Por Christian Jafas *
Saúde.
Democracia. Desigualdade. Violência. Essas foram algumas das palavras mais
ouvidas durante a abertura do 12º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que aconteceu
na quarta passada, 26/07, no campus Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz). Com o lema "Fortalecer o SUS, os direitos e a democracia",
o encontro que reúne especialistas e estudantes de todo o Brasil e da América
Latina já se iniciou com tom notadamente político, a começar pelo nome do local
escolhido para a cerimônia, Tenda Marielle Franco, em homenagem a vereadora
assassinada em março deste ano. Annielle Franco lembrou a trajetória de lutas
da irmã e a pauta em defesa da Saúde Pública. Os mais de 3 mil presentes
fizeram Anielle se emocionar com o grito de “Marielle, presente”. Gastão
Wagner, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), fez
questão de enfatizar que a vereadora também dá nome ao congresso ao se referir
diversas vezes ao evento como Abrascão Marielle e ainda reforçar o tom político.
“A gente vem ao Abrascão para trocar ideias, discutir, aprender e tirar
diretrizes e plataformas para nossa ação nos próximos anos em cada local, em
cada sala de aula, em cada serviço de saúde e nos nossos movimentos sociais. A
gente vem para carregar nossa energia e confirmar para nós e para a sociedade
que a esperança somos nós.”
Convidada
para a palestra de abertura, Michelle Bachelet, ex-presidenta do Chile e
representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), manteve a sintonia ao
dizer que não se pode falar em saúde sem antes falar da saúde da democracia. “Temos
que melhorar as condições sociais para que os direitos das pessoas possam ser
exercitados. Não para alguns, mas para todos”. Ao fazer uma análise do panorama
da Saúde Pública na América Latina, Bachelet destacou que a maioria da
população desses países só consegue o acesso aos serviços de saúde através do
setor público e por isso o foco deve sempre ser nas pessoas. “O estado atual de
nossos sistemas públicos de saúde é estruturado de acordo com a evolução
demográfica e econômica, mas, sobretudo, pela ação política de nossos países. É
preciso marcar os limites do tolerável e do remediável. Falar sobre saúde
publica é falar sobre o tipo de país que temos, podemos e devemos construir”, concluiu.
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Ato de lançamento da 16ª CNS (foto de Peter Ilicciev/Abrasco) |
Projetar
o Brasil que podemos e devemos construir foi a missão de especialistas de
diversos campos do saber que se reuniram no Abrascão 2018 entre os dias 26 e 29
de julho na Fiocruz. Do discurso à prática, no sábado, 28 de julho, um ato em
frente ao Castelo Mourisco lançou oficialmente a 16ª Conferência Nacional de
Saúde que irá ser realizada em julho de 2019. Fundamental para a consolidação
da nossa democracia, a conferência é a maior instância de participação popular
em saúde, um fórum de debates que fomenta novas propostas sendo prevista na
Constituição Cidadã de 1988.
Quer
saber mais sobre o Abrascão? A organização do evento disponibilizou transmissão
online das principais mesas e palestras. O conteúdo, na íntegra, segue no canal
da Abrasco no YouTube. Veja nos links como acessar e leia a reportagem sobre o
congresso na nossa edição impressa do mês de agosto.
TV Abrasco: www.youtube.com/user/tvabrasco
Site da Abrasco: www.abrasco.org.br
* Christian Jafas em colaboração especial para o Jornal Casa da Gente
* Christian Jafas em colaboração especial para o Jornal Casa da Gente
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