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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Anotações para depois do temporal

Poeta Augusto Dias lança seu segundo livro
O poeta Augusto Dias
(foto divulgação/ Fernanda Estiges Dias)
O poeta, escritor e professor Augusto Dias lança o seu segundo livro de poesias nas cidades de Niterói, Rio de Janeiro e São Gonçalo. “Anotações para depois do temporal” é o título da obra que conta com 67 poemas e 152 páginas, e que chega às livrarias pela Scortecci Editora. A agenda de lançamentos começa no dia 23 de janeiro, às 19h, na Livraria Saraiva do Plaza Shopping, em Niterói. Já no dia 27, será a vez do Rio de Janeiro, na livraria Saraiva do Leblon, a partir das 18h, e em seguida, no dia 29, às 19h30 horas, na livraria Gutemberg,  no Boulevard Shopping, em São Gonçalo. Todos os eventos contarão com a presença do autor.
Entre os amigos e admiradores de Augusto Dias está o músico, compositor, poeta e ativista social Marcelo Yuka. Ele assina a apresentação do livro, introduzindo o leitor ao universo criativo do autor:  
Capa do livro que será lançado em
Niterói, Rio e SG (reprodução)
 “Augusto Dias aparece como um Dom Quixote etnicamente bronzeado atrás de muitos cata-ventos e portando muitos Sancho Panças através do seu bom papo que explode, felizmente, no papel (...) É a cidade nas veias, o chope consciente logo depois do passo no escuro que é se permitir e, com isso, se desarmar na poesia”, descreve Yuka.
      Augusto Dias nasceu em São Gonçalo, de onde saiu aos vinte anos para morar, trabalhar e amar na cidade do Rio de Janeiro. Residiu em Botafogo, na Tijuca e, atualmente, pode ser visto pelo subúrbio do Méier.
       Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, em todos os lugares aonde vai, sempre que pode, faz a sua poesia chegar, baixar e ‘saravar’. Seu primeiro livro, “A Última Noite” foi lançado pelo movimento cult Corujão da Poesia, do qual faz parte, desde a fundação, na extinta Livraria Letras e Expressões do Leblon.
Quem quiser saber mais sobre o autor pode seguir o seu perfil no facebook (Augusto Dias).

 Confira com exclusividade um dos poemas de seu novo livro:

Ouça o poema
 (para meu mestre Mano Melo)
Fala o poema
como malandro que desce a ladeira
e não deixa o samba pra trás
Fala o poema
como quem joga capoeira,
mastiga abelha e bebe aguarrás
Fala o poema
com a alma na sola dos pés
e o coração na ponta da navalha
Fala o poema
por um tostão, um conto de réis
como um ladrão, um canalha
Fala o poema
como se fosse um crente
frente ao inferno inevitável
Fala o poema
desesperada e inutilmente,
como um vício irrecuperável
Fala o poema
como única rota possível,
único caminho que se tem
Fala o poema,
com a boca do Homem Invisível
e o corpo de Frankenstein
Fala o poema
nem literato, nem ignorante,
nem canônico, nem mundano
Fala o poema
nem que seja num rompante,
sem medo de causar dano
Fala o poema
disfarça, não fique só e calado,
dê asas a sua voz poética
Fala o poema
que está aí, entalado
desfaça o nó dessa vida hermética
Ou então...
ouça o poema.
Ouça o poema
em silêncio que reverencia
Anuncia, quieto,
todo o lirismo que vem
Ouça aquele que fala,
como a um apito de um trem
ele é poeta
e poesia
é só do que precisamos
e é tudo que ele tem.



sábado, 11 de outubro de 2014

Na Linha do tempo – Outubro/2014

Bukowski Bar
(Augusto Dias)

Estou bebendo muita cerveja
e as pessoas vão ficando mais interessantes,
tornou-se novo
tudo aquilo que já havia sido dito antes.
Todo esse povo
Já não parece tão cabisbaixo e triste.
Depois do décimo gole,
a minha miséria já não insiste
em ser maior que a do vizinho,
continuo cercado de gente
mas já não me sinto tão sozinho.
Agora que a cerveja me beija,
amo a todas as pessoas que odiava
e sou tolerante com quem não suportava.
Ela entra em minha sanguínea corrente 
e, de repente, apenas dez segundos
depois de ser ingerida,
transforma minhas feridas
em pele reluzente.
Cicatrizado por fora,
continuo a me embebedar,
até me sinto mais gente,
mas tenho medo,
pois a cerveja está acabando.
É inevitável a dúvida
em forma de preocupação:
é ela que me embebeda
ou eu que procuro ilusão?
Amanhã eu penso nisso,
-dessa questão não posso ficar omisso-
mas agora eu quero 
"mais uma dose, é claro que eu tô a fim",
pois enquanto houver cerveja
o meio justificará o fim
e não me faltarão certezas
descritas entre umas e outras,
entre o gole e o vomitar.
Tá pronto pra mais?
Simbora pro bar...
Augusto Dias é professor e poeta, e "Bukowski Bar" faz parte do seu novo livro "Anotações para depois do temporal", com lançamento previsto para o final de novembro.

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