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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Uma família que reina no mar

O casal Américo e Lena conquistam diversos campeonatos e já iniciam o filho Kauai de apenas 11 anos

O horizonte desbravado pelo mar é o paraíso do casal Lena Guimarães Ribeiro e Américo Pinheiro Junior. Natural de Niterói, filha Paulo Rodrigues, professor do Teatro Municipal do RJ, Lena se mudou para Arraial do Cabo após se casar com Américo. A proximidade com o mar e a vida mais calma possibilitou o início no Stand Up Paddle, modalidade onde o atleta rema de pé em uma prancha.
Lena se consagrou vice-campeã brasileira de SUP race (regata) em 2013 e é bi campeã do Rei de Búzios, tradicional prova da modalidade. Também é a atual campeã do circuito Rei e Rainha do Mar, que terá mais uma prova no dia 31 de agosto. Américo é bicampeão brasileiro máster de SUP race e acabou de retornar de uma temporada no Havaí onde ficou em terceiro lugar na categoria duplas na mais tradicional prova da modalidade, a M2O, travessia de 54km de Molokai para Oahu.
O casal participou recentemente do mundial de vaa (canoa polinésia) na Lagoa Rodrigo de Freitas, quando Lena e Américo ficaram entre os seis melhores do mundo integrando as equipes CNCF (V6 1500m) e Samu máster (V12 500m), respectivamente.
Mas na família não é só o casal que se aventura em esportes no mar: com apenas 11 anos, o filho mais velho Kauai Pinheiro surfa desde os 2 e já foi campeão estadual de surf sub 8. Neste mês Kauai conquistou o terceiro lugar na categoria infantil na etapa do circuito ANS (Niterói) e na etapa do estadual. O caçula da família, Maui, ainda não compete, mas acompanha todos os eventos e com certeza estará em breve contribuindo para a coleção de troféus da família.

Além do circuito brasileiro de SUP e de outras importantes competições este ano o casal se prepara para uma temporada de competições no Havaí em 2015. Os treinos não param enquanto correm atrás de patrocínio. 
Para quem quiser acompanhar um pouco da rotina sobre as pranchas deste casal é só acessar o site www.americoelena.com.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Itaipu - "Pedra que canta"

 Por Jorginho Bellas
Em 1970, companhando meu pai, Jorge Bellas, aos meus 7 anos de idade, aportei neste paraíso de águas calmas, limpa e de uma beleza natural inigualável.Com vista para a Praia de Copacabana, Pão-de-Açúcar e para o Cristo Redentor, que é uma das sete maravilhas do mundo, a Praia de Itaipu, em sua Vila dos Pescadores, tem a pesca e o comércio deste pescado como base da sua economia. A maneira como desfrutar deste presente da natureza fica a critério do visitante: desde frequentadores assíduos a turistas de primeira viagem têm a oportunidade de levar um peixe fresquinho para suas casas e elaborarem o seu próprio preparo ou, então, saboreá-los nos diversos bares e restaurantes de alta qualidade, especializados em frutos do mar, que a Praia de Itaipu tem a oferecer. A culinária local é bastante familiar, passada de geração em geração, o que acabou tornando uma tradição degustar um enorme cardápio de frutos do mar , contemplando um pôr-do-sol que está entre os mais belos do mundo, e, claro, acompanhado de uma boa cervejinha gelada.
Para tornar esse passeio mais especial, a Praia de Itaipu conta com a história local. O visitante tem a oportunidade de conhecer a história da Igreja de São Sebastião, fundada  pelos  Jesuítas em 1722, e o Convento de Santa Tereza, onde hoje abriga o  Museu  Arqueológico  de  Itaipu. E, dando aquela última pincelada na obra da natureza, a  Duna  Grande, que é um sítio arqueológico, e a  Serra da Tiririca dão um toque especial de beleza, romantismo e nostalgia a nossa praia.
Cronologia e fatos marcantes
- 1716 – Já existia uma Capela destinada a atender a comunidade dos  pescadores  e  índios  catequizados.  Sua  fundação  Jesuíta foi dedicada a São Sebastião, sendo promovida à Paróquia de São Sebastião de Itaipu em 1722, atualmente, muito bem representada pelo  Padre Casemiro e Padre Juliano.
- 1920 – a  Festa de São Pedro foi criada em 1920 pela tripulação de seu Manduca.
- 1921 – Fundação da Colônia de Pescadores pelo Almirante Frederico Vilar, o qual foi responsável pela Fundação de todas as Colônias de Pescadores no Brasil.
- 1958 – A atual Praia de Camboinhas, era uma extensão da Praia de Itaipu.  O nome Camboinhas, teve origem com um acidente naval  ocorrido em junho de 1958 onde um cargueiro  chamado  Camboinhas, encalhou,  na Praia que fazia parte de Itaipu, passando assim a se chamar esse trecho de Camboinhas.  Em meados da década de 1970 é construído  o Canal de Itaipu que liga o mar a Lagoa de Itaipu, separando assim a Praia de Itaipu da Praia de Camboinhas.
- 1961 – neste ano a União cedeu o Canto Sul da Praia de Itaipu para os Pescadores tradicionais sob administração da Colônia.

Do Comércio
Na década de 50, o comércio em Itaipu era basicamente para atender a demanda local, onde mercearias bem primárias atendiam os moradores (pescadores), como no caso do Sr. José Bonifácio (avô do Seu Chico) e Seu Lelêgo, muito lembrado por vender  fiado aos moradores.
Nos  anos 60/70, a pensão da Tia Joana (atualmente Bar da Tia Joana), o Bar e Restaurante Varandão e o Bar Último Furo (famoso pelos seus bolinhos de peixe) chamaram a atenção de turistas, que passaram a frequentar cada vez mais.
A partir dos anos 80, com uma demanda cada vez maior, muitos pescadores passaram a dividir seus ranchos (barracões) com seus barcos, abrindo lugares para colocar mesas e vender seu peixe já preparado para ser consumido no local. A princípio, seus familiares (mulher e filhos) eram a mão de obra, desenvolvendo, assim, uma culinária original e tradicional da nossa Praia de Itaipu. Neste momento, surgia o Pólo Gastronômico, especializado em frutos do mar, no qual podemos citar alguns bares e restaurantes mais antigos que preservam a qualidade tradicional de sua culinária até os dias atuais, entre eles, destacamos o Bar e Restaurante do Jorginho, Panela Furada, Casa da Sogra, Bar do Paulinho, Bar da Déia, Léo Velasco, Sabino’s, Canoas, Tia Joana e Varandão.
Não poderíamos deixar de mencionar o Grupo Garoupa que era formado por mergulhadores, pescadores e frequentadores  da Praia de Itaipu, que tiveram grande influência nas melhorias de infraestrutura e interação social no fim dos anos 70 e no decorrer dos anos 80, os quais promoveram a Festa de São Pedro, famosa até hoje, em um grande evento turístico da Cidade de Niterói.
Com o aumento da frequência turística, comerciantes, pescadores e moradores se uniram em busca de soluções e ordenamento para a preservação do local, surgindo, assim, associações como a ACOMPI (Associação de Comerciantes e Moradores da Praia de Itaipu), ALPAPI (Associação Livre de Pescadores e Amigos da Praia de Itaipu) e AMAITA (Associação de Moradores de Itaipu) gerando  uma maior interação com o Poder Público, como a Prefeitura de Niterói, SEDRAP, SPU, INEA, MPF entre outros. Sempre em busca de meios para melhorar o desenvolvimento econômico, preservando o meio ambiente através da sustentabilidade.
Dentre várias ações, podemos destacar duas conquistas recentes oriundas dessa união: a RESEX (Reserva Extrativista Marinha de Itaipu) e o Projeto Pequenas Dunas de Itaipu.
A  RESEX, Reserva Extrativista Marinha de Itaipu, foi uma conquista dos pescadores tradicionais, apoiados pela maioria dos moradores e comerciantes da Praia de Itaipu, cujo propósito é defender seu modo de vida e a manutenção de sua cultura.
O Projeto Pequenas Dunas de Itaipu é uma integração sócio educativa desenvolvida pela Igreja de São Sebastião de Itaipu, representada pelo Padre Casimiro, em parceria com o Museu Arqueológico de Itaipu e com as Associações  de comércio, moradores e pescadores da Praia de Itaipu, a partir da qual será realizado o plantio de restinga, revitalizando a vegetação nativa, com o objetivo maior de preservar o meio ambiente.
É mister salientar que o Projeto Aruanã, representado pela bióloga e pesquisadora Suzana Guimarães e sua equipe, realizam o importante papel de cuidar, acompanhar e preservar as tartarugas marinhas que habitam a Praia de Itaipu há uma década.
Com um histórico tão rico e uma tradição que atravessa séculos, eu, Jorginho Bellas, tenho muito orgulho de ser um cidadão niteroiense e fazer parte da história de Itaipu. 
Jorginho Bellas é presidente da Associação do Comércio e Moradores de Itaipu