sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Walter Salles é um dos homenageados no Lisbon & Sintra Film Festival

Além dele, realizadores queridos do público cinéfilo presentes em corpo e filmes no reconhecido festival português


Por Cristiana Giustino*

Parece que foi ontem, mas já se passaram 20 anos do lançamento do aclamado Central do Brasil. Este e mais sete filmes de Walter Salles serão exibidos no Leffest – Lisbon & Sintra Film Festival – que chega a sua 12ª edição. O público poderá rever marcantes títulos do diretor, como Terra Estrangeira (1995), Abril Despedaçado (2001) e Diários de Motocicleta (2004).

O Leffest exibe mais de 160 filmes entre os dias 16 a 25 deste mês, ocupando espaços das cidades de Lisboa e Sintra. Além de mostra competitiva, seleção oficial e retrospectivas, há mostras fotográficas, ciclos de debates e lançamento de livro.

Sessões disputadas

Dentre os títulos que certamente terão sessões concorridas estão Beautiful Boy, com Steve Carell e Timothée Chalamet (de Me Chame Pelo Seu Nome), inspirado no best-seller autobiográfico do jornalista David Sheff, que conta a história do seu filho, viciado em drogas; Roma, de Alfonso Cuáron, vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, em que o realizador mexicano evoca sua infância através da história de uma família da classe média do bairro de Roma, na Cidade do México dos anos 1970.

 Roma, baseado nas lembranças de infância do diretor

Também disputados o drama familiar L'Homme Fidèle, de Louis Garrel, com ele e Lily-Rose Depp (The Dancer); Vox Lux, de Brady Corbet (ator de Melancolia), com Natalie Portman e Jude Law, sobre a trajetória de uma cantora pop sobrevivente de um massacre; Blaze, de Ethan Hawke, filme biográfico sobre o músico country Blaze Foley; o provocativo The House That Jack Built, de Lars von Trier, sobre um serial killer e seus crimes ao longo de 12 anos.

Vox Lux, possível indicado ao Oscar 2019

Da Itália vem dois destaques. O siciliano Luca Guadagnino, diretor do oscarizado Me Chame Pelo Seu Nome, apresenta o remake de Suspiria, clássico filme de terror dos anos 1970 realizado por Dario Argento. Na nova versão temos Tilda Swinton (de Grand Hotel Budapest), Dakota Johnson (da saga Cinquenta Tons) e Chloë Grace Moretz (de Lugares Escuros). A trilha sonora é de Thom Yorke, do Radiohead. Ou seja, o filme tem tudo para virar um novo cult. Do napolitano Paolo Sorrentino vem Silvio e os Outros, ficção sobre um ambicioso jovem cuja meta é mudar-se para Roma e chegar perto de Berlusconi por meio do tráfico de mulheres.

O novo Suspiria, de Guadagnino

Modesta presença brasileira

Não fosse pela homenagem a Walter Salles, a presença do Brasil no Leffest’18 passaria quase desapercebida. O destaque é o novo filme de Júlio Bressane, o surrealista Sedução da Carne, em que Mariana Lima é uma viúva que conversa com o seu papagaio e é observada por uma grande porção de carne crua.

Sedução da Carne: metáfora da árdua realidade da 
agricultura no Brasil

Como reflexo da guinada global ao populismo de direita, acontece o Ciclo temático “Neoliberalismo: A Semente do Populismo e dos Novos Fascismos?”, em que o Brasil também está presente com a exibição do média-metragem Blábláblá (1968), de Andrea Tonacci, que apresenta os momentos de tensão de três pessoas durante a ditadura civil-militar do Brasil: um político, um revolucionário e um cidadão comum.

Há ainda na programação do Leffest’18 três coproduções das quais o Brasil faz parte: As Herdeiras, de Marcelo Martinessi, sobre o drama de um casal de mulheres que se vê subitamente separado em consequência de problemas financeiros; Rojo, de Benjamin Naishtat, thriller sobre o drama de um advogado bem-sucedido na Argentina da década de 1970; e Caminhos Magnetykos, de Edgar Pêra, com a participação de Ney Matogrosso.

As Herdeiras, coprodução de seis países, dentre os quais 
Brasil e Paraguai

Retrospectivas e Homenagens

O Leffest destaca a obra de David Lynch, o icónico realizador norte-americano conhecido por filmes como Mulholland Drive e a série de TV Twin Peaks. Serão exibidos alguns dos seus trabalhos ao longo dos últimos doze anos. Lynch tem um lado fotógrafo – bem, em tese, todo diretor de cinema tem um “lado fotógrafo”, mas poucos o expressam em exposições de quadros únicos – e o Leffest apresenta duas mostras: Small Stories, com suas fotografias, e Psychogenic Fugue, sobre sua obra. Será lançado também o livro Espaço para Sonhar, que Lynch assina com a escritora Kristine McKenna.

Além de Salles e Lynch, também há retrospectivas dedicadas ao britânico Mike Leigh, Paul Schrader, Mario Martone, Darezhan Omirvayev e ao português João Botelho.

*Cristiana Giustino é gestora e produtora cultural



terça-feira, 13 de novembro de 2018

Canto do Rio comemora seus 105 anos

Por Mario Dias
(fotos Marcio Lomba)



Com união, organização e determinação, o Canto do Rio Futebol Clube, sob a direção do presidente Rodney Melo, comemorou no último sábado, dia 10 de novembro, o seu aniversário de 105 anos com um grande baile de Gala. A festa reuniu sócios, convidados, presidentes e comodoros de outros clubes no salão nobre da agremiação.  

Os convidados eram recebidos pela diretoria do clube, liderada pelo presidente Rodney Melo, acompanhado da vice-presidente social Maria Cícera de Araujo da Silva, o vice-presidente financeiro, Ivan Roberto Pereira, o vice-presidente jurídico, Jorge Luiz Machado, o vice de Esportes, Alexandre Afonso Sampaio, o presidente do Conselho, Célio Azevedo Faria, o primeiro secretário, Waldir de Campos Freire, a comissão de sindicância Ney Lopes, Marcelo Pompeu, Arlei Monteiro e Mario Jorge, entre outros.


Fernando Guedes, presidente da Associação de Clubes de Niterói (ACN) e do Clube Português de Niterói, esteve presente no evento e aplaudiu o trabalho realizado pela diretoria do centenário "Cantusca", com investimento em sua modernização. O salão nobre era um dos destaques da noite, com mobiliário novo e decoração elegante, recebendo mais de 400 pessoas com conforto e muita animação.Também marcaram presença na festa o comodoro do Jurujuba Iate Clube, Sergio Daltro, ao lado de seu vice, Halisson Brasil, acompanhados de suas espostas; o presidente do Clube Central, Elder Muniz, com sua primeira dama e diretoria; do Praia Clube São Francisco; do Humaitá Atlético Clube; do Iate Clube Icaraí; do Clube Português de Niterói, entre outros.


A Orquestra Tupy abriu a noite, levando centenas de pessoas a dançarem e cantarem durante horas. Em seguida, foi a vez de um dos grandes momentos da noite: o "parabéns", com toda a diretoria reunida ao redor de uma bela mesa de aniversário, foi puxado pela grande surpresa da noite: o cantor Marco Vivan, que completou o clima de alegria no salão do Cantusca. Ele cantou vários sucessos, levando o público ao delírio. A festa teve também coquetel com open bar.

O clube se prepara agora para o próximo grande evento neste mês de aniversário: a tradicional feijoada, que irá acontecer na quarta, a partir das 13h, com show da banda Alto Astral.

Confira a cobertura fotográfica completa do baile de 105 anos do Canto do Rio, realizada pelas lentes do fotógrafo Marcio Lomba, no facebook do Jornal Casa da Gente.

domingo, 11 de novembro de 2018

Tragédia no Morro da Boa Esperança: sobe para 15 o número de mortos

Ao todo, 22 famílias foram afetadas pelo acidente; e agora, com a morte do menino Arthur, de apenas 3 anos, sobe para 15 o número de vítimas fatais. Prefeito Rodrigo Neves decretou luto de três dias na cidade, e promete auxílio às famílias atingidas

Por Luana Dias


Atualizado em 10/11/2018, às  18h20 


O trabalho de resgate no local foi intenso (foto reprodução/TV Globo)
A cidade de Niterói segue acompanhando os desdobramentos da tragédia ocorrida nas primeiras horas da manhã de sábado (10/11) quando 17 casas foram atingidas/interditadas e 22 famílias foram afetadas em decorrência de um deslizamento de rocha e terra, ocorrido de um maciço que se rompeu, no Morro da Boa Esperança, em Piratininga, em Niterói. 
Os trabalhos de resgate foram finalizados por volta das 6h da manhã deste domingo (11), quando foi retirado o corpo da última vítima fatal. Até o período da manhã, haviam sido confirmadas 14 mortes (confira a lista dos nomes), e 11 pessoas resgatadas com vida. O menino Arthur Caetano de Carvalho, de apenas 3 anos, que teve trauma de tórax, e era um dos casos mais graves, veio a falecer no final desta tarde de domingo, no Hospital Estadual Azevedo Lima, totalizando 15 mortes. Arthur havia comemorado com sua família na noite anterior o seu aniversário. A sua irmã mais nova, Nicole, de apenas 10 meses, já era uma das vítimas da tragédia. 


O prefeito Rodrigo Neves concedeu coletiva na manhã deste
domingo (foto Luana Dias)
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), convocou uma coletiva de imprensa, no final da manhã deste domingo (10), no Centro Integrado de Segurança Pública de Niterói, que fica em Piratininga, próximo ao local do incidente. O prefeito estava acompanhado da primeira-dama, e dos representantes dos principais órgãos municipais e estaduais envolvidos na operação. 

Na ocasião, o prefeito destacou o trabalho em conjunto de mais de 200 servidores públicos, que se reuniram também à voluntários, para a megaoperação de resgate. Rodrigo Neves decretou luto oficial de 3 dias (a iniciar neste domingo, dia 11) no município. O prefeito também prometeu prestar assistência às famílias atingidas:
"Além da assistência emergencial, com apoio psicológico, suporte na realização dos enterros, que irão ocorrer no Cemitério do Maruí, nós vamos entregar unidades habitacionais às 22 famílias que tiveram suas casas destruídas ou interditadas, e que se encontram em alto risco após este deslizamento. Estas casas já estavam sendo construídas através de um programa de residências sociais da Prefeitura, e com previsão de entrega das chaves no dia 20 de dezembro. Vamos incluir estas famílias entre os beneficiados", afirmou.
Até lá, o prefeito disse que as famílias atingidas serão cadastradas no benefício do "Aluguel Social"; os dados foram encaminhados em regime de urgência para a Câmara de Vereadores de Niterói, para que se acelere o processo de liberação.

"O rompimento do maciço era imprevisível"

Ainda segundo o Prefeito Rodrigo Neves, o rompimento do maciço, que ocasionou o deslizamento no morro da Boa Esperança, era imprevisível. 

"Com base nos dados técnicos dos órgãos competentes, não havia contenção de encosta a ser feita, o que tínhamos era um maciço, num local bem no alto da comunidade, uma grande montanha de pedra coberta por mata, então o que houve foi o deslocamento deste maciço, com milhares de toneladas, e que infelizmente caiu nessas casas. Nós trabalhamos em cima de um inventário que foi realizado em 2012, e que foi inclusive usado de base para implantação das sirenes da Defesa Civil, em diversos locais da cidade, nos anos de 2013 e 2014. A comunidade da Boa Esperança não tinha este sistema implantado, exatamente porque não aparecia neste levantamento realizado. Nenhum órgão havia identificado esta área como de alto risco" afirmou o prefeito.

A fala do prefeito foi complementada pelo presidente do Departamento de Recursos Minerais (DRM), Wilson Giozza, que também estava presente na coletiva de imprensa:

"Este acidente aconteceu numa área de baixa previsibilidade, e não tínhamos nenhum estudo identificando esta área como de alto risco. O único estudo que fizemos foi em 2012, para localização das sirenes, onde foram identificadas 42 áreas, não incluído o Morro da Boa Esperança. Estamos trabalhando em conjunto com a Prefeitura e Defesa Civil para atualizar este estudo de 2012, e analisar a situação geral na cidade", afirmou Giozza.


Wallace Medeiros, secretário de Defesa Civil
(foto Luana Dias)
Porém, de acordo com um documento apresentado por familiares de uma das vítimas, em Maio de 2010, a Defesa Civil de Niterói havia emitido um laudo assinado por Marcio Romano Corrêa Custódio, na ocasião identificado como subsecretário da Defesa Civil, informando que após um episódio de chuva, a residência da família no local tinha um perigo eminente de deslizamento, indicando interdição do mesmo. 
Naquela ocasião, teria acontecido já um primeiro deslizamento, porém sem vítimas, e por isso houve a vinda da Defesa Civil no local.  
A respeito deste documento, o secretário da Defesa Civil de Niterói, Wallace Medeiros, disse que os deslizamentos monitorados pela Defesa Civil são basicamente co-relacionados a chuvas fortes, e os laudos são provisórios, e normalmente emitidos em situação de baixo risco.
"Independente do sistema de sirenes, durante episódios de chuva forte, a Defesa Civil vai aos locais para avaliar e, se necessário, promover a evacuação da área. É algo provisório, pela precariedade do local. Desta vez, o volume de chuvas não justificaria a evacuação naquela área; por isso, confirmo o que o DRM e o prefeito diz, que não era previsível que acontecesse esta tragédia", informou Wallace Medeiros.

Foi anunciado também que a Prefeitura, em parceria com o DRM irá realizar um novo estudo para atualizar estes dados. O prefeito agradeceu também a visita ainda ontem ao local do governador eleito Wilson Witzel, e disse que irá solicitar ao Governo do Estado, assim que ele assumir em 2019, a instalação de novas sirenes da Defesa Civil, incluindo três pontos na Região Oceânica da Cidade, o Morro do Bonsucesso, Caniçal e na Boa Esperança. 
  
Solidariedade: mais de 7 toneladas de suprimentos foram recebidos em menos de 24h


Na Escola Municipal Portugal Neves, toneladas de suprimentos foram doados
(fotos Luana Dias)
Logo após o anúncio do incidente, foi realizada uma grande mobilização via veículos de comunicação e redes sociais, convocando a população a realizar doações de alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal, roupas, água, colchonetes, tendo como ponto de coleta a Escola Municipal Portugal Neves, que fica há alguns metros de onde ocorreu o incidente. Em menos de 24h, mais de 7 toneladas de mantimentos, e em sua fala, o prefeito agradeceu a mobilização dos niteroienses, e afirmou que já se tem todas as condições de atender às famílias e aos voluntários, não havendo, portanto mais necessidade de receber novas doações. 
No local, ainda na tarde deste domingo, uma enorme fila de carros e de pessoas seguiam em direção ao local para levar as suas doações, que eram recebidas, catalogadas e separadas por centenas de voluntários. 
Além disso, mais de 40 assistentes sociais e psicólogos realizaram o apoio emergencial aos familiares e parentes das vítimas e feridos, no próprio local.

Familiares choram a dor da perda
Alan e Amanda: casal morreu no incidente
Na comunidade da Boa Esperança, o clima é de tristeza, luto e consternação. Com olhos inchados, e bastante abalada, Marilene da Silva, de 55 anos, era amparada pelos familiares. A frágil e franzina dona de casa perdeu no incidente o filho Alan Ferreira Teles, de 29 anos, e a sua nora, a jovem Amanda Tomaz da Silva, 30 anos. 



A tristeza de dona Marilene, mãe de Alan
(foto Luana Dias)

Marilene conta que Alan era seu filho mais velho - ela é também mãe de Tainá, 22 anos, Thaís, de 20 anos, e Amanda, de 18 anos. Para viver, ele era "salgadeiro": trabalhava numa fábrica de salgadinhos, e sonhava, ao lado de sua esposa Amanda - que cursava Psicologia na Faculdade Anhanguera - com uma vida melhor. 
"Nós sabíamos que aquela era uma área de risco. Agora, já não há mais o que fazer. Não tenho nem palavras para externar a minha dor", afirmou.

Das 15 pessoas vítimas fatais deste incidente, 7 pertenciam a mesma família: eram os "Martins". Géssica, de 15 anos, Maria Aparecida, 19 anos, Claudiomar, 37 anos, Janete, 53 anos, Marcos, 9 anos, Maria do Carmo, 80 anos, e Beatriz, 18 anos estão sendo velados, e serão enterrados ainda no final da tarde de hoje no Cemitério Maruí, no Barreto, em Niterói.
  

Deslizamento no Morro da Boa Esperança: lista confirmada de vítimas fatais

Em coletiva de imprensa realizada hoje, no Centro Integrado de Segurança Pública de Niterói, em Piratininga, a Prefeitura de Niterói divulgou a lista de vítimas fatais do deslizamento de terra ocorrido nas primeiras horas da manhã de sábado, dia 10. Segue a lista:

Maria Madalena Linhares de Resende, 54 anos
Kaique da Silva Resende, 1 ano e 2 meses
Dalvina Marins, 56 anos
Nicole Caetano Carvalho, 10 meses
Alan Ferreira Teles, 29 anos
Amanda Tomaz da Silva, 30 anos
Gessica Martins Firmino, 15 anos
Maria Aparecida Martins Viana, 19 anos
Claudiomar Dias Martins, 37 anos
Janete Martins Ferreira, 53 anos
Marcos Antony Martins Aguiar, 9 anos
Maria do Carmo, 80 anos
Beatriz Martins Pereira, 18 anos
Marta Pereira Romero, 61 anos


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Zuza Homem de Mello numa homenagem ao jazz e à música brasileira

Documentário de Janaina Dalri, 'Zuza Homem de Jazz' teve estreia com sessão de gala no Festival do Rio. O filme refaz andanças e recordações do crítico, jornalista, radialista e musicólogo pelo Brasil e pelos clubes de Nova York, onde viu apresentações de alguns dos maiores nomes do gênero musical  

Marcella Vieira*

Um ode à música e à paixão pelo jazz. É o que fica explícito em cada cena, cada depoimento, entrevista, caminhada, conversa, encontro e lembrança de Zuza Homem de Mello neste documentário dirigido por Janaina Dalri e produzido pela Cine Group. Musicólogo, crítico, jornalista, radialista, Zuza fala sobre seu amor pela música, encontra amigos no Brasil e nos Estados Unidos que compartilham com ele seu amor não só ao jazz, mas também à música brasileira, especialmente o samba e a Bossa Nova. "Zuza Homem de Jazz" teve sessão de gala na segunda-feira (5/11), no Estação Gávea, como parte da programação da Première Brasil do Festival do Rio. Na exibição, o protagonista foi convidado especial e recebeu muitos aplausos antes e depois do filme. 
A importância da dança, o ritmo, o jazz como resistência são alguns dos assuntos que transbordam na tela, entre notas e álbuns, entre várias recordações. O documentário acompanha um período recente da vida de Zuza nos dois países. Lá, ele visita antigas casas de shows que frequentava na Nova York dos anos 1950, quando estudava na prestigiada Juilliard School of Music, e encontra amigos de muitas décadas (músicos, críticos, jornalistas). Aqui, um pouco de sua rotina no programa semanal Playlist do Zuza - que ele comanda desde 2017 na Rádio USP -, além de conversas com amigos e, principalmente, lembranças, muitas lembranças. 
As mais interessantes - e com excelentes imagens de arquivo - são as do São Paulo - Montreux Jazz Festival, em 1978. É de cair o queixo a quantidade de grandes artistas do gênero que vieram ao Brasil participar do evento, um sucesso na época que deu origem ao Free Jazz Festival e depois ao TIM Festival. Todos com a curadoria de Zuza. No vídeo e nas lembranças, as participações de Dizzy Gillespie, Taj Mahal, Egberto Gismonti, Al Jarreau, Benny Carter, George Duke, Etta James, entre outros grandes nomes. E Hermeto Paschoal chamando Stan Getz ao palco é impagável!  

A alegria de Zuza e seu amor genuíno por cada história contada e por cada memória afetiva despertada em suas conversas, lembranças e passagens transbordam emoção na tela. É um filme feito de conversas entre velhos amigos, entre boas histórias e entre muitos acordes. O filme segue à risca os preceitos de um documentário do tipo (que são especialmente feitos para o formato TV): encontro, depoimento, entrevista, imagem de arquivo, encontro, conversa, depoimento, entrevista... e por aí vai. Não é demérito. As histórias são suficientemente fortes pra fazer valer a pena. Se há uma nota a ser observada, porém, é o fato de que, em alguns momentos, parece que a direção fica a cargo do próprio Zuza. É ele o guia e não a diretora. Também não é demérito. É o que se espera do filme. Fica apenas muito perceptível.          
"Zuza Homem de Jazz" é um filme que respira música, que respira jazz. Por isso mesmo, é fortemente indicado para todos aqueles que também amam música. Mas mesmo aqueles que não amam (ou que acham que não) podem assistir sem receio: tudo fica mais fácil com a vivacidade de uma das maiores referências de conhecimento musical que o Brasil já teve.  
Para assistir ao trailer do filme, clique aqui
      
*Marcella Vieira, jornalista, está na cobertura do @Festival do Rio pelo Jornal Casa da Gente.     

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Sebrae e Prefeitura realizam Maratona de Palestras para empresários de Niterói

Evento acontece na Casa do Empreendedor durante o mês de aniversário da cidade e tem inscrições gratuitas
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, visitou nesta semana a Casa do Empreendedor, no Centro da cidade,  para comemorar o resultado obtido pelo local que já cadastrou mais de dois mil microempreendedores apenas este ano. Desde a inauguração, em 2016, já são 9.700 formalizados e, até o final de dezembro, a meta é chegar a 10 mil. O prefeito aproveitou para consolidar a parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para que os microempreendedores formalizados na Casa do Empreendedor possam participar de uma maratona de palestras com o objetivo de ajudar os novos empresários a tocarem o seu negócio com sucesso, dando dicas e orientações de administração.
A maratona acontecerá na sede do Sebrae (Rua Andrade Neves 31 – Centro), e incluirá, entre outras coisas, gestão financeira para pequenos negócios, acesso a crédito e serviços financeiros, captação de recursos e rodada de negócios. Os encontros acontecem das 10h às 12h, na Casa do Empreendedor, que fica na rua General Andrade Neves, 31, no Centro de Niterói. Confira a programação:


Quarta, 7/11 - Gestão financeira e formação de preço para Produtor Rural
Sexta,  9/11 -  Renegociação de dívida
Terça, 13/11 - Captação de recursos
Segunda, 26/11 - Garantias/FAMPE
Terça, 27/11 - Microcrédito Consciente
Quarta, 28/11 - Novas Tecnologias aplicadas à Indústria 4.0 (às 9h) e Rodada de crédito (a partir das 10h)
Quinta, 29/11 - Finanças pessoais

As inscrições acontecem pelo telefone 0800 570 0800 ou pelo formulário eletrônico disponível AQUI

Baseado em uma história real dos anos 1970, 'Infiltrado na Klan' é um Spike Lee necessário e assustadoramente atual


Dobradinha do diretor com o produtor Jordan Peele estreia no Brasil dia 22 de novembro e tem sessões programadas para o Festival do Rio, incluindo em Niterói. Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes, filme renova a carreira de Lee e pode ser forte candidato na corrida ao Oscar

Marcella Vieira*

De documentários a curtas, de clipes musicais e séries de TV, além, é claro, dos filmes. Muitos filmes. Spike Lee é, definitivamente, um diretor prolífico. E tudo isso combinado à já tradicionalíssima presença que ele sempre marca nos jogos de seu amado time de basquete de Nova York, os Knicks (em 2016, ele estava lá, torcendo no Madison Square Garden, em plena noite do... Oscar). E nessa potente carreira que já ultrapassa três décadas, é natural a existência de altos e baixos, de momentos de maior ou menor reconhecimento. Com “Infiltrado na Klan”, filme que ganhou o prestigiado Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, Lee mostra mais um de seus talentos: a capacidade de reinvenção. Nesse caso, ele conseguiu um auxílio luxuoso ao se unir com o badalado ator, diretor e roteirista Jordan Peele, do sucesso de 2017 “Corra!”. Peele é um dos produtores de “Infiltrado...” (cujo ótimo título original é “BlacKkKlansman”), o que é um empurrão mais do que bem-vindo à carreira de Spike Lee para as novas gerações. Não à toa, sua carreira ganha uma interessante retrospectiva em mostras simultâneas que ocorrerão nos Centros Culturais Banco do Brasil de Rio, São Paulo e Brasília, nos meses de novembro e dezembro. 
 Com uma pegada vintage, um turbilhão de referências, baitas homenagens a personagens e ativistas negros, incrível trilha sonora e cenas repletas de ritmo, o filme não decepciona e mantém uma conexão muito especial com o público, seja ele formado por fãs do diretor ou por uma nova geração que talvez sequer o conhecesse. É um filme pop por excelência, das roupas às músicas, passando pelas boas (sempre contundentes, nunca exageradas ou fora de hora) piadas. Quando citamos essas características, a impressão é de um filme de tema leve e banal. Ao contrário, o que dá sustentação a tudo isso não tem qualquer leveza: é a história real, ocorrida no final de década de 1970, do policial negro Ron Stallworth– o primeiro a ingressar no Departamento de Polícia da cidade de Colorado Springs, no estado do Colorado – que se infiltrou na filial do grupo racista KuKluxKlan em sua cidade.
O trabalho de investigação foi feito em parceria com o colega FlipZimmerman, policial branco que se passava por Stallworth nas reuniões do grupo. E é essa parceria que garante momentos excelentes, ora engraçados, ora tensos, nas relações que os dois estabelecem com a KKK. Os absurdos e preconceitos horrendos que ambos ouvem e presenciam (Zimmerman, que é judeu, é obrigado a ouvir barbaridades antissemitas quando está na companhia dos membros da organização) em nome da investigação são de embrulhar estômagos. Mas eles persistem em prol de uma ação maior, que consegue, inclusive, deter ações de violência que vinham sendo planejadas pelo grupo. Em meio a tudo isso, Stallworth ainda equilibra um início de relacionamento com Patrice, uma jovem ativista do movimento negro estudantil.
 O trio principal de atores carrega seus papeis com uma vivacidade bonita. Eles são claramente bem dirigidos e sabem dar nuances a seus personagens. John David Washington (da série “Ballers”) empresta de tudo a seu Ron Stallworth: carisma, leveza, esperteza, ousadia, insegurança. Adam Driver – o KyloRen nos novos filmes da saga Star Wars, ator hipster que virou galã improvável com a série “Girls” e que vem acumulando trabalhos com grandes diretores como Scorsese e Steven Soderbergh – também carrega bem o misto de desconforto e ojeriza que a investigação causa em seu personagem com um sentimento crescente de parceria (apesar de alguns estranhamentos) em relação a seu colega. Laura Harrier, que despontou no cinema com “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, dá vida a uma Patrice sempre desconfiada de Ron, sempre alerta em relação às brutalidades da polícia com os negros e lealmente apegada aos ideais do movimento estudantil do qual fazia parte.
 Os coadjuvantes do filme, incluindo os membros da KKK e os demais colegas de Departamento de Polícia de Ron e Flip, compõem muito bem a loucura que parecia ser a investigação. Um dos policiais, o engraçado Jimmy Creek, é interpretado por Michael Buscemi, irmão de Steve Buscemi. No outro polo, o ator Paul Walter Hauser mostra que vem se especializando em fazer o estilo whitetrash (ele já havia roubado a cena com um tipo parecido em “Eu, Tonya”). E é com a ajuda desses personagens secundários que entram diálogos muito bem afiados com aquela que parece a clara proposta do filme: atualizar uma história que tem quase 40 anos. Em um desses diálogos, o sargento Trapp, chefe direto dos dois policiais, conversa com Ron sobre as grandes possibilidades de um futuro presidente dos EUA corroborar as barbaridades defendidas pela KuKluxKlan, mas de um jeito mais palatável para o grande público americano. A política sendo usada para vender ódio. Stallworth não acredita e seu chefe devolve: “Para um negro, você é muito ingênuo”. Nem é preciso dizer que Trapp adivinhou em cheio. A propósito, numa das casas onde se dava um encontro de integrantes da Klan, uma foto da campanha de Ronald Reagan (presidente Republicano dos Estados Unidos de 1981 a 1989) estampava a parede. 

Assista ao trailer de Infriltrado na Klan

E é essa a mira de Spike Lee o tempo todo no filme: fazer com que, muito tristemente e muito desconfortavelmente, transportemos vários daqueles discursos para os dias de hoje, para os políticos (em altíssimos cargos, diga-se de passagem) de hoje, para o ódio que permeia as relações políticas de hoje – e de tantos outros tempos. Nessa trajetória da improvável história do policial infiltrado, o diretor mostra seus tons de ativismo (algo que tanto tentam criminalizar lá e aqui), incomoda e emociona em vários momentos. O depoimento de um personagem fictício interpretado pelo grande Harry Belafonte; a exibição de “O nascimento de uma nação”, filme do início do século XX cultuado por racistas norte-americanos, em uma cerimônia da KKK; a câmera quase colada nos rostos dos atores numa bela homenagem aos filmes da Blaxploitationsão alguns dos muitos exemplos do misto de sentimentos que o diretor consegue causar na plateia ao longo do filme. Os links ficam completos com as cenas finais do filme: assustadoramente reais e recentes, muito recentes.
 Um dos tantos personagens da Klan que causa profundo incômodo é David Duke, ex-líder (real) da organização racista, negador do Holocausto e figura (ainda) proeminente entre os supremacistas brancos dos EUA. Sua fala lenta e supostamente mansa é carregada de ódio e preconceito. E assim ele carrega uma legião de seguidores, como o casal Kendrickson, que reúne a dona de casa supostamente simpática e inofensiva ao sujeito paranoico e misógino, ambos racistas até os últimos fios de cabelo.
 Aliás, se o nome de David Duke está soando familiar para o leitor, há razões bastante atualizadas: ele foi uma das vozes da marcha de supremacistas em Charlotsville, em 2017. E há poucas semanas, durante o período eleitoral, seu nome esteve em voga em diversos veículos de imprensa do Brasil por ele ter elogiado, em seu programa de rádio, um dos então candidatos à Presidência. Em suas declarações, Duke afirmara que o político “soa como nós” e é “um nacionalista”. Não é difícil adivinhar de quem ele falava.

"Infiltrado na Klan" está previsto para estrear no Brasil dia 22 de novembro, com distribuição da Universal Pictures. Antes, o filme tem mais três exibições no Festival do Rio, incluindo uma em Niterói. Confira os dias, horários e locais:
 7/11 (quarta-feira) – 18h30 – Reserva Cultural Niterói (sala 1)
9/11 (sexta-feira) – 16h – Estação NET Ipanema (sala 2)
10/11 (sábado) – 18h40 –Kinoplex São Luiz (sala 2)

*Marcella Vieira, jornalista, está na cobertura do @Festival do Rio pelo Jornal Casa da Gente.  


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Em tempos de #MeToo e Time’sUp, 'Be Natural' conta (finalmente!) a história da mulher que foi pioneira do cinema


Apagado dos registros da história cinematográfica, o nome de Alice Guy-Blaché, contemporânea dos irmãos Lumiére, volta à luz por meio de bom documentário produzido e narrado por Jodie Foster

por Marcella Vieira*

Não é sempre que vemos um filme que tem como produtores executivos Jodie Foster, Robert Redford e Hugh Hefner (sim, o criador da Playboy). A explicação parece simples: esses e tantos outros grandes nomes têm em comum a paixão pelo cinema.
E foi para evitar um dos maiores apagamentos da história do cinema que eles se uniram (financeiramente ou com outros tipos de apoio, como depoimentos) para viabilizar o documentário "Be natural: a história não contada da primeira cineasta do mundo". Nascida em 1873, a francesa Alice Guy-Blaché foi uma pioneira não apenas para as mulheres no cinema, mas para o cinema em geral, com suas técnicas de uso da câmera, na sincronização de sons, na colorização, na comédia. Enfim, em tantos aspectos que definiram a forma de se fazer a sétima arte.
Ela foi contemporânea – e frequentadora dos mesmos círculos, ainda no século XIX – dos irmãos Auguste e Louis Lumière, de Georges Méliès e de Thomas Edison. Os homens citados, todos inegavelmente geniais, receberam muitos créditos por suas contribuições e invenções. Alice, que subverteu todos os papéis esperados de uma mulher daquela (e de tantas outras) época recebeu o quê? Ostracismo, dívidas, nenhuma notoriedade, crédito algum.
Muitos de seus filmes (e foram mais de mil!) simplesmente foram perdidos e não deixaram qualquer registro. E aí entra o excelente faro investigativo – uma das mais características mais bonitas e necessárias do gênero documentário – da diretora e pesquisadora Pamela B. Green, que sai em busca de rastros, vestígios e descendentes de Alice. Pequeno spoiler: ela encontra até a tataraneta da cineasta.
Green também entrevista diversos professores, acadêmicos, historiadores. E o principal: muitos atores e diretores, nomes importantes de Hollywood, que admitem nunca terem ouvido falar de Alice Guy-Blaché. De Peter Bogdanovich a AgnèsVarda, passando por Patty Jenkins e Peter Farrelly. Geena Davis, a atriz que advoga incansavelmente pela equidade de gêneros na indústria com seu InstituteonGender in Media, também dá seu depoimento.
Em um belo registro de amor ao cinema, Green recorre a colecionadores e à Biblioteca do Congresso Americano, onde algumas das obras de Alice ainda se encontram. E é assim, de documentos em documentos, de restos e sobras, que ela vai montando a colcha de retalhos que vai trazendo a cineasta francesa de volta à superfície.
O filme passou por Cannes 2018, pelo Festival de Londres e vem tendo exibições especiais nos Estados Unidos, sobretudo em painéis e eventos ligados à presença feminina na(s) indústria(s). Mas, em pleno ciclo dos (essenciais) movimentos #MeToo e Time’sUp, ainda parece muito pouco. O filme só pôde ser iniciado por causa de uma ação de financiamento online, mas teve dificuldades para ser concluído. As figuras famosas que aderiram ao projeto (Jodie Foster é, além de produtora, a narradora oficial do documentário) certamente deram um bom empurrão. Martin Scorsese, empenhado desde a década de 1990 na preservação da história do cinema com sua The Film Foundation, também é um que ganha agradecimentos especiais. Mas nada disso parece o suficiente para que o filme tenha um percurso sólido nos circuitos de cinema tradicionais. 
O apagamento de mulheres da história é, infelizmente, um projeto bem-sucedido de um mundo marcado pela brutal desigualdade de gêneros. "Be Natural" é uma pontinha, uma fagulha que, num momento tão crucial, tenta subverter essas regras. Que o nome de Alice Guy-Blaché seja falado em alto e bom som, com o título que ela merece: a de primeira cineasta do mundo!
O filme teve três sessões no Festival do Rio: dias 3, 4 e 5 de novembro.

*Marcella Vieira, jornalista, está na cobertura do Festival do Rio pelo Jornal Casa da Gente.  

RioMarket: área do Festival do Rio voltada ao mercado do audiovisual tem programação variada

Por Luana Dias

Seminários, workshops com profissionais renomados, rodadas de negócios e debates acontecem na Casa Firjan, em Botafogo                                         

Até o dia 10 de novembro a Casa Firjan, em Botafogo, vai abrigar a edição 2018 do RioMarket – área do Festival do Rio dedicada ao mercado audiovisual. Diretores, produtores, criadores, técnicos e outros profissionais da indústria debatem temas como: inovação, algorítimos e data science, realidade virtual, blockchain, VOD, influencers, branded content, modelos e oportunidades de negócios, cases de sucesso, financiamento, coproduções internacionais, entre outros.A programação conta com uma série de workshops, palestras, seminários, debates e rodadas de negócios com alguns dos profissionais mais renomados do setor. As inscrições para o evento podem ser feitas no site www.riomarket.com.br.

O RioMarket tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da indústria audiovisual, promovendo a troca de conhecimentos, proporcionando novas oportunidades de negócios e capacitação para profissionais do mercado. As discussões abrangem os nichos de cinema, televisão e séries, publicidade, games e influenciadores digitais. Além da programação paga, o evento conta também com uma série de atividades gratuitas. 
Temas atuais e diversos sobre o momento do mercado serão debatidos nos Seminários (Rio Seminars). Executivos das principais distribuidoras e exibidores estão presentes fazendo juntos uma profunda avaliação do setor em 2018, apresentando suas perspectivas para 2019 e propondo soluções. Nos painéis sobre Cinema, serão tratados assuntos como modelos de financiamento do desenvolvimento à comercialização, coprodução internacional, ocupação das salas, capacitação, entre outros. O nicho das séries também contará com painéis que discutirão a realidade do cenário atual e as tendências do mercado. Estratégias de lançamento, modelos de negócios de séries de ficção e não-ficção, transmídia ebrandedcontent serão explorados à luz de cases de sucesso apresentados por profissionais de todas as áreas envolvidas.
A Realidade Virtual volta à pauta do RioMarket em 2018 sob a ótica de criadores, produtores e distribuidores, que vão abordar a tecnologia e as particularidades do segmento. A utilização de influenciadores digitais em projetos audiovisuais também será um assunto bastante explorado, através da apresentação de cases.
A novidade da edição 2018 é a série de encontros denominada "ThinkTank", organizados no âmbito das Round Tables, que tem como objetivo discutir soluções para maximizar lançamentos e reverter a baixa ocupação das salas de cinema. Representantes dos departamentos de marketing e de programação de distribuidoras e exibidores estarão reunidos para debater o assunto e encontrar soluções em uma ação colaborativa e inédita. Um segundo encontro entre executivos das distribuidoras e das mídias tratará de “Soluções para maximizar os lançamentos através de mídias parceiras”.
Como de costume, representantes dos principais players e distribuidoras estarão disponíveis nas Rodadas de Negócios e encontros pré-agendados.

O diretor francês Olivier Assayas falará sobre seu
processo criativo
Programação gratuita
Dentro da programação haverá uma série de eventos gratuitos, como um encontro entre o produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (“Me Chame Pelo seu Nome”) e o cineasta francês Olivier Assayas (“Personal Shopper”), um workshop de roteiro com o autor Carlos Lombardi, seminários sobre games e realidade virtual, entre outras atrações. As inscrições para os eventos gratuitos devem ser feitas previamento no site www.riomarket.com.br.
Nesta segunda, dia 5 de novembro, haverá  o encontro "Realidade Virtual e Realidade Aumentada: O futuro é agora", às 14h. Às 15h30, o destaque vai para o seminário Processo Criativo com Olivier Assayas. O produtor brasileiro Rodrigo Teixeira conversa com o diretor Olivier Assayas sobre seu processo criativo.
Alice Gomes será uma das palestrantes no seminário
"Mulheres no Audiovisual"
Na terça, dia 6, é a vez da Master Class – Literatura brasileira como base para filmes e séries internacionais. A premiada autora e roteirista Sônia Rodrigues, com mais de 30 livros publicados, fala sobre o potencial da literatura brasileira para a adaptação em projetos de série ou filme de alcance internacional.  Uma master class aberta ao público em geral interessado no universo das séries e em literatura brasileira. Às 16h15, entra em cena o Seminário – Mulheres no Audiovisual II – O Olhar, a linguagem e o fazer feminino, com as diretoras e roteiristas Gabriela Amaral, Dominga Sottomayor, Susanna Lira e Alice Gomes.
No dia 8, às 15h30, é a vez do Seminário – Blockchain: Uma revolução no tráfego de conteúdo, com Pedro Souza, da Multiedgers, e Paulo Aragão, da Singular DTV, conversam sobre a tecnologia e suas aplicações no audiovisual e em outros segmentos. 
No dia 9, às 17h, tem o Seminário - Projetos que mudam o mundo com Fernando Grostein e Guilherme Melles (Spray Filmes), Marcos Nisti e Luana Lobo (FlowFilms), que irão vão debater sobre empresas que têm em seu DNA uma visão de futuro do Brasil e do mundo, englobando novas mídias e projetos sociais. Educação via internet e o projeto Quebrando o Tabu estão dentro da linha de ação dessas empresas. 
Para finalizar, no dia 10, às 16 haverá uma imperdível Masterclass de estrutura dramática de séries com Carlos Lombardi. Considerado um dos autores de maior atividade na dramaturgia brasileira, o autor Carlos Lombardi oferecerá uma master class inédita e exclusiva no Rio Market sobre a estrutura narrativa para obras seriadas.
As inscrições e programação completa no site www.riomarket.com.br . A Casa Firjan fica na rua Guilhermina Guinle, 211 - Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro.



domingo, 4 de novembro de 2018

Prestes a estrear no Brasil, 'As Viúvas' abriu o Festival do Rio com elenco excepcional e protagonismo feminino


Novo filme do diretor de '12 Anos de Escravidão' chega aos cinemas dia 29 de novembro. Encabeçado pela poderosa Viola Davis, o thriller abusa das reviravoltas e dos clichês do gênero, mas aposta na força das personagens femininas e pontua críticas contundentes à desigualdade racial na América

Marcella Vieira*

Na maratona do Festival do Rio, muitos cinéfilos preferem privilegiar os filmes que dificilmente terão vez no circuito de estreias aqui no Brasil. Por outro lado, muitos títulos passam como relâmpago pelo evento para, logo depois, chegarem arrasadores nas salas de cinema de todo o país, já de olho na temporada de prêmios que tem seu ápice no Oscar do ano seguinte. É o caso de "Infiltrados na Klan", novo filme de um afiadíssimo Spike Lee, e "As Viúvas", que teve sessão única na noite de abertura do Festival. O Jornal Casa da Gente já conferiu os dois, que têm estreias previstas no Brasil já nas próximas semanas.
"As Viúvas" é a volta aos cinemas do diretor Steve McQueen após o super premiado "12 Anos de Escravidão". O filme é bem diferente de suas obras anteriores, um thriller que mistura boas doses de drama, violência, perseguições com carros em alta velocidade e explosões (não deve ser à toa o fato de Liam Neeson e Michelle "Velozes e Furiosos" Rodriguez estarem no elenco). Ainda que com certos clichês do gênero – os excessos de reviravoltas e alguns aparentes buracos na trama –, há algo urgente e essencial no filme: as excelentes e incrivelmente determinadas personagens femininas.
E nisso o título do filme não engana: as protagonistas são, realmente, as viúvas de um grupo de criminosos mortos em uma ação que acabou não dando nada certo. Especialmente três delas, interpretadas por Viola Davis, sempre uma força nas telas, Rodriguez e a franco-australiana Elizabeth Debicki, mais conhecida do grande público como a Ayesha de "Guardiões da Galáxia – Vol. 2". Mais do que o baque emocional, a perda de seus maridos significou para elas dívidas e ameaças. Elas então se reúnem para um último ato, originalmente planejado por seus companheiros.
O protagonismo feminino atravessa toda a trama, que às vezes se arrasta, às vezes empolga, mas nunca decola. Parte muito grande desse protagonismo certamente se deve ao roteiro adaptado, em parceria com McQueen, por Gillian Flynn. A autora dos sucessos "Garota Exemplar", que chegou aos cinemas em 2014, e "Sharp Objects", recém-adaptado para a TV pela HBO, constrói mulheres marcadas por muitos contornos e pela dubiedade de seus atos. Um prato cheio para personagens femininas interessantes, complexas e fora de estereótipos que marcaram a indústria do cinema por tanto tempo. Em meio a uma narrativa de caos social em uma Chicago marcada por eleições, violência e corrupção, o diretor ainda aproveita para inserir no filme críticas afiadas à desigualdade e à brutalidade da polícia norte-americana contra os negros (em cenas de flashback que emocionam). Mas são apenas pitadas em um filme que não foge das clássicas regras de um thriller: reviravoltas, chantagens, traições e assassinatos.
Um dos méritos de Steve McQueen é reunir um baita elenco, incluindo atores consagrados em papéis considerados pequenos. Além das protagonistas e de Neeson como um dos maridos mortos, o filme conta com o veterano e excelente Robert Duvall e Colin Farrell, como pai e filho Mulligan que defendem o poder de um clã político que domina Chicago há décadas (com discursos e atos – públicos e privados – um tanto comuns nas famílias de políticos, seja lá, seja aqui, seja em qualquer lugar). Os irmãos Manning, interpretados por Brian Tyree Henry e pelo talentosíssimo Daniel Kaluuya (indicado ao Oscar de Melhor Ator por "Corra!"), são os novatos que tentam conquistar o espaço político antes ocupado exclusivamente pelas raposas da família Mulligan– ainda que por meios nada edificantes. Há ainda Jacki Weaver, Lukas Haas, Cynthia Erivo (essencial na parte final da trama) e o "Justiceiro" Jon Bernthal, sempre encarnando o tipo violento e desajustado, mesmo com participação muito curta.
"As Viúvas" teve sessão única no Festival do Rio, mas estreia em todo o Brasil, com distribuição da Fox Film no dia 29 de novembro.
  
*Marcella Vieira, jornalista, está na cobertura do @Festival do Rio pelo Jornal Casa da Gente.