sábado, 9 de março de 2019

Mostra de Cinema Árabe Feminino tem programação gratuita no CCBB

Mais de 30 filmes estão sendo exibidos até dia 25 de março no CCBB

Cena do filme "Campos da Liberdade"
Retratar a diversidade do cinema árabe através de uma seleção de mais de 30 obras cinematográficas dirigidas por mulheres é o objetivo da Mostra de Cinema Árabe Feminino, que acontece até o dia 25 de março no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Questões políticas e sociais vão permear as produções de realizadoras árabes contemporâneas em uma programação que inclui ainda debates, mesas redondas e uma masterclass de roteiro com Sofia Djama. Formada em literatura pela Universidade de Argel, a cineasta também participa de uma conversa pública após a exibição de seu filme.  
São 13 longas-metragens, sendo oito inéditos, e 24 curtas, somando 37 produções de mais de 10 países: Arábia Saudita, Argélia, Egito, Iêmen, Jordânia, Líbano, Líbia, Marrocos, Palestina, Qatar, Síria e Tunísia. O projeto é uma realização da Partisane Filmes, patrocinada pelo Banco do Brasil através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com entrada franca para todas as sessões.
Temas diversos como conflitos familiares, relacionamentos, amizade, autoconhecimento, feminino e LGBT são pano de fundo para abordar o contexto histórico atual da região, que conta com diferentes realidades: desde o Egito e o Líbano, que sempre fomentaram a criação artística – seja com recursos públicos ou com recursos privados -, até a Arábia Saudita, onde ainda é proibido abrir salas de cinema.
Cena do filme "In Between"
A curadoria de Ana França e Analu Bambirra contemplou filmes de gêneros variados como ficção, documentários, experimentais. “Não pretendemos apresentar uma única resposta sobre o que é ser mulher árabe, e sim discutir as várias possibilidades ao fazer um recorte dentro das produções lançadas a partir dos anos 2000. A maioria dos filmes selecionados não foram lançados comercialmente no Brasil”, explica Analu Bambirra.
O filme de abertura será o longa-metragem inédito no Brasil Os Afortunados (The Blessed), da diretora argelina Sofia Djama. O filme ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Veneza de 2017, pela atuação de Lyna Khoudri, e o prêmio de Melhor Direção no Festival de Dubai.
Outros sete longas inéditos estão entre os selecionados: Uma Substância Mágica Flui em Mim (A Magical Substance Flows Into Me), dirigido pela palestina Jumana Manna, cuja estreia mundial ocorreu na sessão Forum do Festival de Berlim em 2016. O filme parte de uma gravação do musicólogo Robert Lachmann, que leva a uma viagem que retrata a cultura musical palestina; Além da Sombra (Upon the Shadow), é sobre a questão LGBTQ na Tunísia, da diretora Nada Mezni Hafaiedh, vencedor do Tanit de Bronze no Festival Internacional de Carthage e exibido no festival Queer Lisboa; Arij – Cheiro de Revolução (Arij – Scent of Revolution), de Viola Shafik, que também teve estreia mundial na sessão Forum do Festival de Berlim e levanta questões sobre o período pós-Primavera Árabe no Egito; Pássaros de Setembro (Birds of September), primeiro longa-metragem da libanesa Sarah Francis, mostra um retrato íntimo da população de Beirute e foi exibido nos festivais CPH:DOX, FIDADOC Agadir e Art of the Real; Campos da Liberdade (Freedom Fields), filme líbio dirigido por Naziha Arebi, teve estreia mundial no Festival de Toronto e foi exibido no Festival de Londres e no IDFA, sobre o primeiro time de futebol feminino nacional do país; O Disco Quebrado (Broken Record) foi realizado no Iraque por Parine Jaddo e exibido no festival DOK Leipzig, que mostra o percurso da diretora em busca da letra de uma música iraquiana que a mãe cantava na sua infância; e Eu Dançarei Se Eu Quiser (In Between), filme polêmico da diretora árabe-israelense Maysaloun Hamoud, que foi lançado no Festival de San Sebastian e conta sobre a vida e as relações de três mulheres árabes em Tel Aviv: uma advogada criminalista muçulmana secular burguesa, uma DJ lésbica de família cristã liberal e uma garota muçulmana devota que se tornam colegas de quarto.
Cena do filme "Je suis là"
Também serão exibidos 24 curtas-metragens, sendo 19 estreias. As exibições estão divididas em seis sessões, que trazem títulos como Eu Tenho te Observado o Tempo Todo (I have been watching you all along), primeiro filme da diretora Rawda Al-Thani e realizado no Qatar; Três Centímetros, dirigido pela libanesa Lara Zeidan, premiado com o Teddy Award de Melhor Curta-metragem do Festival de Berlim; Povo da Terra de Ninguém (People of the Wasteland), da diretora síria Heba Khaled, no qual ela tem acesso a imagens de GoPro realizadas por soldados sírios no front da guerra; Terreno Baldio (Terrain Vague), da argelina Latifa Said, que percorreu mais de 80 festivais em 37 países e ganhou mais de 20 prêmios; e Memória da Terra (Memory of the Land), da diretora palestino-espanhola Samira Badran, único filme de animação exibido na mostra.
Na mostra, está também a Trilogia Sci-fi, da diretora palestina Larissa Sansour, que abordam assuntos relevantes ao povo palestino: Um Êxodo Espacial (A Space Exodus), no qual a diretora recria a icônica cena do homem chegando à lua, utilizando referências do filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick; Patrimônio Nacional (Nation Estate), que propõe uma solução para a questão palestina: um arranha-céu que abriga toda a população e seus territórios; e No Futuro eles Comiam da Melhor Porcelana (In the future they ate from the finest porcelain) sobre uma intervenção história criada por um grupo de resistência. Destes, apenas o último foi exibido no Brasil.
Duas mesas redondas também fazem parte da programação: "O mundo árabe no feminino: religião, nação e feminismos",  com a presença de Elzahra Osman (Inep/UnB), Gisele Fonseca Chagas (NEOM/UFF) e Houda B. Bakour (NEOM/UFF); e “Corpos-ficções palestinos: pensamentos fílmicos a partir de uma geografia violentada" formada por Tatiana Carvalho Costa Centro Universitário UNA / CORAGEM-UFMG), Carol Almeida (PPGCOM / UFPE), e Fernando Resende (PPGCOM / UFF).

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA 
Mostra de Cinema Árabe Feminino


09 MAR | SÁBADO

16h | Sessão de Curtas 1
Classificação 12 anos

Your father was born 100 years old and so was the Nakba. Seu Pai Nasceu com 100 anos, assim como a Nakba. Razan AlSalah. Palestina, 2017, 7’

Oum Ameen, uma avó palestina, retorna a Haifa sua cidade natal através do Google Street View, que atualmente é a única forma pela qual ela consegue ver a Palestina.

The Goodness Regime. O Regime da Bondade. Jumana Manna e Sille Storihle. Noruega, 2013, 21’

A Sketch of Manners (Alfred Roch's Last Masquerade). Um Retrato dos Costumes      (A Última Mascarada de Alfred Roch). Jumana Manna. Noruega/ Palestina, 2013, 12’

Memory of the land. Memória da terra. Samira Badran. Espanha, 2013, 13’


18h | Aula Magna com Sofia Djama

10 MAR | DOMINGO

15h | Arij - Scent of Revolution. Arij - Cheiro de Revolução. Viola Shafik. Egito/ Alemanha, 2014, 101’
Classificação 12 anos

17h30 | Sessão de Curtas 2
Classificação 16 anos

I Have Been Watching You All Along. Eu Tenho Te Observado o Tempo Todo. Rawda Al-Thani. Qatar, 2017, 10’


Three Centimetres. Três Centímetros. Lara Zeidan.  Líbano/ Reino Unido, 2018, 9’

Cloch'Art. Manel Katri. Tunísia, 2016, 22’

Hajwalah.  Rana Jarbou. Arábia Saudita, 2015, 21’
  
Le Park. O Parque. Randa Maroufi. Marrocos, 2015, 14’

19h30 | Upon the Shadow. Além da Sombra. Nada Mezni Hafaiedh. Tunísia,  2017, 80’
Classificação 16 anos



11 MAR | SEGUNDA

16h | Sessão de Curtas 3
Classificação 12 anos

Rupture. Ruptura. Yassmina Karajah. Jordânia/ Canadá, 2017, 15’

Lollipop. Pirulito.  Hanaa AlFassi. Arábia Saudita, 2017, 13’


Aya. Moufida Fedhila. Tunísia/ França/ Qatar, 2014, 23’

19h | Broken Record. O Disco Quebrado. Parine Jaddo. Iraque, 2013, 75’
Classificação 10 anos


13 MAR | QUARTA-FEIRA

16h | Ouroboros. Basma Alsharif. França/ Palestina/ Bélgica/ Qatar, 2017, 75’
Classificação 12 anos


19h | Those Who Remain. Aqueles que Restam. Eliane Raheb. Líbano/ Emirados Árabes Unidos, 2016, 95’
Classificação 12 anos

14 MAR | QUINTA-FEIRA

16h | Birds of September. Pássaros de Setembro. Sarah Francis. Líbano/ Qatar, 2013, 99’

19h | Sessão de Curtas 4
Classificação 18 anos

Here You Are. Aqui Tu Estás. Tyma Hezam. Síria/ EUA , 2017, 5’


Behind The Sea. Atrás do Mar. Leïla Saadna. Argélia, 2017, 19’


One Minute. Um Minuto. Dina Naser. Bélgica/ Jordânia, 2015, 11’


The Last Date. O Último Encontro. Sarah Sari. Iêmen, 2015, 7’

People of the Wasteland. Povo da Terra de Ninguém. Heba Khaled. Síria/ Alemanha, 2018, 21’

15 MAR | SEXTA-FEIRA

16h | A Magical Substance Flows Into Me. Uma Substância Mágica Flui em Mim. Jumana Manna. Palestina/ Alemanha/ Reino Unido, 2015, 68’
Classificação Livre


19h | Sessão de Curtas 5 - Trilogia Sci-Fi

A Space Exodus. Um Êxodo Espacial.  Larissa Sansour. Palestina, 2008, 6’


Nation Estate. Patrimônio Nacional. Larissa Sansour. Palestina, 2013, 9’


In the Future They Ate From the Finest Porcelain. No Futuro, eles comiam da melhor porcelana.  Larissa Sansour. Palestina, 2015, 29’

16 MAR | SÁBADO

15h | Sessão de Curtas 6
Classificação 14 anos

Tahiti. Latifa Said. Argélia, 2018, 17’

À L'ombre Des Mots. À Sombra das Palavras. Amel Blidi. Argélia, 2016, 10’
  
Je Suis Là. Eu Estou Aqui.  Farah Abada. Argélia, 2016, 14’


Terrain Vague. Terreno Baldio. Latifa Said. França/ Portugal, 2017, 14’


17h30 | Mesa Redonda: O Mundo Árabe no Feminino: Religião, Nação e Feminismos
Com Elzahra Osman (Inep/UnB), Houda B. Bakour (NEOM/UFF) e Gisele Fonseca Chagas (NEOM/UFF)

Classificação Livre

20h | In Between. Eu Dançarei se eu Quiser. Maysaloun Hamoud. França/ Israel, 2016, 105’

17 MAR | DOMINGO

15h | Sessão de Curtas 3
Classificação 12 anos

Rupture. Ruptura. Yassmina Karajah. Jordânia/ Canadá, 2017, 15’

Lollipop. Pirulito. Hanaa AlFassi. Arábia Saudita, 2017, 13’


Aya. Moufida Fedhila. Tunísia/ França/ Qatar, 2014, 23’

17h | Bloody Beans. Malditos Feijões. Narimane Mari. Argélia, 2013, 77’
Classificação 12 anos


19h | Salt of this sea. O Sal Desse Mar. Annemarie Jacir. Palestina/ Bélgica/ França/ Espanha/ Suíça, 2008, 109’
Classificação 12 anos

18 MAR | SEGUNDA

16h | Upon the Shadow. Além da Sombra. Nada Mezni Hafaiedh. Tunísia, 2017, 80’
Classificação 16 anos


19h | Ouroboros. Basma Alsharif. França/ Palestina/ Bélgica/ Qatar, 2017, 75’
Classificação 12 anos


20 MAR | QUARTA-FEIRA

16h | The Blessed. Os Afortunados. Sofia Djama. França/ Bélgica/ Qatar, 2017, 102’
Classificação 16 anos


19h | Mesa Redonda: Corpos-ficções palestinos: pensamentos fílmicos a partir de uma geografia violentada
Com Carol Almeida (PPGCOM / UFPE), Tatiana Carvalho Costa  (Centro Universitário UNA / CORAGEM-UFMG) e Fernando Resende (PPGCOM / UFF).
Classificação Livre



21 MAR | QUINTA-FEIRA

16h | Arij - Scent of Revolution. Arij - Cheiro de Revolução. Viola Shafik. Egito/ Alemanha, 2014, 101’
Classificação 12 anos

19h | In Between. Eu Dançarei se eu Quiser. Maysaloun Hamoud. França/ Israel, 2016, 105’
Sessão Comentada por Gisele Fonseca Chagas (NEOM/UFF)
Classificação 18 anos

22 MAR | SEXTA-FEIRA

15h | Freedom Fields. Campos da Liberdade. Naziha Arebi. Líbia/ Reino Unido/ Holanda/ EUA/ Qatar/ Líbano/ Canadá, 2018, 99’
Classificação 12 anos



17h30 | Sessão de Curtas 1
Classificação 12 anos

Your father was born 100 years old and so was the Nakba. Seu Pai Nasceu com 100 anos, assim Como a Nakba. Razan AlSalah. Palestina, 2017, 7’


The Goodness Regime. O Regime da Bondade. Jumana Manna e Sille Storihle. Noruega, 2013, 21’


A Sketch of Manners (Alfred Roch's Last Masquerade). Um Retrato dos Costumes (A Última Mascarada de Alfred Roch). Jumana Manna. Noruega/ Palestina, 2013, 12’


Memory of the land. Memória da terra. Samira Badran. Espanha, 2013, 13’

19h | A Magical Substance Flows Into Me. Uma Substância Mágica Flui em Mim. Jumana Manna. Palestina/ Alemanha/ Reino Unido, 2015, 68’
Classificação Livre

23 MAR | SÁBADO

15h | Sessão de Curtas 6
Classificação 14 anos

Tahiti. Latifa Said. Argélia, 2018, 17’


À L'ombre Des Mots. À Sombra das Palavras. Amel Blidi. Argélia, 2016, 10’

 Je Suis Là. Eu Estou Aqui.  Farah Abada. Argélia, 2016, 14’

 Terrain Vague. Terreno Baldio. Latifa Said. França/ Portugal, 2017, 14’

 16h30  | Those Who Remain. Aqueles que Restam. Eliane Raheb. Líbano/ Emirados Árabes Unidos, 2016, 95’
Classificação 12 anos

 19h | Sessão de Curtas 4
 Classificação 18 anos

Here You Are. Aqui Tu Estás. Tyma Hezam. Síria/ EUA , 2017, 5’

Behind The Sea. Atrás do Mar. Leïla Saadna. Argélia, 2017, 19’


One Minute. Um Minuto. Dina Naser. Bélgica/ Jordânia, 2015, 11’

The Last Date. O Último Encontro. Sarah Sari. Iêmen, 2015, 7’

People of the Wasteland. Povo da Terra de Ninguém. Heba Khaled. Síria/ Alemanha, 2018, 21’


24 MAR | DOMINGO

15h | Broken Record. O Disco Quebrado. Parine Jaddo. Iraque, 2013, 75’
Classificação 10 anos

17h |  Sessão de Curtas 5 - Trilogia Sci-Fi
Sessão com Legenda Descritiva
Classificação 12 anos

A Space Exodus. Um Êxodo Espacial.  Larissa Sansour. Palestina, 2008, 6’


Nation Estate. Patrimônio Nacional. Larissa Sansour. Palestina, 2013, 9’

In the Future They Ate From the Finest Porcelain. No Futuro, eles comiam da melhor porcelana. Larissa Sansour. Palestina, 2015, 29’


19h | Birds of September. Pássaros de Setembro. Sarah Francis. Líbano/ Qatar, 2013, 99’
Classificação 12 anos
25 MAR | SEGUNDA-FEIRA

16h | Sessão de Curtas 2
Classificação 16 anos

I Have Been Watching You All Along. Eu Tenho Te Observado o Tempo Todo. Rawda Al-Thani. Qatar, 2017,  10’

Three Centimetres. Três Centímetros. Lara Zeidan.  Líbano/ Reino Unido, 2018, 9’


Cloch'Art. Manel Katri. Tunísia, 2016, 22’


Hajwalah.  Rana Jarbou. Arábia Saudita, 2015, 21’

Le Park. O Parque. Randa Maroufi. Marrocos, 2015, 14’


19h | SESSÃO DE ENCERRAMENTO | Mon Tissu Préféré.  Meu Tecido Preferido. Gaya Jiji. França/ Alemanha/ Turquia, 2018, 95’
Classificação 16 anos

DEBATES

09 MAR | SÁBADO

18h | Aula Magna com Sofia Djama
Com tradução em libras
Classificação 16 anos

15 MAR | SEXTA
19h | Sessão de Curtas 5 - Trilogia Sci-Fi
A Space Exodus. Um Êxodo Espacial.  Larissa Sansour. Palestina, 2008, 6’
Nation Estate. Patrimônio Nacional. Larissa Sansour. Palestina, 2013, 9’
In the Future They Ate From the Finest Porcelain. No Futuro, eles comiam da melhor porcelana. Larissa Sansour. Palestina, 2015, 29’

Sessão com Legenda Descritiva e Tradução em Libras
Comentada por Jo Serfaty (Realizadora Cinematográfica)
Classificação 12 anos

16 MAR | SÁBADO

17h30 | Mesa Redonda "O Mundo Árabe no Feminino: Religião, Nação e Feminismos"
Com Elzahra Osman (Inep/UnB), Houda B. Bakour (NEOM/UFF) e Gisele Fonseca Chagas (NEOM/UFF)


20 MAR | QUARTA-FEIRA

19h | Mesa Redonda "Corpos-ficções palestinos: pensamentos fílmicos a partir de uma geografia violentada"
Com Carol Almeida (PPGCOM / UFPE), Tatiana Carvalho Costa  (Centro Universitário UNA / CORAGEM-UFMG) e Fernando Resende (PPGCOM / UFF).
Classificação Livre

21 MAR | QUINTA-FEIRA

19h | In Between. Eu Dançarei se eu Quiser. Maysaloun Hamoud. França/ Israel, 2016, 105’
Sessão Comentada por Gisele Fonseca Chagas (NEOM/UFF)
Classificação 18 anos

sexta-feira, 8 de março de 2019

Alegria da Zona Norte é bicampeã do Carnaval de Niterói


A escola de samba Alegria da Zona Norte consagrou-se bicampeã do grupo principal do Carnaval de Niterói, na apuração que aconteceu durante a tarde de ontem na quadra da Unidos do Viradouro. A disputa foi acirradíssima: com o enredo “Oyá Matamba, o Império de Njinga Rainha”, do carnavalesco Davi Gabana, a Alegria da Zona Norte venceu por um décimo a Império de Araribóia que ficou em segundo, seguida pela Sousa Soares, que conquistou a terceira colocação. 

No Grupo B, a Mocidade Independente de Icaraí e a Unidos do Sacramento sagraram-se respectivamente campeã e vice, subindo assim para o Grupo Principal.  No Grupo C a Galo de Ouro foi a grande vencedora, ascendendo para o grupo B.

A mesa apuradora anunciou que o Grupo de Avaliação terá seu resultado divulgado aos presidentes, em plenário, na próxima quarta-feira, dia 13 de março, e a Unidos do Barro Vermelho está liberada para disputar o Carnaval 2020.

A mesa apuradora foi composta por Luciano Deodato (Presidente da UESBCN – União das Escolas de Samba e Blocos da Cidade de Niterói), Luís Sergio (Presidente de Lesnit), João Teixeira (Diretor de Eventos da Neltur), Giuliano Lara (Funcionário da Neltur – locutor da apuração) e Anderson Pipico (Membro da Comissão de Carnaval de Niterói).

O presidente da Neltur, Luiz Fernandes Braga, destacou a beleza do espetáculo das escolas de Niterói, que deram um show na Passarela da Rua da Conceição, com a participação maciça do  público, pessoas de todas as idades, num clima familiar e alegre. “ Temos certeza de que foi o melhor desfile dos últimos anos e pelo nível cada vez melhor das escolas, vamos avançar ainda mais”, destacou.

Confira os resultados finais do Carnaval de Niterói

GRUPO PRINCIPAL

1ª – ALEGRIA DA ZONA NORTE
2ª – Império de Araribóia
3ª – Sousa Soares
4ª – Unidos da Região Oceânica
5ª - Folia do Viradouro
6ª – Experimenta da Ilha da Conceição
7ª – Magnólia Brasil
8ª – Bafo do Tigre
9ª – Combinado do Amor
10ª – Sabiá

GRUPO B

1ª – MOCIDADE INDEPENDENTE DE ICARAÍ
2ª – Unidos do Sacramento
3ª – Bem Amado
4ª – Garra de Ouro
5ª – Paraíso da Bonfim
6ª – Balanço do Fonseca
7ª – União da Engenhoca
8ª – Cacique da São José
9ª – Amigos da Ciclovia
10ª – Grupo dos 15


GRUPO C

1ª – GALO DE OURO
2ª – Banda Batistão
3ª – Tá Rindo Por quê?
4ª – Fora de Casa
5ª – Independente do Boaçu
6ª – Unidos do Castro

quarta-feira, 6 de março de 2019

Pra tudo se acabar na quarta-feira

Da concentração à Apoteose, as emoções dos bastidores das Escolas de Samba de Niterói e São Gonçalo na Marquês de Sapucaí

Fotos: Peter Illiciev
Texto: Luana Dias


Quem já cruzou a avenida de desfiles da Marquês de Sapucaí, conhece um pouco da dor e da delícia de ser sambista. A poucos minutos de brilharem sob a luz dos holofotes, olhares e câmeras do Sambódromo, cada componente vive momentos de preparação, ansiedade e espera do soar da sirene anunciando o início do desfile, na área denominada "Concentração". São as "coxias" a céu aberto da Avenida onde ocorre o maior espetáculo de cultura popular do país. 

Em contraste, a Apoteose é o local onde as emoções se extravazam e se libertam: em meio a euforia de ter concluído o desfile com êxito, pedaços de fantasias se misturam a gritos de alegria. Suor e lágrimas desfazem a maquiagem. Abraços, samba no pé e as batidas da bateria, se encontram com o aplauso final do público. 

As lentes afiadas do fotógrafo Peter Ilicciev acompanharam os bastidores da Acadêmicos do Sossego, Unidos do Porto da Pedra, Acadêmicos do Cubango, na Série A; e Unidos do Viradouro, no Grupo Especial, compondo este lindo ensaio inédito para o Jornal Casa da Gente. 

Para ver o ensaio completo, acesse o facebook do Jornal Casa da Gente.  

segunda-feira, 4 de março de 2019

'Viraviradouro': Um espetáculo de magia e beleza na Sapucaí

De cabeça erguida e orgulho estampado no olhar, Viradouro surpreendeu com seu enredo, garra e criatividade

Por Luana Dias e Mario Dias

Comissão de frente arrancou aplausos na Avenida
(foto Luanas Dias)
A agremiação vermelha -e-branca de Niterói retornou em alto estilo ao grupo Especial, arrebatando o público da Marquês de Sapucaí. Com o enredo "Viraviradouro", assinado pelo carnavalesco Paulo Barros, ela contou as histórias fantásticas que fazem parte da infância, e convidando a trazer de volta a inocência e a imaginação que nós perdemos quando nos tornamos adultos.
As alegorias fantásticas, representando diversos personagens, foram destaque no desfile.
As surpresas já começavam desde o início da apresentação, na Comissão de Frente, quando um menino, ao abrir o livro de histórias e fábulas, literalmente via a "magia" acontecer: com um efeito pirotécnico, ao abrir o livro, as páginas "explodiam" e as histórias "ganhavam vida". Bruxas, sapos e seres encantados surgiam e encantavam a ao menino e ao público que assistia o início do espetáculo proporcionado pela Viradouro.
Chamou atenção também a riqueza de detalhes das alas, não só em suas fantasias de fácil leitura e compreensão, como no capricho do acabamento e dos detalhes, incluindo na caracterização com maquiagem profissional.
Mestre Ciça de mago Merlim
(foto Hyrinéa Borneo)
Nos carros alegóricos, mortos-vivos saiam das tumbas, um motoqueiro-fantasma cruzava o Sambódromo em alta velocidade, e ao final do desfile, uma fênix surgia das cinzas, tendo no bico o pavilhão da escola, simbolizando o grande retorno da Viradouro ao Especial.
A bateria do Mestre Ciça também foi destaque: caracterizado do mago "Merlim", ele encarnou o personagem e à frente de seus ritmistas, fazia mágica, com um cajado que explodia, no momento de uma de suas paradinhas, levando o público ao delírio e arrancando aplausos até mesmo dos julgadores. A rainha de bateria Raissa Machado veio com uma fantasia representando a sacerdotisa Morgana, das histórias do Rei Arthur, com um lindo resplendor trabalhado em capim tingindo, uma solução leve, bela e ecologicamente correta.
A escola apresentou também um excelente canto e evolução do início ao fim do desfile, inflamado pela voz de Zé Paulo Sierra.
A Viradouro concluiu seu desfile dentro do tempo determinado - com 1h14 e ao final, componentes e diretoria e comunidade comemoravam com muito orgulho.
O trabalho perfeito de caracterização e maquiagem das alas
foi também destaque
(foto Marcio Lomba)
Como diziam os versos do samba deste ano, o brilho no olhar voltou! Com o bom desfile, a agremiação garantiu a disputa para retornar ao desfile das campeãs no sábado.

domingo, 3 de março de 2019

Cubango tem seu voo mais alto rumo ao Especial


Saindo aclamada pelo público e pela crítica, agremiação verde-e-branca de Niterói nunca esteve tão próxima de conquistar o tão sonhado título da Série A

Por Luana Dias

O carro abre-alas da Cubango: tradição e respeito às raízes da escola
(Hyrinéa Bornéo/ Jornal Casa da Gente)

Mestre-sala e porta-bandeira erguem o pavilhão da escola
O cronômetro marcava 54 minutos quando o último componente da Acadêmicos do Cubango cruzava a linha de fim do desfile oficial, e as portas se fechavam. Logo atrás, um verdadeiro arrastão de euforia e alegria formado pelo público, que descia das arquibancadas, camarotes, frisas e cadeiras, aguardava para se juntar à Escola, e seguir cantando o samba-enredo com a bateria e os componentes. Gritos de "É campeã" se misturavam às lágrimas de diretores, harmonias e especialmente dos baluartes e componentes mais antigos. Naquele momento, a escola confirmava a sua consagração, colocando-se entre o seleto grupo das favoritas para arrebatar o título de campeã da Série A.
 Fundada em 17 de dezembro de 1959, a agremiação se prepara para completar 60 anos apostando em dois fatores que a consagraram e a diferenciaram ao longo de toda sua trajetória no mundo do samba: o resgate de suas raízes, e a aposta no fôlego e disposição da juventude e da renovação. Prova disso, foi a escolha do enredo "Igbá Cubango - a alma das coisas e a arte dos milagres", de autoria da talentosa, humilde e simpática jovem dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad.
Comissão de frente: São Lázaro e o
"corpo e alma" da agremiação
(fotos Hyrinéa Bornéo e Marcio Lomba)
O enredo trouxe uma conexão profunda com as raízes da agremiação: foram lembrados o memorável carnaval "Afoxé" de 1979; e São Lázaro. O orixá Omulú, na riqueza do sincretismo religioso brasileiro, e que é o padroeiro e protetor da escola de Niterói, veio na comissão de frente, de "coração e alma", numa linda metáfora transformada em realidade através de um boneco articulado.


O público viu também passar pela avenida a devoção e respeito ao patrimônio imaterial da escola: Mãe Preta e senhor Nilton Bastos, presidente da ala das baianas e presidente de honra da agremiação, vieram representando os "guardiões da memória", como destaque no abre-alas da agremiação.
A riqueza de detalhes, e a profundidade e diversidade da pesquisa realizada pela dupla de carnavalescos se transformou num dos enredos mais festejados da Serie A, de fácil leitura e identificação com o público. A beleza e a harmonia plástica do conjunto de alegorias e fantasias eram destaque.
Não é à toa também, que o belo enredo gerou um dos melhores samba-enredos da safra. De autoria de Sardinha, Samir Trindade e parceria, o samba foi cantado a plenos pulmões pela agremiação, que mostrou também o retorno ao "chão", que sempre foi uma de suas características.
A bateria, comandada por Mestre Demétrius completou a receita de sucesso, dando um show à parte, com a cadência certa, dando espaço para a evolução da escola, e desenhos e bossas que dialogavam com a linda melodia do samba.
Já nas primeiras horas do dia, a escola confirmava seu favoritismo: a escola faturava o prêmio Samba Net de Melhor Desfile da Série A, e o bicampeonato no Estandarte de Ouro de Melhor Escola e Melhor Samba Enredo. A comunidade do mundo do samba festeja, assim, o grande desfile realizado pela agremiação.

Componentes e diretoria chegavam em êxtase na Apoteose
História e tradição
Em entrevista concedida a mim, em 2004, Ney Ferreira, um dos fundadores da escola, e que veio falecer em 2016, contava que a Cubango foi criada a partir do sonho - de Mãe Tiana, Tia Lourdes , de Ney,de Honorinho, Carlinhos Manga Espada e de tantos outros - de brincar o carnaval e ter um lugar onde pudessem também se reconhecer como comunidade.
"A Cubango começou deste sonho de família, de mães, tias e meninos de um bairro simples, que queriam ter o seu lugar pra brincar... e cresceu. A Cubango é muito grande. É a família, é a união de todos aqueles morros, é a comunidade que forma a força que a escola tem,  de defender não só a escola, mas o patrimônio da escola... eu acho que é a alma... Mesmo hoje, quando o samba está muito profissionalizado, é a Comunidade que faz a diferença. E se expande com os novos componentes, que chegam para agregar em paixão".
Ney deixaria ali um recado importante para a escola:
Público das Sapucaí seguia contagiado atrás da agremiação
"Quando eu morrer, eu gostaria de ser lembrado como uma pessoa que lutou como Cubango como eles. Eu quero que continuem com a escola, lutem por ela, e que façam pela agremiação muito mais do que eu fiz, e que coloquem numa posição boa, de destaque".
 Talvez essa seja o momento em que a memória - e o sonho de Ney Ferreira - se tornem realidade. Assim, a festa no Morro do Abacaxi, Morro do Serrão, Morro do Bumba, Travessa Iara, Travessa Vianna, em todo o bairro do Cubango e em Niterói, aguarda em compasso ansioso de espera a abertura dos envelopes na Quarta de Cinzas.

(Luana Dias é jornalista, fotógrafa e sambista, é há 30 anos desfila na Acadêmicos do Cubango)