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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Confinamento e convívio familiar

Pesquisa foca na perspectiva feminina durante o período de isolamento

Desenhos de Gisèle Bertin
Uma pesquisa recente desenvolvida por Luciana Campos, psicopedagoga e pós-doutoranda em Ciências Sociais, em parceria com Lucy Oliveira, doutora em Psicologia Social, destaca o papelfeminino em meio ao confinamento social obrigatório vivido durante a pandemia do coronavírus. As pesquisadoras, ambas professoras do curso de Licenciatura em Pedagogia ISERJ/FAETEC realizaram um questionário on line com 1011 mulheres, que buscou investigar as modificações de base no seio familiar, e ainda verificar como o papel da mulher se apresenta nessa nova organização.
"Buscamos iniciar algumas reflexões sobre responsabilidades como cuidar dos afazeres domésticos e da criação dos filhos na maioria das vezes ficam como encargo compulsório da figura feminina. Embora as mulheres estejam atuantes no mundo do trabalho, inclusive destacando-se em vários contextos em relação ao desempenho masculino, é importante refletir em que medida estas atribuições do doméstico ao universo feminino mudaram", explicam as pesquisadoras.
A pandemia leva às famílias a viverem em confinamento, a se relacionarem obrigatoriamente em tempo total. Assim sendo, o Covid-19 devolve uma estrutura familiar antiga, nunca vivenciada na modernidade.
"As táticas de sobrevivência diante do isolamento social exigem que os grupos familiares se reestruturem diante da convivência permanente e inevitável. São mães e pais que deixam de sair para o trabalho, crianças que ficam sem creche nem escola. Não tem passeios, nem divertimento fora do lar. Devem ser recriadas novas formas de convivência e manutenção do equilíbrio emocional", afirmam as psicopedagogas.
Desenho Gisèle Bertin
Com a família full time em casa, a quantidade de afazeres domésticos se multiplica. Quase 28% das mulheres diz que realiza trabalhos domésticos maiores que o restante da família, 16,6% diz que as tarefas foram reorganizadas, mas que ainda assim trabalha mais que o (a) parceiro(a), 16,6% divide as tarefas com o (a) parceiro (a) e também com os filhos. Apenas 10% diz que as tarefas domésticas são divididas de modo justo na família.
O acompanhamento das tarefas pedagógicas, já que a maior parte das escolas continua tendo aulas online, fica em sua maioria por conta da mulher, com 34,7% e apenas 11,9% dos (das) parceiros (as) dividem igualmente esta responsabilidade.
O evento que mais preocupa as mulheres que responderam à pesquisa é relacionada à duração deste tempo de confinamento (48%), seguindo a o desemprego como a segunda preocupação (19%), 11,7% preocupam-se com o aumento do próprio estresse e ansiedade e 11,4% com a estabilidade emocional das pessoas em geral.
Outro ponto importante levantado pela pesquisa é que grande parte das mulheres notou um acréscimo no índice de ansiedade: 77,3% em contraposição a 22,7% que não verifica aumento de ansiedade.
Dra. Luciana Campos
"O estresse e a ansiedade decorrentes do confinamento aumentam, o que é preocupante. As incertezas com relação ao futuro e as mudanças que ocorreram de maneira rápida e inesperada, favorecem o quadro e acreditamos que ainda estamos em um momento de adaptação às novas exigências dessa nova forma de viver. Considerando que muitas pessoas já traziam problemas emocionais, o agravamento da situação é uma realidade", apontam as pesquisadoras.
Apesar da conjuntura, a maioria das mulheres entrevistadas (91,1%) é favorável à continuidade da medida de confinamento como estratégia de diminuição do contágio, contra 8,9% que não é favorável. 
Lucy Oliveira
Embora possa não parecer, nem tudo são mensagens de pessimismo. Vide um pequeno percentual de casais cuja relação conjugal está ótima: 11,6%, com aumento de 10,5% de encontros sexuais. Outro ponto positivo: 16% das entrevistadas mencionam uma justa divisão de tarefas domésticas e 11,9% mediam em colaboração equânime com o parceiro a vida pedagógica dos filhos.
"Cultivamos a crença de que novos arranjos conjugais estão sendo gestados. Ou seja, novos homens estão sendo estruturados lado a lado com as novas mulheres", finalizam as pesquisadoras.
O artigo e a pesquisa completa estão disponíveis na revista Metaxy, daUFRJ .


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Inscrições abertas para a Disney Magic Run

Corrida e caminhada que acontecem no Rio, no dia das Crianças
A Disney Magic Run, que acontece primeira vez no Rio, está com inscrições abertas. O evento será no Dia das Crianças, no Aterro do Flamengo, nas modalidades Caminhada com a família (3km) e Corrida individual (6km).
“A Disney Magic Run reúne corrida, caminhada e entretenimento para toda família. É voltada ao bem estar e incentiva o esporte e a convivência entre todos” afirma Miguel Vives, Country Manager da The Walt Disney Company Brasil.
Iniciativa da ADMA esportes, o evento tem o objetivo de proporcionar um dia mágico. “Nada melhor do que a prática do esporte em família. Inserir a fantasia Disney no cartão postal mais famoso do mundo promete ser o pilar para garantir um grande e duradouro sucesso para o evento” conta Marcelo Alves, presidente da empresa.
Os vencedores das categorias individual masculino e feminino ganharão uma inscrição para uma das corridas da Disney Run em Orlando, em 2015, com custos de viagem, hotel e ingressos para os parques incluídos. Participantes fantasiados também podem concorrer a prêmios. O júri vai avaliar quesitos como originalidade, destaque e participação.
As inscrições podem ser feitas pelo site www.disney.com.br/magicrunrio . A corrida acontece no dia 12 de outubro, Dia das Crianças, com aquecimento às 8h45 e largada às 9h. O valor da inscrição para a Caminhada Família R$ 80,00 (mínimo de 3, máximo de 5 pessoas); para a caminhada Individual será de R$ 95,00 por pessoa e a corrida Individual será R$ 95,00 (acima de 16 anos).


quarta-feira, 11 de junho de 2014

São Gonçalo - Família reencontra parente desaparecido há 17 anos

O reencontro com a família (foto: Julio Diniz)
Uma história impressionante marcou a vida da família Alves, em São Gonçalo. O morador do bairro Jardim Catarina, Alberto Alves, de 49 anos, desaparecido há 17 anos, reencontrou seus parentes na manhã da segunda-feira, 9 de junho. O reencontro só foi possível após um trabalho em conjunto da Secretaria de Saúde de São Gonçalo e o Centro de Referência Especializado para População em situação de Rua (Centro POP) de Maringá, no Paraná.

Depois de tanto tempo, a família conseguiu respirar aliviada ao ver Alberto. Filho de uma das primeiras moradoras do Jardim Catarina, Alberto, também conhecido como Betinho, saiu de sua residência, em 1997, para receber o salário de aposentado com os documentos e a roupa do corpo e nunca mais voltou. Anos antes, ele havia sido atropelado e, após o acidente, passou a apresentar sintomas de esquizofrenia.

Primeira foto de família após reencontro (foto Julio Diniz)
A família foi encontrada pela assistente social Cristiane Lima com a ajuda da agente comunitária de saúde (ACS) Rosângela Santos, moradora do Jardim Catarina há 45 anos, e que trabalha no Posto de Saúde João Goulart, localizado na Rua 40.

De acordo com a supervisora da equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) do Jardim Catarina, Rejane Gomes, a busca pela família de Alberto foi incessante, visto que o bairro é o maior loteamento da América Latina. “O trabalho da equipe do NASF foi de formiguinha. Dividimos a nossa equipe em busca de informações sobre a família Alves, até que chegamos ao endereço. E hoje ver essas lágrimas de alegria nos olhos da família é gratificante para todos nós”, ressaltou Rejane Gomes.

Emocionada, a irmã de Alberto, Gesilda Alves de Oliveira, agradeceu a ajuda da Prefeitura de São Gonçalo e de Maringá, pois sem essa parceria esse sonho da família não teria se realizado. “Minha família recebeu hoje um presente de Deus, ter meu irmão de volta é gratificante. O empenho da equipe do Nasf foi essencial. Esse trabalho em conjunto com a equipe de Maringá resultou na minha felicidade hoje”, declarou Gesilda Alves.

O educador de Maringá, Aldair Passeri e o cinegrafista Claudio Batalini, que acompanharam Alberto até São Gonçalo, declararam estar sem palavras para descrever a emoção de ajudar uma família a reencontrar seu ente querido. “É gratificante trazer de volta ao seio da família uma pessoa que esta desaparecida há 17 anos”, declarou Aldair Passeri.