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sábado, 19 de maio de 2018

Coluna Compartilha - Maio/2018

por Washington Araújo
Décio Machado (à direita), com Oton São Paio (centro), fundador da
AGLAC e Antonio Gomes Eduardo, poeta e gestor da Livraria Guttenberg
(foto Washington Araújo)
AGLAC comemora 44 anos
Presidida pelo eminente escritor e poeta Décio Machado, Academia Gonçalense de Letras, Arte e Cultura comemora 44 anos de existência. E, dentro das festividades estão programados vários eventos tais como lançamentos editoriais de acadêmicos, e visita dos integrantes da AGLAC às unidade escolares.
Fundada em 1974 pelo poeta e escritor Oton São Paio, a AGLAC, com sede na ICBEU (Pc Zé Garoto) e também no Café Cultural Seu Machado tem atualmente em seus quadros 60 acadêmicos, na sua maioria nascidos em São Gonçalo.
No mês de junho, entre os eventos programados para assinalar o aniversário, haverá o lançamento do livro "Iverson, o caçador de Letras", conforme explica o autor, Décio Machado:
“Estou lançando este título pela minha própria editora, a Editora Machado, que foca em lançamento de autores locais, portanto, com tiragens reduzidas e dentro das posses de cada escritor”.
Segue em curso também o projeto "AGLAC nas Escolas", que tem como objetivo fortalecer a biblioteca das unidades escolares, promover festivais de poesia e, descobrir novos valores em sala de aula. A academia busca também lançar a Mini AGLAC, a academia de letras mirim da cidade.
Bicampeão Mundial de Futebol visita São Gonçalo
A Escola Municipal Pastor Haroldo Gomes, em Itaúna, deu início na última sexta-feira, dia 4 de maio, ao Projeto “Nossa Copa: uma jogada consciente, trabalhando Valores e Cultura”. A abertura das atividades contou com a participação do inesquecível jogador de futebol Jair Marinho, bicampeão das copas de 58 e 62. Jair conversou com os alunos e professores e contou passagens marcantes de sua carreira no futebol brasileiro.
O projeto visa tratar de questões culturais, sociais e de meio ambiente, e visa trabalhar com todos os segmentos, desde a Educação Infantil até a EJA (Educação de Jovens e Adultos). Segundo a diretora Andréa dos Santos Vianna, “essa semana serão realizadas palestras sobre a importância da preservação do meio ambiente, além de homenagem às famílias”.
As atividades se estenderão até novembro, com a realização de campeonatos esportivos e palestras sobre cidadania e a importância do voto. A programação será encerrada com atividades relacionadas à Consciência Negra. O projeto foi idealizado pelas orientadoras pedagógicas Cátia Marques e Sandra Erli.

Semana de Prevenção da Hipertensão
Dra. Danielli Sueth desvenda mitos e verdades sobre hipertensão
e outras especialidades da área de Nutrição (foto Washington Press)
No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 17 milhões de pessoas sofrem de hipertensão arterial. A doença, que faz com que os vasos sanguíneos se contraiam mais do que o necessário, dificultando a passagem do sangue, pode levar anos para demonstrar os primeiros sintomas, por isso recomenda-se a medição periódica da pressão.
Drª Danielli Sueth, especialista em Clínica Médica, Idoso, Alimentação e Diabéticos alerta sobre alguns mitos e verdades relacionados à doença.
  • A OBESIDADE LEVA AO QUADRO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL - Verdade. Embora não seja a única condição que possa levar uma pessoa a desenvolver a doença, a obesidade aliada ao sedentarismo é um dos principais fatores de risco.
  • · JOVENS E CRIANÇAS PODEM APRESENTAR PRESSÃO ALTA - Verdade. Embora o quadro de hipertensão ainda seja mais comum na terceira idade, tem afetado pessoas cada vez mais jovens.
  • ·HIPERTENSÃO SÓ É CONTROLADA POR MEIO DE MEDICAMENTOS - Mito. Muitas pessoas apresentam uma melhora significativa do quadro apenas com a mudança do hábito alimentar. Diminuir o consumo de sal e alimentos industrializados já faz uma grande diferença. “Há quem consiga fazer mudanças na rotina alimentar e de exercícios e obter uma redução da pressão arterial. Em alguns casos é preciso usar o medicamento pelo resto da vida”, pondera a especialista.

A médica integra e dirige o Espaço Saúde & Foco, em Venda da Cruz, em São Gonçalo.Os leitores que levarem este exemplar do Jornal Casa da Gente terão um desconto exclusivo na primeira consulta.  Mais informações pelo telefone: (21) 98552-7004. O Espaço Saude & Foco fica na Alameda D. Pedro II, 620 – Venda da Cruz, e funciona de segunda a sexta-feira. 
Thiago Mello, nascido e criado em São Gonçalo,
lança o primeiro livro e se prepara para conhecer
a Europa (crédito: divulgação)
O Falso Paraíso: autor gonçalense quer conquistar o mundo
Nascido e criado em São Gonçalo, Thiago Mello reuniu amigos e admiradores na sexta, 16 de fevereiro, para o lançamento de "O falso paraíso", seu primeiro livro. O evento aconteceu no Bizu Bizu, no Reserva Cultural e teve apoio e realização do Acesso Cultural.
Thiago Mello vai circular no meio literário atendendo a convites enquanto se prepara para uma temporada de um ano em Cork, na Irlanda. Na tradicional Escola COT, o jovem de 25 anos vai estudar e se aprimorar no idioma inglês com o objetivo de consolidar projetos futuros já em andamento.


Para o diretor da emissora, Oziel Santos, a TV GTG vai se
consolidar em pouco tempo, cobrindo eventos em toda
São Gonçalo (foto divulgação)
Nova TV on-line tem sede em SG
Com sede no bairro Trindade, a TV GTG já está no ar via web. Com ampla cobertura, a TV tem foco gospel, e inclui em sua cobertura festividades de igrejas, congressos e jubileus.
“Estamos operando inicialmente com uma programação bastante dinâmica durante 12 horas, ao longo do dia. E disponibilizamos o melhor jornalismo local, prestação de serviços aos moradores de São Gonçalo, música nacional e internacional, além De ampla cobertura jornalística e produção de eventos voltados ao público gonçalense”, afirma Oziel Santos, Diretor Geral da TV.
O site da emissora é www.tvgtg.com.br. O telefone e whatsapp para sugestões e informações é (21) 96449-2299


quarta-feira, 23 de julho de 2014

País, Família, Pessoa, Futebol

Mauro Romero Leal (especial para o CASA DA GENTE)

Dr. Mauro Romero Leal Passos e seu filho caçula Gabriel, de 8 anos
(Foto Acervo Pessoal)
Um país, uma família, uma pessoa se constrói com vitórias e derrotas. Ambas, vitória e derrota não são definitivas. Ambas são necessárias. Ambas vão sempre coexistir. É a vida. E a vida é para ser vivida. Sofrida. Amada. Como uma mãe que dá luz a seu filho.
Com ambas, vitória e derrota podemos aprender, crescer. Se for o nosso desejo. Um jogo de futebol, uma Copa do Mundo é muito importante. Mas, não deve ser maior do que a capacidade e a tranquilidade para consolar uma criança em prantos que assiste o seu time perder. Não pode ser maior do que o entendimento de que seres humanos cometem falhas. E que além de apontar falhas devemos criar condições para as correções. Chutar um cachorro morto pode ser fácil. Querer uma “selfie” com um famoso que está com uma medalha no peito pode ser mais fácil, ainda. Todavia, para ser um verdadeiro vitorioso temos que apoiar e estender a mão para quem sofre uma queda. Para quem está no chão isso não é esquecido. Para quem deu apoio, uma sensação de felicidade toma conta do coração e da alma. Faz um bem!
Por outro lado, o sofrimento, o luto, pode gerar muitos bons frutos. Muitas vitórias. Muitas alegrias.
Certa vez uma paciente me disse: “Eu agradeço todos os dias por ter contraído HPV. Por ter pego HPV aprendi muito na vida. Aprendi como falamos e ouvimos coisas erradas...”
De Betinho (Herbert de Sousa) ouvi: “Eu não queria ter aids, mas já que ela veio eu vou lutar para que outras pessoas não passem o eu passo. Eu vou transformar esse grave problema em grandes oportunidades”.
Em certo momento da vida, década de 1970, para ter o meu próprio dinheiro eu fui procurar emprego no comércio. Fui rejeitado para a função de escrever notas fiscais.
No instante seguinte de ouvir a palavra não eu me senti o mais incompetente dos jovens. Não consegui um emprego de tirar notas fiscais.
Em casa, minha mãe falou: “Quem perde são eles, que não te empregaram”.
Em outro momento, de uma turma de especialistas em ginecologia fui o único reprovado para ingressar no curso de mestrado. No ano seguinte, entrei no curso e acabei terminando o mestrado, e o doutorado, na frente de quase todos os outros da minha turma.
Hoje, sou médico, professor, escritor de livros médicos, diretor de uma editora de uma universidade federal, editor de um periódico científico internacional. Daquelas e de tantas outras derrotas que tive na vida (e foram muitas) tirei forças, dedicação para na frente, alcançar novos objetivos.

O Brasil é o país do futebol, de pentacampeões mundiais, de Pelé...
Da Fórmula 1, de Ayrton Senna, de Emerson Fittipaldi...
Do Samba, de Cartola, de Adoniran Barbosa, de Martinho da Vila...
Do Chorinho, de Pixinguinha...
Da Música popular, de Tom Jobim, de Chico Buarque, de Caetano Veloso...
De Boas músicas clássicas, de Villa-Lobos...
Das Artes, de Fernanda Montenegro, de Paulo Autran, de Glauber Rocha...
Das Formas, de Oscar Niemeyer, de Cândido Portinari, de Di Cavalcanti, de Tarsila do Amaral
Das Letras, de Carlos Drummond de Andrade, de Jorge Amado, de Vinicius de Moraes...
Da Saúde pública, de Oswaldo Cruz, de Carlos Chagas, de Vital Brazil...
Da Medicina, de Ivo Pitangui, de Eurycrides Zerbini...
Das Ciências, de Paulo Freire, de Gilberto Freyre, de Anísio Teixeira, de Cesar Lattes...
Da Aviação, de Santos Dumont...
Da Luta para preservação da natureza, de Chico Mendes...
Da Preservação dos índios e de sua cultura, de irmãos Villas Boas...
Da Luta contra a aids, de Betinho...
Do Futevôlei, do futebol de salão, da altinha, da canga, do frescobol, da jabuticaba, da caipirinha... da floresta amazônica, pulmão do mundo...
Um país não se constrói com alguns heróis. Os heróis apenas nos inspiram, para que todos cumpram, com eficiência, honestidade, liberdade, igualdade, fraternidade, amizade os papéis que representam em uma sociedade democrática.
O Brasil é país de um povo feliz, que sabe, até, fazer alegria de suas adversidades. Que sabe aplaudir as vitórias merecidas.
Da liberdade de poder expressar os mais diversos sentimentos. Para contrapor argumentos. Para ampliar pensamentos.

(Mauro Romero Leal Passos é brasileiro, 60 anos, casado, pai de cinco filhos)
 

domingo, 29 de junho de 2014

Copa do Mundo - O Sonho Brasileiro

A torcida brasileira participa de todos os jogos (foto: Danilo Borges/Portal da Copa)
A Copa Mundial de futebol no Brasil começou as avessas, com gol contra de Marcelo. O hexacampeonato é ainda um sonho. As zebras são a marca desta competição.

É o que apontam até agora os resultados da campanha das seleções na maioria dos jogos, inclusive nas observações de torcedores e especialistas de futebol. Ninguém se arrisca a apontar o Brasil como favorito, depois da performance das primeiras partidas. O time ainda não se entrosou, o que os torcedores esperam que aconteça de agora em diante, o que chegou a irritar Felipão na coletiva à imprensa, após a partida com o México.

OPINIÃO

“Vou deixar de lado o aspecto político e falar, apenas, no aspecto técnico. A Copa do Mundo, no Brasil, está sendo um sucesso. Público participando, ativamente, gramados em excelentes condições, seleções motivadas, média de gols alta, enfim, superou minha expectativa. O Centro de imprensa, na Barra da Tijuca, é sensacional. Toda estrutura, assim como a locomoção dos jornalistas para o estádio. Não ficaremos devendo nada para ninguém. Esta é a minha sensação. A grande expectativa é que a nossa seleção corresponda, ganhando esse torneio.”
Carlos Alberto Parizzi
Comentarista de futebol da Bradesco Esportes FM, BandNews e CNT.



“O Brasil precisa ser mais rápido nos seus toques de bola. Se está tecnicamente e fisicamente bem, é preciso demonstrar isso, pois o futebol de hoje é mais rápido, poucos toques de bola e a concretização principal das jogadas, que é obviamente, o gol. Sou daqueles que ainda acredito no sucesso do nosso selecionado. Eu colocaria, além de Neymar, um outro homem indo direto no trabalho de gols, com dois atacantes.”

Jair Marinho
Técnico de escolinha de futebol e campeão do mundo.

“Na minha visão, a seleção brasileira não está mal, porém não vejo ainda um bom aproveitamento. Apesar do empate com o México, resultado que aponto como o bom desempenho do goleiro mexicano, tenho certeza que passaremos por esta fase. Agora, o perigo é o mata-mata, quando eu espero mais velocidade, uma maior participação do Fred, procurando se revezar e mais ação no ataque.”
Roberto Miranda


Em seus comentários tem demonstrado que o Brasil ainda não está no ponto esperado, deixando claro que é preciso maior entrosamento e jogadas rápidas e certeiras.
Gerson, o eterno canhotinha de ouro da seleção brasileira.


“Nossos jogadores precisam ter mais humildade, não existe mais time pequeno, quem chega numa Copa do Mundo é porque tem valor. A prova são os resultados até agora. Porém acredito que vamos chegar lá, sem salto alto, jogando com mais garra.”
Cesar Rizzo é comentarista esportivo

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Futebol de Niterói

Entre crises e fusões o futebol de Niterói, mesmo aos (trancos e barrancos) consegue se manter vivo.
Por Cezar Rizzo

Cezar Rizzo
Os clássicos sempre foram a grande atração do futebol niteroiense até surgir á fusão com o Estado da Guanabara.
O Clássico da Zona Sul.
Fundados no aristocrático bairro de  Icaraí no ano de 1913, Canto do Rio e Fluminense se enfrentaram pela primeira vez em 1919, pois até então o clube  alvi-anil  disputava campeonatos em outra entidade, a LFDT. Dispondo ambos de grande quadro social e ligação com a chamada “fina Sociedade”, os clubes dividiam a preferência da elite da zona sul da cidade, mesmo antes do primeiro confronto classificado pelo jornal “O ESTADO DE NITÉROI” como  “ o ansiosamente aguardado match entre os clubs prediletos do bairro”.  
Curiosamente ambos os clubes se mudariam para o centro da cidade nos anos 30/40, deixando para trás a zona sul onde nasceram.
O Clássico da ZONA NORTE
Ao passo que o “ Clássico da Zona Sul” disputava a preferência das altas classes niteroienses, o “Clássico da Zona Norte” era mais popular, pois envolviam dois clubes de origem operária do bairro Barreto: Bayron, ligado à Cia Manufatora Fluminense de Tecidos; e Barreto,ligado a “ Cia. Fiat  Lux de Phosphoros”. Os confrontos entre essas duas equipes eram recordistas de público, segundo os jornais da época, e palco de grandes confusões. Algumas recordações desse clássico podem ser encontradas na biografia de Zizinho(o maior jogador/craque) do futebol niteroiense de todos os tempos),e que começou sua carreira no Bayron.
Em meados da década de 1920, dois clubes a até então considerados médios passam ao status de “grandes” da cidade: o Ypiranga e o Nictheroyense Football Club. Na verdade, essa ascensão deve-se ao fortalecimento do Ypiranga, ganhador de vários títulos - tendo o Nichteroyense “pegado carona” na ascensão ypiranguense na condição de ser seu maior rival, no por vezes chamado “Clássico do Centro” (embora o Ypiranga  fosse de São Lourenço,bairro muito próximo do Centro da cidade, onde o Nictheroyense tinha sede).
O termo “Clássico do Centro” no  entanto falhou em se popularizar, em parte devido às dificuldades do Nictheroyense  em acompanhar o seu grande rival.
Durante a década de 30 o conceito de clássicos por regiões cairia em desuso, e todos os jogos entre os membros do “Grupo do Seis”- Nictheroyense, Fluminense, Canto do Rio, Barreto Bayron e  Ypiranga – eram considerados clássicos.
Em meados de 40 a fábrica de fósforos fecharia o Barreto Footbal Club, acabando precocemente com um dos clubes mais populares da cidade. A década marcaria também o enfraquecimento do Nictheroyense, que de “grande” passaria apenas a “tradicional” nos periódicos da época.
A partir de 1941 o público de Niterói ainda viu o Canto do Rio,então considerado a maior torcida da cidade, passar a disputar o campeonato carioca, deixando apenas quadros secundários Nas disputas de Niterói.Em meio a grandes clubes de expressão nacional (como Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco), o clube atrairia a atenção e a simpatia de cada vez mais  moradores da cidade monopolizando aos poucos a preferência local, que passaria a acompanhar o Campeonato Carioca – e futuramente torcer para os times do Rio de Janeiro..
A passagem do Canto do Rio, pelo futebol do Rio de Janeiro tem três registros especiais:
A conquista do Torneio Início de Futebol no ano de 1955, quando venceu o Vasco da Gama por 3 X 0 (no tempo normal de jogo) isto no dia 5 de julho de 1953. Vice-campeão do mesmo torneio em 1962 (derrotado pelo Botafogo por 2X0) e a conquista do TROFÉU DISCIPLINA, oferecido pela Federação, ao clube que não tivesse jogador expulso durante a disputa do c campeonato de futebol em seus dois turnos.
As décadas de 1950-60 e a ascensão do Fonseca.
Em 1950 o Bayron e despejado do terreno da fábrica que passou a ser ocupado pelo Manufatora Atlético Clube, grêmio dos funcionários da fábrica.Sem campo e sem conseguir treinar o Bayron abandona o futebol.
Em 1952 o  Fonseca se torna profissional, e começa um domínio no futebol da cidade.Ypiranga e Manufatora também se fortalecem e acompanham o rival no profissionalismo, enquanto o Fluminense passa para um plano mais modesto, enfraquecido junto ao Niteroiense.Fonseca,Ypiranga e Manufatora passam a fazer os clássicos mais importantes da cidade- e uma grande rivalidade - extra campo-  surge entre os torcedores desses clubes (em especial o Fonseca) e o Canto do Rio. A rixa era motivada pelo fato do Canto do Rio ter se recusado a retornar ao seu campeonato de origem mesmo após o início do profisionalismo fluminense.
A grande crise e o último clássico. Após os abandonos do Ypiranga do profissionalismo, em 1959, do Fluminense, em 1958, e do Manufatora em 1963, foi a vez do Fonseca abandonar não só o regime profissional como o próprio futebol em 1965, dedicando-se desde então apenas as outros esportes.No inicio da década de 1970 um novo “clássico”, o  último a assim seer chamado em Niterói, surgiu entre Manufatora e Costeira,que respectivamente voltou/entrou no profissionalismo.A rivalidade no entanto, aparentemente era restrita entre os sócios dos clubes e incentivada pelo jornais locais, não conseguindo mobilizar o publico de Niterói, já iremediavelmente  dominado pelo futebol carioca.
Esse último clássico acabou em 1983, ano em que o Manufatora (agora rebatizado para ADN NITERÓI) fechou as suas portas. Aos jogadores de futebol, protagonistas desta história, famosos e não famosos, craques  ou não, a nossa homenagem  pelos  440 anos da velha província, a nossa querida NICTHEROI. Cezar Rizzo é locutor e jornalista.


A cidade é minha casa, os habitantes a família

Por Mário Dias

        
É assim que me sinto em Niterói, por todas as regiões da ex-capital fluminense, inclusive na periferia, comunidades e nos 52 bairros é chegar e aparecer alguém saudando-me “Dá-lhe, Mario Dias”, nome  e sobrenome que plantei em cada logradouro, fazendo reportagens, eventos, campanhas políticas, ouvindo reinvidações e “jogando conversa fora”.
         Nascido em São Gonçalo, vim morar ainda garoto com meus avós no Barreto, em Niterói, embora mantenha minhas origens no vizinho município. Lembro com saudade do extinto Mercado São Sebastião, na Praça Enéas de Castro,  no Barreto, onde havia um coreto com programas de calouros e shows comandados por Eugênio Ribeiro, um comunicador da década de 70. No local também aconteciam comícios políticos.
O Barreto era chamado da “capital da alegria”, com programação dos clubes Bandeirantes, Cruzeiro, Fiat Lux, Manufatura, Byron, Humaitá e Cinco Julho, estes dois últimos ainda resistindo ao tempo. Desfiles de blocos, principalmente o “Tudo sabe e nada diz”, “Zorro” e “Arrasta tudo”, um bom carnaval de rua, atualmente mantido pelo vereador Paulo Bagueira e outros abnegados.
        
Na Venda da Cruz e Tenente Jardim, os bailes e shows no Miami Clube além do Bloco Bafo de Bode. Na Engenhoca, as escolas de samba Corações Unidos e Canarinhos, além do Clube Guarani e o Bloco da Calça Lee. Na Vila Ipiranga, a Escola de Samba Sabiá, a mais velha de Niterói, e ainda a Caçadores da Vila.
         No Fonseca, os bailes do Marajoara, Caixotinho, e principalmente no Fonseca Atlético Clube, onde durante mais de 10 anos a Escola de Samba Acadêmicos do Cubango realizava excelentes ensaios, os quais eu comandava o microfone, sempre supervisionado por Nei Ferreira, fundador da verde-e-branca. Ainda no Fonseca, o bloco da chaleira, na Teixeira de Freitas.
         No Caramujo, a Escola de Samba Combinado do Amor, de onde surgiu a primeira passista internacional, Paula, que foi levada para o Salgueiro. Lá, exisita o Figueira, que promovia ótimas noitadas. No Cubango, além da Escola, o Centro Pró-Cubango, com festas embaladas por “charme”, um ritmo que está voltando. Em Santa Rosa, os blocos “Sai tarde, volta cedo, “Dominó”, “Preto e Branco” e a banda com o nome do bairro, assim como os clubes, “Pioneiros” e “Marieta”. No Vital Brazil, a escola de samba Sousa Soares, disputando popularidade com a Acadêmicos do Beltrão, sendo a “Garganta” berço da Escola de Samba Unidos do Viradouro.
        
Na Zona Sul, fundamos a Banda do Território Livre de Icaraí, batizada pela Banda de Ipanema e que teve a chacrete Fátima Boa Viagem como madrinha; a Unidos de Mem de Sá, com o jogador Gerson, eterno canhotinha de ouro, batendo o Bloco das Piranhas, agora completando 30 anos; o réveillon da Praia de Icaraí, os três com ajuda de Jerônimo, do Ponto Jovem, na época proprietário do Chalé. O Baile da Tropicália do Clube Central, sempre com a presença de Leila Diniz, que morava em Niterói, precocemente falecida num desastre aéreo. As noitadas de samba do Regatas Icaraí, onde também aconteciam competições náuticas. Em Charitas, a programação do Aero Clube, agora voltando nos fins de semana na Casa do Caranguejo, disputando espaço com a Academia de Niterói, em São Francisco, que mantém eventos às sextas-feiras e sábados; os bailes do Havaí e Tropicália, do Jurujuba Iate Clube, que se mantém ativo sob o comando de Jorge Mira; a Banda do Ingá, criação do vereador Gallo, uma tradição; os bailes do Gragoatá, e no Centro de Niterói, o maravilhoso Carnaval – considerado o segundo maior do Brasil por Jorge Amado, quando foi jurado, na Avenida Amaral Peixoto, que agora a União das Escolas de Samba e Blocos tenta resgatar. Na Região Oceânica, o inesquecível Hildo Mello, que era interventor da colônia de pescadores e atualmente a força e organização de Jorge Bellas, em Itaipu.
         Reafirmo que em cada bairro ou logradouro de Niterói, tenho dezenas de amigos, formando uma rede de informantes do CASA DA GENTE, aos quais nestes 440 anos da cidade, agradeço com carinho, a sinceridade, com a certeza de que sempre estaremos juntos.

         Nesta grande família, incluo líderes religiosos, simbolizados pelos padres Wallace  Assis, da Igreja de São João e Igreja de São Jorge; Pastor Nilson do Amaral Fanini (falecido), Miguel Gonçalves, do Centro de Pesquisa Afro-Brasileira e Maria das Dores Rocha, da Casa da Caridade Miguel Arcanjo.