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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O que eles pensam

A convite do CASA DA GENTE, niteroienses aceitaram dividir suas memórias, opiniões e desejos para o futuro da cidade. Moradores de diversos bairros e com diferentes experiências de vida, eles demonstram o orgulho de ser de Niterói, mas também trazem à tona as reflexões para tornar a cidade um lugar ainda melhor para se viver.    

André Dias, 45 anos
Professor de Literatura Brasileira da UFF, morador do bairro Icaraí
"Como transito por Niterói desde minha infância, antes mesmo de morar nela, vejo que muita coisa melhorou nos últimos 35 anos. A urbanização e a ordenação do transporte público com o terminal rodoviário foi um avanço para a cidade. Entretanto, há pelo menos 10 anos ele já está saturado e pouco funcional. Os equipamentos culturais da cidade são bons, fundamentalmente para quem mora na zona Sul. Nos outros bairros a presença e funcionalidade desses elementos é mais rarefeita, o que é lamentável. A gestão desses equipamentos culturais, me soa bastante provinciana em muitos momentos. Por exemplo, o MAC (que está fora de atividade no momento) deveria ter continuamente, além de exposições de qualidade, apresentações musicais e teatrais em seu átrio, que além de maravilhoso tem umas vista incrível. Fico sempre imaginando shows de música instrumental, chorinho e MPB naquele espaço. A segurança tem sido um problema crônico na cidade, que reflete o mau momento do Rio e do país nesse quesito".

Camila Marçal, 27 anos
Autônoma e moradora do Ingá
"Niterói é o lugar que mais amo no mundo. O lugar que nasci, o lugar que quero morrer. O lugar que criei minha família, o lugar que crio minha filha. Passamos décadas vivendo a quinta melhor qualidade de vida do país. Passamos décadas podendo deixar carros e portões destrancados. Podíamos andar como, onde e a hora que queríamos. Infelizmente, jamais sofremos tanto com a violência como hoje. Niterói virou reduto de bandidos oriundos do Rio e isso nos deixa profundamente tristes. Apesar de sermos o PIB mais elevado do país, não recebemos a devida atenção dos governantes. Apesar de tudo, Nikity City ainda é um local delicioso de se viver. Costumamos dizer que Niterói é um "ovo" pois todo mundo se conhece. Graças à Deus por isso!"

William Barros, 32 anos
 Porteiro e morador do Morro do Palácio
"Ao mesmo tem que a nossa cidade é linda, ela ainda sofre com a poluição da Baía de Guanabara. A violência que é cotidiano do trabalhador niteroiense, assalto em ônibus, bancos, calçadão, tiroteio no morros. Preocupação é saber se estamos evoluindo ou apenas repetindo o passado com um cenário novo".





Luiz Carlos Sardinha, 69 anos
Aposentado, compositor e morador do bairro do Cubango
"Infelizmente nossa cidade está se tornando muito violenta, com as drogas dominando a juventude e sem ter como impedir essa desgraça que tende a piorar. Precisamos de hospitais bem aparelhados e principalmente de médicos para atender a demanda. Diversão temos uma grande variedade! Falta também uma educação melhor para resgatar os menores que estão partindo para a criminalidade"





Leandro Carvalho, 42 anos
Advogado e morador do bairro do Barreto
"Conheço Niterói desde pequeno, mas há cinco anos me mudei para cá. Tenho a lembrança de uma Niterói muito mais bucólica em minha adolescência, época esta em que o IDH daqui era significativamente maior. Credito tal discrepância aos problemas inerentes à qualquer grande cidade. O que penso é que a cidade não se preparou adequadamente para este momento, e por tal motivo sentimos no dia-a-dia os efeitos deste desleixo. Todavia, ainda considero Niterói um excelente lugar para se morar, tendo como grata surpresa o bairro onde moro, que dentro de uma relação custo/benefício se apresenta, em minha opinião, como uma das melhores opções para se residir".


Paula Lagoeiro, 32 anos
Produtora executiva de Cinema e TV, moradora do bairro Pé Pequeno


"Niterói sempre foi meu lugar especial, meu voltar pra casa. Nasci e cresci em Niterói brincando no Campo de São Bento, meus sonhos embalados na voz de Bia Bedran, cantando Índia no ensaio de canto com Irmão Amadeu, pegando sol em Itacoatiara e Camboinhas, tomando uma água de coco na praia de Icaraí, visitando o MAC, apreciando a vista do Parque da Cidade, comendo um peixinho em Jurujuba ou um bolinho de bacalhau no Caneco Gelado do Mario, tomando uma cervejinha gelada no Gragoatá, cantando e dançando nas noites de shows na Cantareira e a saideira no Steak House. Espero passar muitos e muitos anos da minha vida aqui".

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A caminho do Emmy

Quatro niteroienses integram a equipe do documentário “De volta” que concorre ao prêmio mais importante da produção televisiva mundial

Quatro niteroienses estão a um passo de conquistar um dos prêmios mais cobiçados da produção televisiva mundial: o Emmy Awards. Marco Antonio Campos, Paula Lagoeiro, Mauro Perelmann e Julia Queiroz integram a equipe do documentário “De volta”, indicado ao Emmy 2014 de Melhor Documentário. O filme, é um projeto autoral da produtora Coopas, que em 2012 foi o vencedor do 3º pitching do DOCFUTURA, do Canal Futura – Fundação Roberto Marinho.  Dirigido por Rafael Figueiredo, o documentário registra a saída temporária de quatro presidiários do Rio de Janeiro, durante o período natalino: Leandro, Sonia, Midiã e Anderson, acompanhando os reencontros, os lugares revisitados, as expectativas, as surpresas e as decepções. 
Uma das cenas do filme "De Volta" (foto divulgação)
O filme está indicado ao Emmy na categoria “Documentário”, dividindo a disputa com produções da Suécia, Coréia do Sul e Reino Unido.  O resultado será divulgado no dia 24 de novembro, durante a festa do Emmy em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A produção já foi exibida em festivais de cinema no Brasil, na Índia, Itália, Finlândia, China, Estados Unidos entre outros países, arrebatando diversos prêmios. Durante o mês de novembro, “De Volta” tem um circuito de estreia na América Latina, tendo sido apresentado na Guiana Francesa, no dia 18, e em seguida, no dia 27, virá para o Brasil, com apresentação na Cinemateca de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. Em dezembro, será a vez de Colômbia e Equador exibirem o documentário. 
Gravado em dezembro de 2012, o projeto contou com o apoio da Pastoral Carcerária do Rio de Janeiro, da SEAP - Secretaria de Estado de Administração Penitenciária e da VEP - Vara de Execuções Penais. A equipe da produtora Coopas entrevistou diversos detentos que teriam direito a Saída Temporária de Natal daquele ano, selecionando as quatro histórias que são apresentadas no filme.
Foram seis meses batalhando diariamente pela execução desse filme. Entrevistamos cerca de 60 pessoas, 40 homens e 20 mulheres, até chegarmos a estes quatro personagens. Houve desencontros, problemas de comunicação entre os presos e seus familiares, muitos desistiram no meio do caminho. Só tivemos acesso a essas pessoas dez dias antes da saída de Natal. Em termos de produção, era tudo ou nada. Apostamos todas as nossas fichas e tivemos muita sorte ao encontrar quatro histórias tão interessantes” conta Paula Lagoeiro, produtora executiva do filme.
Para saber mais e acompanhar o filme, basta buscar a fan page no facebook e o canal ‘You Tube” com o nome “De Volta”.

Perfil

Paula Lagoeiro
Quatro niteroienses estão na equipe do filme que concorre ao Oscar. Paula Lagoeiro, que assina a produção executiva do documentário, é gerente de projetos da Coopas e acumula sete anos de experiência na produção de programas e documentários para televisão com enfoque em saúde, meio ambiente, direitos humanos e políticas públicas. Ela graduou-se em cinema em 2008, e atualmente cursa pós-graduação em planejamento estratégico para mídias sociais.  Além da produção executiva de “De Volta”, ela dirigiu a produção dos curtas-metragens “Homem Bomba”, “Garoto de Aluguel” e “Cowboy”, todos premiados em festivais de cinema.



Julia Queiroz
Outra niteroiense que integra a equipe é a produtora Júlia Queiroz. Formada em Ciências Sociais - Produção e Política Cultural pelo Instituto de Humanidades da UCAM, ela tem experiência na área de artes, com ênfase em formação e difusão artística. Foi produtora do “Encontro sobre Inclusão Visual do FotoRio” e coordenou e Rede Brazucah RJ. Hoje é coordenadora de projetos do Centro de Artes UFF. 



Mauro Perelmann
O músico, arranjador, compositor e produtor musical Mauro Perelmann, que assina a trilha sonora original do documentário “De volta”. Com mais de 30 anos de carreira, ele tem em seu currículo a música e a direção musical de vários espetáculos teatrais, como “Tragédias Cariocas para Rir” (1999), a peça “Equus” (2003), o musical “Anne Frank” (2008), entre outros.  Ele foi responsável também pela pesquisa musical da novela Pantanal, e ministra o ensino de música em diversas escolas do Rio de Janeiro, como CAL e MUSIARTE. A partir de 1996, começou a desenvolver um trabalho de pesquisa sobre música judaica e fundou o grupo “Zemer”, do qual é diretor musical, arranjador e violonista. Há 14 anos, Perelmann trabalha como produtor musical do projeto de Comunicação Social “Canal Saúde”, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz, realizando a criação de música original para vários vídeos institucionais, documentários, vinhetas e programas televisivos.

Marco Antonio Campos (fotos acervo pessoal)
Nascido e criado em Niterói, Marco Antonio Campos completa o quarteto de “papa-goiabas” a caminho do Emmy. Ele é um dos co-diretores do documentário “De Volta”, e tem um carinho especial por Niterói:
“Guardo com saudade as primeiras experiências com as Artes e o Cinema, que acredito foram determinantes na minha formação. Quando criança, as sessões duplas do cine Mândaro em Santa  Rosa o primeiro musical   no Cinema   São Bento, as comédias   no Cine   Icaraí   e mais tarde as "loucas" sessões da   meia -noite   no Cine Arte UFF”.  
Quando adolescente, Marco trabalhou como ator, escritor e diretor do tradicional grupo teatral   Papel Crepom. Em seguida, seu talento atravessou a ponte, trabalhando com o Canal Saúde, um projeto da Fiocruz, unindo entretenimento e papel social da comunicação. Ele vibra com o sucesso que a série vem alcançando no Brasil e no mundo:

“Acredito que o sucesso que esse projeto vem obtendo nos festivais do mundo todo deva-se à dedicação de toda uma equipe apaixonada que entendeu e comprou a ideia desde o começo. Câmeras, produtores, som, pré-produção, editores e demais diretores, todos se empenharam para contar as histórias de nossos personagens de forma humana e verdadeira” finaliza.