Mostrando postagens com marcador Sossego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sossego. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Acadêmicos do Sossego: Tambores de Olokun na Avenida


A Acadêmicos do Sossego - agremiação de Niterói, com base no Largo da Batalha - celebra em 2020 o seu Jubileu de Ouro, e por isso, quer entrar na avenida para comemorar e, mais do que nunca, mostrar o seu valor. A escola virá com o enredo “Os Tambores de Olokun”, e vai atravessar a Marquês de Sapucaí saudando as águas e o mar, com referências à África e a Ancestralidade.
Com 2.100 componentes divididos em 24 alas, três carros alegóricos e um tripé, a Sossego será a primeira escola a abrir os desfiles do sábado de carnaval, dia 22 de fevereiro, na Série A. A exemplo de Viradouro e Cubango, a agremiação também realizou diversos ensaios de rua na Amaral Peixoto, para que sua comunidade pudesse treinar canto, harmonia e evolução, quesitos fundamentais para fazer a diferença no dia do desfile.
"Um dos destaques do desfile da azul-e-branca será a comissão de frente: com certeza, vai impactar o público na arquibancada”, explicou Alexandre Dias, diretor de carnaval da Sossego.
Fotos Luana Dias
O carro de som, comandado por Nêgo, e com um forte reforço de vozes femininas, é outro quesito de destaque da agremiação. O entrosamento com a bateria de Mestre Laion Jorge, com 230 ritmistas irão trazer instrumentos de origem africana, como alfaia, djembe, agogo bocas, e aposta na mistura com ritmos africanos e de outras regiões brasileiras para inovar e surpreender.
Atenção especial para o Setor 4 da agremiação, que celebrará ‘Os Tambores de Olokun’, grupo percussivo e de dança carioca que homenageia o sagrado orixá da nação Nagô Egbá. Por tanta admiração a todos os elementos sagrados e profanos que envolvem o folguedo, o grupo realiza oficinas de percussão e dança, respeitando e contribuindo para divulgar estas tradições musicais, históricas e religiosas de nossa identidade afro-brasileira.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Série A: o Carnaval da resistência, criatividade e superação


Cubango, Sossego e Porto da Pedra representam Niterói e São Gonçalo na disputa por uma vaga no Especial

Sossego conta com a garra de seus
componentes
(foto Luana Dias)
Apesar da excelente safra de enredos e de sambas, o Carnaval 2019 está sendo marcado pela redução da verba oficial da Prefeitura do Rio, exigindo que as escolas se reinventem ainda mais para conseguir apresentar um espetáculo à altura do que é aguardado pelo público. A Série A sentiu ainda mais o peso deste corte; algumas agremiações do grupo sequer conseguiram garantir um barracão para desenvolver seus trabalhos, como foi o caso da Alegria da Zona Sul ou da Acadêmicos de Santa Cruz. As três agremiações de Niterói - Viradouro, que acaba de subir ao Especial, Cubango e Sossego -  no entanto, puderam respirar um pouco mais aliviados na reta final dos preparativos, com o apoio da Prefeitura de Niterói no valor total de R$ 4  milhões em subvenção. O aporte deu novo fôlego e permitiu que o trabalho ganhasse novo ritmo nos dois últimos meses que antecedem a folia.    
A primeira representante do outro lado da Baía de Guanabara a se apresentar na Sapucaí é a Acadêmicos do Sossego. A agremiação virá com o enredo "Não se meta com a minha fé. Acredito em quem eu quiser". Para driblar as dificuldades financeiras impostas pelos cortes de verba oficial deste ano, o carnavalesco Leandro Valente precisou investir ainda mais na criatividade para não perder a beleza do espetáculo.
Uma das soluções simples encontradas para as alegorias está no abre-alas, onde uma escultura ganhou o acabamento de nada menos que 88 mil copinhos descartáveis de café. O carro representa um navio para trazer a ideia de que "estamos todos no mesmo barco no caminho da fé".
Cubango  busca as suas raízes com enredo sobre
amuletos e religiosidade (foto Hyrinea Borneo)
Outro destaque da Sossego é o samba-enredo; pelo quarto ano consecutivo, a agremiação optou por encomendar uma obra a um grupo de compositores, liderado por Felipe Filósofo.  O samba une três inovações usadas nos três anos anteriores : a letra é sem rima, sem verbo e em forma de diálogo. A riqueza melódica da composição completa a receita de sucesso.
A Unidos do Porto da Pedra, representante de São Gonçalo na Série A, aposta no carisma de um dos grandes nomes do teatro, cinema e da TV brasileira para arrebatar o público e os jurados. O "Tigre" será a quarta escola a desfilar no sábado, e levará para a Marquês de Sapucaí o enredo: “Antonio Pitanga, um negro em movimento”, desenvolvido pelo carnavalesco Jaime Cezario.
O artista homenageado completa 80 anos em 2019, sendo 60 dedicados à Arte. Ele vem participando desde o início dos ensaios e eventos da agremiação, sempre rodeado de amigos, família e fãs. A força do canto da comunidade tem sido destaque nos ensaios de quadra e técnicos.
"Com todos os cortes de verbas que sofremos, estamos literalmente tendo que mostrar com quantos paetês se faz um Carnaval. Nossa aposta é num enredo popular, de um artista que veio do povo, humilde, e com a mensagem de que o impossível não existe", afirma Jaime Cezário.
Segundo o carnavalesco, o enredo tem o desafio de realizar uma homenagem a um artista em vida, com a carreira e a trajetória de Antônio Pitanga.  Para isso, Cezário escolheu desenvolver o tema em quatro "movimentos": a primeira parte o nascimento e o início em Salvador; o segundo se refere à importância deste ícone para o cinema nacional, sendo o primeiro ator negro. O terceiro momento é o trabalho do ator no teatro e na TV, com o desafio de compilar a extensa carreira de Pitanga nos palcos e na telinha. A quarta e última parte é o Rio de Janeiro, onde o ator escolheu para viver e criar os seus filhos, e onde conquistou a consagração.
Os atores Camila Pitanga e Rocco - filhos de Antonio Pitanga - já estão confirmados como destaques em carro alegórico que fala sobre a Cultura. A agremiação, no entanto, não revela onde o homenageado virá. O mistério paira também sobre como virá o Tigre, símbolo maior da escola que figura no abre-alas.    
Encerrando os desfiles da Série A, a Acadêmicos do Cubango será a sexta escola a entrar na avenida no Sábado de Carnaval. A verde-e-branca de Niterói irá apresentar o enredo "Igbá Cubango - a alma das coisas e a arte dos milagres", de autoria da talentosa dupla de carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad. O enredo traz uma conexão profunda com as raízes da agremiação: já no carro abre-alas, uma escultura fará referência à "Afoxé" um dos carnavais vencedores e memoráveis da escola. A riqueza de detalhes, e a profundidade e diversidade da pesquisa realizada vem ocasionando elogios por parte da imprensa especializada.
A bateria de Mestre Demétrius, composta por 240 ritmistas, e o belo samba de autoria de Sardinha e parceria também tem conquistado o público e a crítica, e fechando a fórmula do "chão" de canto, dança e harmonia da comunidade . Sendo a última escola a desfilar, a agremiação terá ao mesmo tempo a responsabilidade e a chance de brilhar, surpreender e - quem sabe - sonhar com o tão desejado título da Série A. 
Confira a ordem dos desfiles
Na sexta-feira, dia 1 de março se apresentam Unidos da Ponte, Alegria da Zona Sul, Acadêmicos da Rocinha, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel, Inocentes de Belford Roxo e Acadêmicos do Sossego.
Já no sábado, dia 2 de março, é a vez de Unidos de Bangu, Renascer de Jacarepaguá, Estácio de Sá, Unidos do Porto da Pedra, Império da Tijuca e Acadêmicos do Cubango.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Filósofo do Samba

A série "Apaixonados pelo Samba" conta a história do professor e compositor Felipe Filósofo

'Filosofando'
(fotos acervo pessoal)
Felipe Ribeiro Siqueira, 35 anos: quem vê este nome na carteira de identidade não tem idéia de quem seja.  Segundo o próprio, esta pessoa "já morreu": agora, só existe Felipe Filósofo. Professor - ou "provocador" como prefere ser chamado - de Filosofia para alunos do Ensino Médio em Niterói e São Gonçalo, Felipe é também cantor e compositor, autor de dezenas sambas-enredos premiados no Carnaval.
Felipe Filósofo mora numa casa no bucólico bairro do Rio do Ouro,  na companhia do galo Lampião, seu fiel escudeiro, e de sua mãe, sua principal apoiadora. Apreciador do jeito simples de viver, ele tem uma forma peculiar de compor:
" Meu método é o que chamo de Antropofagia amorosa. Eu devoro todos os sentimentos amorosos que o mundo pode proporcionar, 'rumino' e depois devolvo pro mundo em forma de notas musicais. Filosofia não se aprende, se aprende sim, a filosofar", define Felipe.
A origem da paixão pela música vem da Seresta: no quintal da sua casa, seu pai - sr. Darcy, falecido em 2008 - realizava várias noites de festa.  Em seguida, veio o interesse pelo Samba de Partido Alto, que foi quando Felipe começou a compor.
"Professor-provocador": aulas de Filosofia pouco convencionais
O apelido - que virou sua marca registrada, veio antes mesmo dos tempos de Faculdade.
"Quando cursava ensino médio, meu avô faleceu, e meu tio resolveu me dar um livro do Platão sobre a Morte, chamado Fédon. Numa das passagens do livro, um escravo pergunta para o Sócrates: o que você faz da vida? E ele respondeu que ele era músico. Porque filosofia é música para a Alma. Então, me apaixonei e comecei a estudar filosofia por conta própria", conta.
A busca por uma oportunidade o levou para o mundo do samba-enredo: quando ainda era um compositor desconhecido, era difícil que alguém o deixasse cantar numa roda de samba. "Numa escola de samba era mais fácil; após entrar na Ala de Compositores, você tem certeza de que pelo menos na primeira eliminatória, o samba será cantado. O samba-enredo me abriu muitas portas", afirma.
O galo Lampião: fiel escudeiro
Na lista de sambas campeões estão os hinos da Acadêmicos do Sossego, em 2012, 2013, 2015, 2016 e 2017; e os sambas da Unidos do Viradouro nos anos de 2012, 2016 e 2017. No ano passado a composição da sua parceria conquistou também um Estandarte de Ouro de Melhor Samba-Enredo para a escola vermelha-e-branca. Ele ganhou também inúmeros sambas na Escola de Samba Unidos da Região Oceânica, além de compor por 13 anos seguidos no Bloco Cachiblema.
Felipe Filósofo faz parte também de um movimento chamado "Samba na Fonte" que atualmente se apresenta no "Vaca Atolada" na Lapa, e no casarão da Pedra do Sal. É um movimento onde o compositor precisa apresentar músicas inéditas e autorais.
Com a mãe: fã e incentivadora
"Falta poesia no mundo, as pessoas estão insensíveis, e a filosofia tem um objetivo que é a trindade filosófica: liberdade, amor e imaginação, pela via da beleza. A aliança filosofia e arte é importantíssima. Compor é você juntar fragmentos de beleza  na atmosfera da vida, e é por isso que eu componho", finaliza.