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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Niterói reforça medidas para conter o avanço de casos


 Município é considerado uma das referências no combate ao coronavírus
Desde o início do avanço da pandemia no Brasil, Niterói vem se destacando como pioneira na adoção de medidas para combater o coronavírus. A cidade investiu alto em prevenção, tendo criado desde final de janeiro um grupo de resposta rápida, com objetivo de monitorar o avanço da pandemia no Brasil e na cidade. Dentre as medidas adotadas, a Prefeitura arrendou por um ano o Hospital Oceânico, localizado em Piratininga, na Região Oceânica. Desativado, o prédio construído pela iniciativa privada passou por adaptações, e entrará em funcionamento a partir do dia 10 de abril, com estrutura de 140 leitos com respiradores e unidades de tratamento intensivo exclusivo para portadores do vírus.
A unidade montada no Hospital Oceânico será regulada pelo sistema de saúde de Niterói para receber apenas pacientes graves de coronavírus. Não haverá atendimento de emergência e as pessoas devem seguir procurando as unidades de urgência destacadas como referência para casos suspeitos de Covid-19 (Hospital Municipal Carlos Tortelly, Unidade de Urgência Mário Monteiro, Policlínica do Largo da Batalha e Policlínica da Engenhoca).
A Prefeitura iniciou desde quarta, dia 8 de abril, um trabalho de distribuição gratuita de um milhão de máscaras para toda a população da cidade. Os equipamentos foram comprados de pequenas e médias confecções da cidade e serão distribuídos por instituições religiosas, associações de moradores, equipes do Programa Médico de Família, das Unidades Básicas de Saúde e das administrações regionais.
"Nosso objetivo é distribuir essas máscaras em uma semana. Reitero que a nossa maior arma segue sendo o isolamento social. Mas, quem precisar ir às ruas, deve fazê-lo de máscaras, para se proteger e proteger os outros, já que muitos casos de coronavírus são assintomáticos" afirmou Rodrigo Neves, prefeito de Niterói.
Outra medida adotada foi o plano operacional de restrição dos municípios limítrofes teve início no sábado, dia 4 de abril, com etapas conforme a evolução do ciclo da epidemia em Niterói e nas cidades vizinhas.

Economia
A cidade também está preocupada em reduzir o impacto sócio-econômico das medidas de isolamento social. Microempreendedores individuais (MEIs) da cidade se cadastraram via internet, e vão receber um auxílio de R$ 500, por três meses, a começar pelo mês de abril. A entrega esta prevista entre os dias 13 e 17 deste mês. 
"Ainda em abril, nós começaremos também a conceder crédito, através do Fundo Emergencial de Crédito, que criamos para manter as nossas empresas de pé. Porque não há contradição entre salvar vidas e manter a economia da cidade funcionando", afirmou Rodrigo Neves.
Além disso, a Secretaria Municipal de Fazenda irá abrir, a partir da segunda-feira, dia 13, o cadastramento para empresas interessadas em aderir ao Programa Empresa Cidadã de Niterói, instituído por lei sancionada pelo prefeito.
Pelo programa, a Prefeitura de Niterói pagará um salário mínimo, pelos próximos três meses, para até nove empregados de empresas, entidades religiosas e organizações sindicais com alvará na cidade e que tenham até 19 funcionários. Espera-se, com a medida, proteger 10 mil postos de trabalho e beneficiar pelo menos 1.200 empresas.

A Secretaria Municipal de Fazenda  está também com edital aberto para credenciamento de instituições financeiras que vão conceder os empréstimos a juro zero para micro e pequenas empresas sediadas em Niterói. Os juros serão assumidos pela Prefeitura de Niterói, e o montante esperado a ser emprestado com o programa é de R$ 150 milhões.
O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Axel Grael, informou que a distribuição dos cartões para as 35 mil famílias inscritas no Cad Único acontecerá entre os dias 20 e 27 de abril.
“Uma equipe da área técnica da Prefeitura está trabalhando arduamente neste processo”, disse o secretário Axel.
Limpeza e higienização
Para garantir a higiene em comunidades mais pobres, a Prefeitura segue com a distribuição de mais de 50 mil kits de limpeza de porta em porta por meio do Programa Médico de Família, com detergente, sabonetes, água sanitária, sabão em pó e álcool em gel fazem. Niterói também investiu num sistema de ponta de sanitização de suas vias públicas, com o sistema quaternário de amônia de quinta geração que forma uma película protetora e impede a proliferação de micro-organismos por três a seis meses.    
Apoio a São Gonçalo
As prefeituras de Maricá e Niterói vão repassar, cada uma, R$ 45 milhões para o governo do Estado construir um hospital de campanha em São Gonçalo. O montante foi pedido pelo governador Wilson Witzel aos dois prefeitos.  O hospital de campanha de São Gonçalo será construído no Colubandê, ao lado do Hospital Estadual Alberto Torres. Uma tenda já foi colocada no local. A unidade fará atendimento exclusivos para pacientes com sintomas de gripe que possam ser suspeitos de coronavírus. A previsão do governo é que o hospital tenha 200 leitos, sendo 40 de CTI.

Coronavírus: o que você precisa saber

Como se prevenir e as principais dúvidas sobre o vírus

(reprodução internet)
No final de 2019, o mundo voltou a sua atenção para a China, após o país ter registrado os primeiros casos do novo coronavírus. O COVID-19 - como ficou denominado - é de uma família de vírus que causam infecções respiratórias, podendo provocar sintomas mais graves, e levar à morte. Rapidamente, novos casos da doença foram sendo registrados: Itália, Espanha, Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos, França, Brasil... À medida que a curva de infectados e a disseminação global aumentavam, a Organização Mundial de Saúde decretava uma situação de pandemia mundial, atingindo a 182 países, e obrigando a população a adotar medidas drásticas de distanciamento social, como forma de tentar conter o avanço da doença.  
Até o fechamento desta edição, mais de 1 milhão e 300 mil casos confirmados já haviam sido registrados no mundo, ultrapassando 74 mil mortos pela doença. O CASA DA GENTE preparou, a partir de dados compilados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) uma série de perguntas e respostas a respeito do vírus, para você tirar suas principais dúvidas.
(foto Peter Ilicciev)
Quais os sintomas do coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. Os principais sintomas são: febre, tosse e dificuldade para respirar.
Como o coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação é por contato. A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; e contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
A infecção pelo coronavírus pode provocar sintomas graves?
Sim. Embora a maioria das pessoas infectadas apresente sintomas leves a moderados, o novo coronavírus pode provocar sintomas mais graves e, inclusive levar à morte.
Como se prevenir?
As maneiras mais eficazes de proteger a si e aos outros contra o Covid-19 são: limpar frequentemente as mãos, cobrir a tosse com a curva do cotovelo ou um pano e manter uma distância de pelo menos 1 metro das pessoas.
Quais são as pessoas consideradas como grupo de risco?
Pessoas com anemia falciforme, problemas respiratórios, fumantes de longa data, hipertensos, diabéticos, pessoas com doenças crônicas e idosos devem ter um cuidado ainda maior. 

Existe alguma vacina, medicamento ou tratamento para o Covid-19?
Ainda não. Até o momento, não há vacina nem medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar o Covid-2019. No entanto, as pessoas afetadas devem receber cuidados para aliviar os sintomas. Pessoas com doenças graves devem ser hospitalizadas. A maioria dos pacientes se recupera graças aos cuidados de suporte.
Possíveis vacinas e alguns tratamentos medicamentosos específicos estão em fase de pesquisa, sendo testados por meio de ensaios clínicos. A Organização Mundial da Saúde está coordenando esforços para desenvolver vacinas e medicamentos para prevenir e tratar o Covid-19.

Qual é a recomendação para quem suspeite que possa estar com o coronavírus?
Em 80% dos casos, os sintomas de coronavírus são leves, semelhantes a uma gripe. Nestes casos, o essencial, segundo a Organização Mundial da Saúde, é evitar sair de casa. O Ministério da Saúde recomenda ficar em repouso e tomar bastante água.
Se precisar sair, deve-se evitar circular em lugares fechados, com muitas pessoas e com pouca ventilação. Além disso, é preciso entender que ir ao trabalho ou à escola com sintomas implica expor potencialmente outras pessoas à doença. Além disso, ao tossir, deve-se colocar o antebraço ou um lenço na frente do nariz e boca; utilize lenço descartável para higiene nasal; não compartilhe talheres, copos, toalhas e demais objetos pessoais; e mantenha uma distância mínima de um metro de qualquer pessoa.

Por que não são apenas as pessoas de risco que precisam ficar isoladas?
Porque cada um tem seu papel na transmissão. Estudos mostram que cada pessoa infectada transmite para até outras três pessoas. Ao fim de dez passos, já são mais de 10 mil pessoas infectadas. 

Quais são os critérios para aplicação do teste?
Pessoas com dificuldade respiratória tem prioridade porque não há kits suficientes para todos que procuram os serviços de saúde. A pessoa que não tiver sintoma grave deve ficar em casa e circular o menos possível.

Em quanto tempo uma pessoa infectada de forma leve está curada da doença?
Em média, as pessoas começam a melhorar a partir do sétimo dia e ficam boas em cerca de 10 dias, devendo ficar isoladas no mínimo por até 14 dias após o início dos sintomas.

Existe algum canal direto com o Ministério da Saúde para tirar dúvidas sobre o novo coronavírus?
Sim. Para manter a população e profissionais de saúde informados a respeito do novo coronavírus, o Ministério da Saúde lançou um canal exclusivo e gratuito no WhatsApp, pelo número +55 (61) 9938-0031. Por meio da ferramenta, é possível receber orientações sobre a doença, sobre o tratamento e até protocolo de atendimento para profissionais dos postos de saúde.




Erika Ferreira: uma vida dedicada às Artes Cênicas


A atriz, diretora e professora de teatro morreu aos 39 anos, em Niterói, por coronavírus

Erika Ferreira em cena com a Oficina Social de Teatro
(foto reprodução facebook)
Uma das mais jovens e talentosas expoentes das Artes Cênicas, a atriz, diretora e professora de teatro Erika Ferreira faleceu em Niterói no sábado, dia 28 de março, aos 39 anos, por Covid-19. A artista - que tinha diabetes - foi internada na terça-feira, dia 24 de março, no Hospital de Clínicas Alameda, com dor no peito, tosse, febre e falta de ar, e não resistiu. Horas depois à sua internação, ela já precisou ir para a UTI onde foi mantida em coma induzindo e com respirador, vindo a falecer cinco dias depois. A notícia de sua morte precoce causou grande comoção da classe artística das cidades de Niterói e São Gonçalo e do estado do Rio de Janeiro.
Nascida em São Gonçalo, Erika era diretora da companhia de teatro Agromelados e participou de diversos trabalhos, dentre eles, o musical "É samba na veia, é Candeia", sobre a história do sambista. Erika se formou pela Escola de Teatro Martins Penna, e participou como atriz de vários espetáculos, entre eles "Tirico, a história de morros e fossos", sendo selecionado em diversos festivais e premiações. Ela era professora da Oficina Social de Teatro (OST) onde ajudou a formar uma nova geração de atores, além de participar de diversas montagens teatrais.
"Érika era uma pessoa extremamente criativa, inteligente e uma educadora excelente com as ferramentas de teatro. Todo nosso fazer metodológico foi sendo influenciado pela Erika: a maneira de interagia com o aluno, os espetáculos em sua condução  eram sempre grandiosos, não só no trabalho de ator, como também de estruturação da cena, estimulando a criação de núcleos de figurino, cenografia, sonoplastia. O estímulo e o trabalho que a Erika "injetou" na OST, nós pretendemos continuar", conta José Geraldo Demezio, diretor da Oficina Social de Teatro.
Antes de adoecer, Erika estava trabalhando nos ensaios de "Nas Águas de Iara - a lenda da Pequena Sereia". Outro projeto em andamento era o "Moleca de pé no chão", que conta a história de uma criança do meio urbano, abandonada pela sociedade, e tendo como pano de fundo a tragédia que aconteceu no Morro do Bumba, com deslizamento de terra e morte, em Niterói. Segundo José Geraldo Demezio, o sonho de Erika era de estrear este espetáculo em turnê pelas comunidades. Ambos os projetos já estavam sendo desenvolvidos em parceria com Sylvio Moura, dramaturgo, ator e companheiro de Erika, e terão seguimento sob a sua condução, a partir de agora.
"Eu e Érica éramos muito parceiros, nossa cumplicidade ia além do matrimônio. Nós nos encaixávamos: eu, como ator, escritor e na iluminação; ela como atriz, diretora, produtora e potência criativa. Trocávamos ideias e criávamos a todo momento. A Erika defendia a valorização de um teatro infantil de qualidade, um gênero muitas vezes tratado como menor. Por mais que este seja um momento triste e dor, a gente tenta ficar com o exemplo dela, focada no trabalho e na dedicação à Arte. O Teatro não era só meio de vida, mas sim era a vida dela", conta em tom emocionado Sylvio.
Em nota, a Secretaria Municipal das Culturas e a Fundação de Arte de Niterói prestaram sua homenagem à artista. Diversos atores e diretores teatrais também demonstraram sua tristeza.
"Nossa querida amiga Erika vá em paz! Nós que aqui ficamos, seguimos irmanados pela dor e fortalecidos no amor. Que todo esse sofrimento mundial acabe o quanto antes e que possamos nos transformar para melhor", disse a diretora Patrícia Zampirolli, através de suas redes.
"Acabo de saber. Não consigo escrever. Queria poder escrever, mas não consigo. Os planos de você me dirigir e de atuarmos juntas, a forma alegre, carinhosa e solidária como me recebeu na 'Martins', o Sarau, o Café Literário...Quando perdemos uma artista como você, uma pessoa como você.... dói mais. Dói muito. Todos os aplausos para Erika Ferreira!", escreveu a atriz Simone Kalil.




quarta-feira, 8 de abril de 2020