS

Além das mostras tradicionais Panorama do Cinema Mundial, Première Brasil, Première Latina, Expectativa, Mostra Geração, Midnight Movies & Docs, Fronteiras, Meio Ambiente e Itinerários Únicos, a edição 2017 do Festival traz ainda:

- Mostra Foco Itália: exibe recentes produções italianas, como A Ciambra, de Jonas Carpignano (premiado na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2017), Piazza Vittorio, de Abel Ferrara (Veneza 2017) e Uma Família, de Sebastiano Riso (Veneza 2017).
O documentário Piazza Vittorio apresenta a variedade multiétnica e cultural dos imigrantes que frequentam a popular praça romana

- Mostra Midnight Movies apresenta Pornochanchada à Japonesa: filmes adultos produzidos e lançados nos cinemas pelos estúdios Nikkatsu, entre 1971 e 1988.

- Mostra Realidade Virtual (VR): obras de ficção, documentários, animações e jogos em realidade virtual, nova tecnologia que poderá ser experimentada e conhecida gratuitamente pelo público.
Em I, Philip, um engenheiro de robótica apresenta Phil, androide que  é uma cópia do autor de ficção científica Philip K. Dick

- Mostra Clássicos do Queer Britânico: títulos que abordam questões LGBTQ, urgentes no Brasil e no mundo.


Entre Irmãs, novo filme de Breno Silveira, diretor de Gonzaga
(foto divulgação)
SESSÕES COM CONVIDADOS

As sessões de gala acontecem no Odeon, Cinépolis Lagoon, Auditório do BNDES e MAM. São sessões seguidas de conversas do público com realizadores e atores / atrizes dos filmes exibidos. A programação destas sessões está nesta página do Festival.

FESTIVAL DO RIO EM NITERÓI

Niterói recebe, pelo segundo ano consecutivo, a programação do Festival do Rio. A novidade este ano na cidade fica por conta da inclusão do Museu de Arte Contemporânea (MAC) no circuito, com projeções ao ar livre e exibições gratuitas para o público infanto-juvenil.

Além do MAC, a programação acontece no Reserva Cultural (Centro Petrobras de Cinema), onde serão exibidos 94 de filmes de vários países. O ator Nahuel Perez Biscayart, estrela do filme 120 Batimentos Por Minuto, será um dos destaques do evento, no dia 13, às 21h15, no Reserva Cultural. Outro que confirmou presença foi o diretor do filme O Formidável, Michael Hazanavicius, também dia 13, às 19h.

O Formidável, com Louis Garrel no papel principal, 
é inspirado na vida do cineasta Jean-Luc Godard

A programação completa em Niterói você também confere no site www.festivaldorio.com.br

Zélia Duncan é uma das artistas que se apresentará no Rival
(foto divulgação)
CINEMA E MÚSICA

O Festival do Rio programou três dias de cinema e música: Rio, Pipoca e Biscoito acontece no Teatro Rival, Cinelândia. As artistas Alcione e Fabiana Cozza; Leila Maria, Zélia Duncan e Jaques Morelenbaum; Silvia Machete, Rico Ayade, Caio Prado, João Fênix, Filipe Catto e As Chicas se apresentam dias 10, 11 e 12 de outubro, alguns lançando novos projetos, outros reverenciando canções de trilhas de cinema. Ingressos e informações no site do Teatro Rival.

Além da programação no Rival, pelo segundo ano consecutivo, o Festival do Rio e a Orquestra Petrobras Sinfônica se unem para oferecer ao público um encontro entre cinema e música. Nesta edição, o homenageado será Tim Burton, com versões orquestradas de trilhas sonoras de seus filmes – clássicas trilhas compostas em grande parte por Danny Elfman –dia 12 de outubro. Ingressos à venda apenas no Teatro Riachuelo (Rua do Passeio, 38).

RIOMARKET

A área de negócios do Festival do Rio acontece de 09 a 14 de outubro no Hotel Gran Meliá Nacional Rio, em São Conrado, recentemente reformado e reaberto ao público. Novas tecnologias e tendências de mercado estarão em pauta, apresentadas por profissionais brasileiros e estrangeiros. O RioMarket também oferece 21 eventos gratuitos, entre debates, painéis e workshops. Para participar destes eventos é necessário realizar inscrição online na página do RioMarket.


*Cristiana Giustino é pesquisadora de conteúdo e analista de projetos culturais